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cinetenisverde
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4,0
Enviada em 11 de julho de 2018
Deixe-me abrir um parêntese para este escritor frustrado, fácil de entender pela atuação pertinente e caracterização óbvia de Jean-Pierre Darroussin. A partir dele podemos entender o resto da família. Ele representa o intelectual máximo do microcosmo. O mais inteligente e, portanto, o mais depressivo e anti-social. Sempre reclamando com sua opinião pessimista sobre a vida, e sempre fazendo questão de politizar tudo em uma relação injusta de poder, vestindo seu casaco sutilmente vermelho e tendo seus pensamentos rejeitados pelo mundo contemporâneo, ele é obviamente um Karl Marx com barba rasa (e careca em cima da cabeça). E rasa é a metáfora aqui, pois ela só precisa de um dos representantes mais caricatos do inconformismo com a realidade para formar o símbolo. Como sua jovem namorada comenta quando fala por que está com ele, “o seu jeito revolucionário de falar me cativou”. Ele a fisgou pelo coração, mas quando chega a maturidade na cabeça desta jovem seu professor favorito começa a lembrar uma caricatura cansada e patética.
E não mais do que de repente você se vê envolvido por uma história qualquer, com circunstâncias atraentes, numa deslumbrante paisagem mediterrânea. O drama da morte, que está prestes a colher o patriarca da família, reúne os filhos, expõe suas chagas e suas forças, os tombos e amarguras da vida ao lado dos sucessos alcançados. A casa patriarcal (la villa) é bela, o cenário, belíssimo, os seres humanos que ali transitam e se esbarram é que mostram contradições, lutas, vitórias e derrotas próprias de nossa natureza.
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