First Reformed
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Guga A
Guga A

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5,0
Enviada em 20 de março de 2019
spoiler:


O filme escrito e dirigido pelo americano Paul Schrader, autor eternizado pelos roteiros de Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), é uma obra com um forte perfil espiritual e transcendental, que não nega a influência norteadora de outros filmes, especialmente Luz de Inverno (1963) de Ingmar Bergman e Diário de um Padre (1951) de Robert Bresson, para criar sua própria narrativa e personagens de profundidades dignas dos temas abordados.

De início já observamos uma importante escolha estética/narrativa feita pelo diretor, que é a realização da filmagem em uma proporção mais restrita[1], onde a imagem aparece para o espectador em um formato mais quadrado e fechado, obrigando o público a concentrar sua atenção ao centro da tela, permitindo uma maior intimidade e conexão com os personagens em cena, garantindo close-ups incríveis e emotivos além de trazer um aspecto mais minimalista e menos grandioso.

Ao sermos apresentados aos personagens principais dessa história, somos imediatamente lançados ao questionamento que se torna o alicerce de todo o filme: a constante disputa entre a Esperança e o Desespero. A paroquiana Mary busca o aconselhamento do pastor local, Ernst Toller, ao perceber que seu marido, um ativista ambiental, se encontra em um severo niilismo sobre o futuro do planeta e decidido de que a melhor decisão é que ela realize um aborto do filho que estão esperando. No encontro desses dois homens, um grande embate sobre Esperança e Desespero é travado, resultando em decisões transformadoras para ambos.

O pastor relata na sua conversa com o desacreditado ativista Michael (Philip Ettinger) a história de seu encontro com a religião e com o sacerdócio, dessa aproximação com a espiritualidade após a morte de seu filho que, inspirado e incentivado pelo pai, alistou-se nas forças Armadas e acabou morrendo em combate. Seu luto e culpa que seguiram esse incidente, o levaram à busca pelo transcendental e a uma possível redução de seu sofrimento diante presença de Deus e da servidão à sua palavra como sacerdote.

Michael se apresenta narrativamente no papel de acusador/juiz das ações humanas e suas consequências devastadoras para o meio ambiente. É principalmente um questionador da já abalada fé de Ernst na Divina Providência. A descrença do ativista na possibilidade de redenção da civilização que se coloca em uma posição externa/superior à Unidade que é a vida afeta o pastor que passará por revalorações de suas crenças.

De um lado temos a transcendência religiosa de Ernst e do outra a imanência niilista de Michael. Os dois em suas buscas particulares de propósitos para a vida encontram caminhos aparentemente distintos para alcançá-los. Porém, observamos em ambos uma vida ressentida, de má-consciência e de culpa. No pastor ascético aparece com há a negação do corpo e da vida, se mantendo preso nas dores do passado como fossem dívidas que jamais conseguirá saldar, alimentando-se de pão e whisky e isolando-se na sua igreja. Já o ativista, em estágio profundo de depressão, decide pela maior negação da vida, o suicídio.

Encontrando seu novo proposito na Unidade do Criador e Criação, uma visão ainda Deísta mas de caráter imanente, mais próximo agora de Espinoza (1632-1677) e se distanciando de Santo Agostinho (354-430). O confronto do pastor com o seu superior (Cedric the Entretainer) o chefe da mega Igreja Abundant Life, sobre o apoio financeiro que ela vem recebendo de uma das empresas que mais poluem no mundo, se revela como um reflexo alegórico de sua impotência e do silêncio ensurdecedor daqueles que seriam a representação Divina na Terra.

A profundidade dessas jornadas de realizações é alcançada graças a direção precisa de Schrader e de seu roteiro impecável que nos deixa conjecturando sobre o final muito depois de terminado o filme. E este, será interpretado por cada espectador a depender de seu humor, uma vez que nosso estado de espírito é capaz de iluminar diferentes partes dos objetos observados, garantindo a cada experiência sua particularidade. Sua derrota no Oscar para Green Book na categoria Melhor Roteiro Original foi um dos grandes erros da noite.

Longe de serem menos importantes são as atuações de Ethan Hawke e Amanda Seyfried que entregam provavelmente as melhores atuações de suas carreiras até o momento, com uma caracterização contida, sem grandiosidades, e que ao mesmo tempo que nos chama para participar da história e nos perdermos entre a ficção e realidade. Cedric the Entretainer surpreende ao sair do lugar comum de seus papeis cômicos e mantém o nível da atuação de seus parceiros de cena.

