Kubrick gênioooo
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O maior diretor de cinema da história é também responsável por influenciar a grande maioria dos trabalhos posteriores a ele. Kubrick demonstra um certo grau de exigência além do comum, como perfeccionista que era segura as pontas do filme até em seus detalhes mais singelos e brutais. Para ele, nada é gratuito, e sua imponência está presente o tempo inteiro.
Sob esse viés, o longa de 1971 é uma obra-prima assustadoramente valiosa e indispensável. O tablado da transformação de um organismo orgânico em um sistema mecânico, é apenas o palco em que o cineasta trabalha os dramas da mente humana. Seus atores incluem a violência urbana, a fatídica concepção psicótica, o caos social, o embate político, e em especial o complexo comportamental.
O principal dilema da obra de Kubrick está em torno do padrão de comportamentos expressos pela sociedade e pelos indivíduos. Isso não está apenas presente na pergunta: "o que faz com que pessoas possam ser tão ruins?" Mas também na constatação de duas óticas, a moral e a repressão. Para o diretor, existem dois tipos de padrões comportamentais, o primeiro e mais utilizado é a repressão, que foca na consequência. Para impedir o crime, o Estado repreende com força mecânica e involuntária, destruindo o livre-arbítrio. O segundo, é a moral, que foca na causa do problema. Mostrar o que é errado antes do erro, permite ao observador aprender mais do que evitar. Caso seja apenas repreendido, o indivíduo terá temor à força e ao poder, e não ao erro.
Seria muito obvio para o estilo do diretor se a resposta do caos estivesse simplesmente na moral. O real problema é que nem a repressão, nem a moral são bons o bastante. Aquele precisa ser reaplicado constantemente, e este não impede uma pessoa que tenha educação e bem-estar como Alex de se transformar em algo tão incompreensível.
_Laranja Mecânica_ é alucinante, com uma arte alternativa, em um mundo tão esquisito, mas tão próximo ao nosso. Sua grandeza é real e convincente. Embora no terceiro ato o espectador tenha pena do protagonista, o filme cumpre muito bem a premissa de mostrar que todos somos loucos e que não existem mocinhos e vilões, apenas propósitos.