O Menino que Descobriu o Vento: Críticas - Página 4
O Menino que Descobriu o Vento
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Igor P
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4,5
Enviada em 17 de março de 2019
O Menino que Descobriu o Vento
É a estreia de Chiwetel Ejiofor como diretor, ele que também interpreta o pai no longa. Uma estreia surpreendente, conta uma crônica que diz muito sobre uma realidade bem distante da nossa. A trama é mais sofisticada do que parece, enquanto tem seu arco principal sendo trabalhado, tece linhas importantes sobre a ganância do homem, governos semi-autocratas, fome, a importância do ensino e outros. Mantem seu foco mais centrado sob o olhar de William, um jovem que viu de perto a desumanidade, a miséria e conseguiu mudar o curso da vida muitas pessoas.
O longa tem algumas imagens emblemáticas, ente elas uma pessoa com um traje que em muito remete a tradição daquela tribo olhando para homens ''modernos'' destruírem a floresta, cena que parece um presságio do que está por vir. Na beleza de momentos como esses, encontramos significados bem preciosos que dizem bastante sobre o filme. A narrativa percorre algumas previsibilidades, uma entregue no título por exemplo. Possui diálogos afiados, mas Ejiofor diz muito mais para a gente com sua câmera que registra ótimos cenas, compondo uma história rica de imagens que narram-se sozinhas. __
Maxwell Simba (William) faz um protagonista vibrante, com alma e que não precisa nem dizer nada pois seus sentimentos estão explícitos. É o fio condutor da trama e o faz perfeitamente bem. Chiwetel Ejiofor mostra a complexidade de uma pessoa que incentiva seu filho a estudar, tão desespera-se pela situação terrível que vive. Gratificante surpresa é a Aïssa Maïga (Agnes/Mãe) uma interpretação que transmite segurança, afetuosidade e força. A dinâmica da família é muito bem articulada. __
O cinema pode muito em seus efeitos, nos aproximar de histórias sensíveis ampliando nossa visão de mundo é uma delas. A nova produção da Netflix é um ótimo exemplar de como uma pessoa é capaz de transformar o coletivo com empatia, perseverança e altruísmo. É um retrato da vida de todo um povo que tem suas histórias ofuscadas pela superficialidade de pessoas cheias de egoismo. As vezes não existe nada mais motivador do que não ter saída, William entendeu sua missão e fez dela sua história de vida.
Boas atuações, observando a verdadeira história percebe-se um excessivo dramatismo, entretanto é uma mensagem que vale a pena ser levada. Pra quem tiver interesse no ritual mortuário é uma seita chamada Gule Wamkulu, é citada no filme.
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