"Dois Papas", o novo filme dirigido pelo cultuado diretor brasileiro Fernando Meireles faz uma exploração da relação entre os dois últimos papas, o antecessor e o sucessor, sem entrar muito em méritos de polemicas, o filme foca em humanizar santidades e criar relações humanas entre elas, sem julgamento ou ponto de vista, com um roteiro bem escrito, uma boa direção e ótimas atuações, "Dois papas" é mais uma grata surpresa da Netflix.
Com um roteiro leve que visa criar profundidade de personagem, o roteirista Anthony se abstêm de muitas polemicas envolvendo o clero, o filme toda preza por um lado mais humanitário e pacifista, apesar de criar relatos sobre a cruel ditadura argentina dos anos 70, tal passagem ainsa serve como mensagem de arrependimento e crescimento de personagem, poderíamos criticar que polemicas como corrupção e pedofilia não entraram na obra, porém talvez não fosse esse o filme que Meireles queria, ele queria mostrar um lado humano de duas figuras que são vistas como santidade, e o diretor conseguiu.
A direção busca muito apoio na atuaçãos, pois é uma direção com muitos planos fechados e câmera na mão, se utilizando de muitos efeitos especiais e uma iluminação sempre clara, abusando de vastos ambientes e sempre intercalando planos entre personagens, é uma direção boa que mostra o talento inapto de Fernando Meireles.
As atuações também estão ótimas, principalmente a de Jonathan Price, o ator britânico vira um verdadeiro argentino no sotaque e na pose, e encena um personagem cheio de profundidade, além de um carisma natural, já Anthony Hopkins também está ótimo, o ator também consegue dar uma profundidade e tridimensionalidade para o seu personagem, fazendo-o dele um sábio e culto, com momentos de alivio cômicos e sabedoria.
"Dois Papas" é um inesperado otimo filme, com boa direção e otimas atuações, seu rotoeiro é pouco expansivo, mas entendemos seus motivos narrativos e somos acariciados com uma bela obra. NOTA 8/10