Após o término de O Peso do Passado, filme dirigido por Karyn Kusama, fica a sensação de que a tradução do título para o português é muito mais adequada do que a sua versão original, Destroyer. Afinal, no decorrer do roteiro escrito por Phil Hay e Matt Manfredi, veremos a detetive Erin Bell (Nicole Kidman) enfrentar muito mais as consequências dos atos do seu passado, o qual, aí sim, foi destruidor com ela mesma.
A narrativa de O Peso do Passado é bastante interessante na maneira como ela foi estruturada pela diretora. O filme tem duas linhas narrativas bastante fortes: a do presente, que envolve a detetive Bell numa investigação particular sobre um crime ocorrido em Los Angeles; e a do passado, que a coloca numa das suas primeiras atividades como detetive, quando ela se infiltrou com o colega Chris (Sebastian Stan), em uma gangue cujo maior propósito era cometer grandes assaltos na cidade.
Um dos pontos mais chamativos de O Peso do Passado é a caracterização de Erin Bell. Quando a vemos, no passado, conseguimos enxergar alguém cheio de vida, uma mulher dedicada à sua profissão, mesmo com a difícil missão com a qual ela foi confrontada. Já quando a conhecemos no presente, vemos o quanto a sua vida como infiltrada a prejudicou, o quanto que ela se auto destruiu e o quanto que ela estabeleceu relações péssimas com as pessoas mais próximas a ela. Neste ponto, vale mencionar a atuação de Nicole Kidman, que está muito bem como Erin.
Mesmo assim, apesar de O Peso do Passado ser um filme policial bem construído, ainda apresenta algumas falhas, especialmente no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pela diretora Karyn Kusama. O filme falha, no final, ao deixar algumas pontas do roteiro bastante soltas e, principalmente, por não aproveitar melhor a trama do passado dentro do que está acontecendo no presente. Se fosse enfocado bem mais no passado, talvez, o longa tivesse um melhor desempenho.