Uma fonte de reflexão religiosa, filosófica, ética, cinematográfica e muito mais em uma só obra de arte. Filme que deve ser revisto e apreciado diversas vezes por suas contribuições de grande valor para história do cinema e do pensamento humano.

[1] (“Aspect Ratio 1.37:1”

Mais textos meus no O filme escrito e dirigido pelo americano Paul Schrader, autor eternizado pelos roteiros de Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), é uma obra com um forte perfil espiritual e transcendental, que não nega a influência norteadora de outros filmes, especialmente Luz de Inverno (1963) de Ingmar Bergman e Diário de um Padre (1951) de Robert Bresson, para criar sua própria narrativa e personagens de profundidades dignas dos temas abordados.

De início já observamos uma importante escolha estética/narrativa feita pelo diretor, que é a realização da filmagem em uma proporção mais restrita[1], onde a imagem aparece para o espectador em um formato mais quadrado e fechado, obrigando o público a concentrar sua atenção ao centro da tela, permitindo uma maior intimidade e conexão com os personagens em cena, garantindo close-ups incríveis e emotivos além de trazer um aspecto mais minimalista e menos grandioso.

Ao sermos apresentados aos personagens principais dessa história, somos imediatamente lançados ao questionamento que se torna o alicerce de todo o filme: a constante disputa entre a Esperança e o Desespero. A paroquiana Mary busca o aconselhamento do pastor local, Ernst Toller, ao perceber que seu marido, um ativista ambiental, se encontra em um severo niilismo sobre o futuro do planeta e decidido de que a melhor decisão é que ela realize um aborto do filho que estão esperando. No encontro desses dois homens, um grande embate sobre Esperança e Desespero é travado, resultando em decisões transformadoras para ambos.

O pastor relata na sua conversa com o desacreditado ativista Michael (Philip Ettinger) a história de seu encontro com a religião e com o sacerdócio, dessa aproximação com a espiritualidade após a morte de seu filho que, inspirado e incentivado pelo pai, alistou-se nas forças Armadas e acabou morrendo em combate. Seu luto e culpa que seguiram esse incidente, o levaram à busca pelo transcendental e a uma possível redução de seu sofrimento diante presença de Deus e da servidão à sua palavra como sacerdote.

Michael se apresenta narrativamente no papel de acusador/juiz das ações humanas e suas consequências devastadoras para o meio ambiente. É principalmente um questionador da já abalada fé de Ernst na Divina Providência. A descrença do ativista na possibilidade de redenção da civilização que se coloca em uma posição externa/superior à Unidade que é a vida afeta o pastor que passará por revalorações de suas crenças.

De um lado temos a transcendência religiosa de Ernst e do outra a imanência niilista de Michael. Os dois em suas buscas particulares de propósitos para a vida encontram caminhos aparentemente distintos para alcançá-los. Porém, observamos em ambos uma vida ressentida, de má-consciência e de culpa. No pastor ascético aparece com há a negação do corpo e da vida, se mantendo preso nas dores do passado como fossem dívidas que jamais conseguirá saldar, alimentando-se de pão e whisky e isolando-se na sua igreja. Já o ativista, em estágio profundo de depressão, decide pela maior negação da vida, o suicídio.

Encontrando seu novo proposito na Unidade do Criador e Criação, uma visão ainda Deísta mas de caráter imanente, mais próximo agora de Espinoza (1632-1677) e se distanciando de Santo Agostinho (354-430). O confronto do pastor com o seu superior (Cedric the Entretainer) o chefe da mega Igreja Abundant Life, sobre o apoio financeiro que ela vem recebendo de uma das empresas que mais poluem no mundo, se revela como um reflexo alegórico de sua impotência e do silêncio ensurdecedor daqueles que seriam a representação Divina na Terra.

A profundidade dessas jornadas de realizações é alcançada graças a direção precisa de Schrader e de seu roteiro impecável que nos deixa conjecturando sobre o final muito depois de terminado o filme. E este, será interpretado por cada espectador a depender de seu humor, uma vez que nosso estado de espírito é capaz de iluminar diferentes partes dos objetos observados, garantindo a cada experiência sua particularidade. Sua derrota no Oscar para Green Book na categoria Melhor Roteiro Original foi um dos grandes erros da noite.

