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Adriano Côrtes Santos
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1.229 críticas
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4,0
Enviada em 2 de novembro de 2021
Filme espanhol dirigido por Pablo Agüero, que com um orçamento modesto conseguiu um ótimo resultado. Baseado no livro A Feiticeira de Jules Michelet, o longa acompanha um grupo de jovens mulheres contra o sistema da época. A trama se passa em um país Basco em 1619, que para adiar o julgamento de bruxaria as mulheres já gastas pelo interrogatório e torturas físicas ou psicológicas, se oferecem ao inquisidor para realizar um Sabbat. O filme retrata a atmosfera dessas “provações” de maneira crível e os infortúnios que as mulheres azaradas enfrentaram. É um longa lento que aproveita disso para atiçar as expectativas de quem assiste. O enredo é simples e correto, provando que não há necessidade de efeitos complicados para se fazer cinema. O elenco e eficiente com destaque para Amaia Aberasturi, ao carregar o filme nas costas por um bom tempo, pegando tanto os espectadores quanto o inquisidor pela mão. Uma obra convincente com excelência, pelo que diz, pelo que esconde e pelo que acarreta.
Mais uma obra prima que versa sobre um dos períodos mais sombrios da história, onde várias pessoas foram denunciadas por heresias à Igreja, torturadas e mortas. Esse filme dirigido e escrito pelo premiado, porém pouco conhecido argentino, Pablo Aguero, é inspirado em notas escritas pelo inquisidor Pierre de Lancre em 1609 na França. A ação do filme transcorre nas províncias bascas onde as mulheres dirigem os povoados enquanto que os homens são navegantes, pescadores. O ritmo do filme é lento e cadenciado e provoca uma sensação de estupor pela produção refinada e excelentes atuações, que, reproduzem muito bem a época histórica em que o filme se contextualiza. Na verdade esse filme trata de questões extremamente relevantes, o patriarcado, a Igreja, a repressão sexual, os roubos das propriedades das vítimas em nome de Deus, sabendo-se, enfim, quem eram os verdadeiros demônios dessa caça às bruxas. No filme A bruxa (2015) de Egers, o que torna a personagem principal uma pária, acusada de bruxaria, é o patriarcado religioso e sua hipocrisia. Em as bruxas de Salém (1996) de Hytner sabemos como a mentira era produzida e o que o histerismo em massa era capaz de fazer. O que torna Silenciadas especial no seu ponto de vista, é que o teatro que era produzido pelos inquisidores, através das confissões forçadas das acusadas, com o uso de métodos hediondos de tortura, parecia mais um estimulante sexual desse grupo, algo reprimido e doentio para o entretenimento deles, e um meio de satisfazer essas taras: sexo, dinheiro e poder. Filme obrigatório para se entender o perigo do privilégio da política nas mãos de um grupo "bem intencionado". Reflexiona sobre a privação da liberdade individual e as questões que abordam a importância do sufrágio feminino séculos depois. Triste e poético!
(Insta: @cinemacrica) - Mesmo dentro do seu micro universo, alheio às facilidades de grandes produções que têm nos filmes de época a vazão perfeita de recursos, este modesto lançamento da Netflix demonstra notável competência. O contorno dado à impossibilidade de oferecer uma cenografia pujante é a construção assumida da angústia claustrofóbica. Um grupo de amigas é detido após serem flagradas dançando à noite. A barbárie se desenvolve na Espanha do século 17 e remonta os abusos do Estado e igreja em classificar, segundo suas percepções, aquelas que podem ser consideradas bruxas. O íntimo das garotas é invadido com sequências de close-ups que pouco espaço cedem aos cenários. O uso de iluminação natural e, principalmente, de fogueiras e candelabros associada à fotografia de bom gosto resulta numa estética agradável, mesmo que simples. O enredo, contudo, norteia-se basicamente no pilar da arbitrariedade legítima do Estado em queimar quem julgar ter qualquer tipo de afinidade satânica. O caráter abusivo é constantemente lembrado durante toda a narrativa que consiste no interrogatório das acusadas. O foco dessa exposição passa do ponto da elegância da denúncia e incorre na construção de antagonistas exagerados. O abuso do poder é muito pronunciado, assim como a inocência em acreditar nas fantasias que a protagonista opta elaborar para canalizar a culpa em si e livrar as demais. Difícil conceber a proposta: 3 paspalhos velhos ludibriados por uma garota. Apesar das obviedades e exageros que regem quase todo o processo, essa leitura do passado tem ares de modernidade na forma com que lida com a desgraça institucionalizada. Não anteciparei a resolução, mas há uma positividade similar ao que senti ao terminar de ver "Thelma & Louise".
Cada vez me apego mais em filmes e séries espanhóis na netflix, esse filme tem uma fotografia linda, roteiro excelente e atuações impecáveis, principalmente da ANA, realmente encanta o telespectador, o final foi brilhante, ainda mais por ser interpretativo.
"não vai esperando um filme de bruxa" Não, é exatamente o filme de bruxaria que deveria ser mais feito. É o que realmente uma bruxa era de verdade e não o esteriotopo que a gente hoje vê que bruxa faz feitiço de levitação, explode coisas, sacrifica e faz pacto de sangue, etc. Achei o filme genial.
Tem pessoas dizendo que ficaram em dúvida se elas eram bruxas ou não. É ironia ou ignorância? Filme maravilhoso. Lógico, para quem, no mínimo, terminou o fundamental i
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