Longe de serem menos importantes são as atuações de Ethan Hawke e Amanda Seyfried que entregam provavelmente as melhores atuações de suas carreiras até o momento, com uma caracterização contida, sem grandiosidades, e que ao mesmo tempo que nos chama para participar da história e nos perdermos entre a ficção e realidade. Cedric the Entretainer surpreende ao sair do lugar comum de seus papeis cômicos e mantém o nível da atuação de seus parceiros de cena.

Uma fonte de reflexão religiosa, filosófica, ética, cinematográfica e muito mais em uma só obra de arte. Filme que deve ser revisto e apreciado diversas vezes por suas contribuições de grande valor para história do cinema e do pensamento humano.

[1] (“Aspect Ratio 1.37:1”

Mais O filme escrito e dirigido pelo americano Paul Schrader, autor eternizado pelos roteiros de Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), é uma obra com um forte perfil espiritual e transcendental, que não nega a influência norteadora de outros filmes, especialmente Luz de Inverno (1963) de Ingmar Bergman e Diário de um Padre (1951) de Robert Bresson, para criar sua própria narrativa e personagens de profundidades dignas dos temas abordados.

De início já observamos uma importante escolha estética/narrativa feita pelo diretor, que é a realização da filmagem em uma proporção mais restrita[1], onde a imagem aparece para o espectador em um formato mais quadrado e fechado, obrigando o público a concentrar sua atenção ao centro da tela, permitindo uma maior intimidade e conexão com os personagens em cena, garantindo close-ups incríveis e emotivos além de trazer um aspecto mais minimalista e menos grandioso.

Ao sermos apresentados aos personagens principais dessa história, somos imediatamente lançados ao questionamento que se torna o alicerce de todo o filme: a constante disputa entre a Esperança e o Desespero. A paroquiana Mary busca o aconselhamento do pastor local, Ernst Toller, ao perceber que seu marido, um ativista ambiental, se encontra em um severo niilismo sobre o futuro do planeta e decidido de que a melhor decisão é que ela realize um aborto do filho que estão esperando. No encontro desses dois homens, um grande embate sobre Esperança e Desespero é travado, resultando em decisões transformadoras para ambos.

O pastor relata na sua conversa com o desacreditado ativista Michael (Philip Ettinger) a história de seu encontro com a religião e com o sacerdócio, dessa aproximação com a espiritualidade após a morte de seu filho que, inspirado e incentivado pelo pai, alistou-se nas forças Armadas e acabou morrendo em combate. Seu luto e culpa que seguiram esse incidente, o levaram à busca pelo transcendental e a uma possível redução de seu sofrimento diante presença de Deus e da servidão à sua palavra como sacerdote.

Michael se apresenta narrativamente no papel de acusador/juiz das ações humanas e suas consequências devastadoras para o meio ambiente. É principalmente um questionador da já abalada fé de Ernst na Divina Providência. A descrença do ativista na possibilidade de redenção da civilização que se coloca em uma posição externa/superior à Unidade que é a vida afeta o pastor que passará por revalorações de suas crenças.

De um lado temos a transcendência religiosa de Ernst e do outra a imanência niilista de Michael. Os dois em suas buscas particulares de propósitos para a vida encontram caminhos aparentemente distintos para alcançá-los. Porém, observamos em ambos uma vida ressentida, de má-consciência e de culpa. No pastor ascético aparece com há a negação do corpo e da vida, se mantendo preso nas dores do passado como fossem dívidas que jamais conseguirá saldar, alimentando-se de pão e whisky e isolando-se na sua igreja. Já o ativista, em estágio profundo de depressão, decide pela maior negação da vida, o suicídio.

Encontrando seu novo proposito na Unidade do Criador e Criação, uma visão ainda Deísta mas de caráter imanente, mais próximo agora de Espinoza (1632-1677) e se distanciando de Santo Agostinho (354-430). O confronto do pastor com o seu superior (Cedric the Entretainer) o chefe da mega Igreja Abundant Life, sobre o apoio financeiro que ela vem recebendo de uma das empresas que mais poluem no mundo, se revela como um reflexo alegórico de sua impotência e do silêncio ensurdecedor daqueles que seriam a representação Divina na Terra.

A profundidade dessas jornadas de realizações é alcançada graças a direção precisa de Schrader e de seu roteiro impecável que nos deixa conjecturando sobre o final muito depois de terminado o filme. E este, será interpretado por cada espectador a depender de seu humor, uma vez que nosso estado de espírito é capaz de iluminar diferentes partes dos objetos observados, garantindo a cada experiência sua particularidade. Sua derrota no Oscar para Green Book na categoria Melhor Roteiro Original foi um dos grandes erros da noite.

Longe de serem menos importantes são as atuações de Ethan Hawke e Amanda Seyfried que entregam provavelmente as melhores atuações de suas carreiras até o momento, com uma caracterização contida, sem grandiosidades, e que ao mesmo tempo que nos chama para participar da história e nos perdermos entre a ficção e realidade. Cedric the Entretainer surpreende ao sair do lugar comum de seus papeis cômicos e mantém o nível da atuação de seus parceiros de cena.

Uma fonte de reflexão religiosa, filosófica, ética, cinematográfica e muito mais em uma só obra de arte. Filme que deve ser revisto e apreciado diversas vezes por suas contribuições de grande valor para história do cinema e do pensamento humano.

[1] (“Aspect Ratio 1.37:1”

Mais textos meus no cinemanteiga.wordpress.com
Andrea P.
Andrea P.

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 10 de junho de 2020
Filme horrível! Sem pé nem cabeça... Não tem nexo. Assuntos aleatórios. Ficarei vendo até o final de raiva e curiosa, mas perdi meu tempo
Carolina Lima
Carolina Lima

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 26 de fevereiro de 2021
Deixo a reflexão do que senti ao ver o filme.
No início achei que se passava nas decadas de 20, 30 e por ai vai, devido a paleta de cores.
Com o passar da história notei que é atual e talvez a escolha da paleta de cores se refletia a tamanha dor e sofrimento.
Não vou entrar em detalhes com relação ao álcool e nem a doença, pois não acho que essa é a principal mensagem. Existia muita dor no padre, que inicialmente sua origem era das perdas pessoais, mas que depois se externam as dores do mundo quando conheceu o ativista.
O ativista era extremista, mas talvez ele sentisse demais, tamanha dor e os sofrimentos do planeta, tamanhas dores causadas pelo ser humano. Ativista que escolheu partir, por não suportar tamanha dor e destruição, considerando um parte planetária cega, avarenta e por ai vai....
E o padre foi tocado e um lindo despertar ocorre um uma cena incrível com a Mary.
O despertar de fazer parte do todo e enxergar Deus em todos os cantos, fazendo parte da criação (criando ou destruindo), enxergando toda beleza da criação, juntamente com todos os seres e elementos da natureza, misturado com a destruição causas pelo humano (desmatamento, poluição desde pequena a grande escala e por ai vai).
Despertar do padre, que só teve a certeza de não fazer sentido os dogmas da igreja, a forma como mostrava Deus as pessoas. Ele passou a enxergar a politicagem, ganância e poder da própria igreja, além de quererem impor sua própria verdade interpretada.
Fim doloso para o padre, mas de uma escolha, pois talvez já não via mais sentido em sua jornada, talvez não soubesse lidar com as questões e visões da igreja. Vejo que ele tinha fé e não só acreditava em Deus, como via em toda parte, mas a igreja se limitava a sua interpretação da Bíblia e dogmas. Ele passou a sentir muita dor pelo mundo e por ver humanos cegos querendo impor suas verdades. Vejo que ficou desacreditado e se uniu ao divino (a cena com Mary mostra o amor e a entrega ao divino), que acredito que tenha sido uma cena fictícia, representando o amor puro e a entrega ao divino, a criação.
Está e a minha visão. A história de um padre que se desprendeu de uma religião, pois não acreditava em Deus (mente) e sim ele podia ver Deus (coração) e seguia o caminho da religiosidade, espiritualidade.
Andre Filho
Andre Filho

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 6 de janeiro de 2020
RESUMINDO,UM LIXO ! Simplismente nao assistam . Entre os piores filmes que ja assisti,perdi meu final de domingo c essa bosta. Sim estou puto heheh
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