Se fosse pra descrever esse filme em uma palavra, essa palavra seria "intenso". Desde o início o filme tem uma trama que o deixa aflito e ansioso com sucessivos acontecimentos extremamente tensos e explosivos, ataques a todo o momento sofridos por submarinos nazistas ao comboio de 37 navios de cargas e tropas, liderado pelo destróier Greyhound comandado pelo Capitão Krause, interpretado por ninguém mais do que a lenda Tom Hanks, protagonista impecável. Todas as decisões têm que serem tomadas de imediato, qualquer erro pode levar ao fracasso e perdas de tripulantes não só de seu navio, mas como de todo o comboio. Eles têm apoio aéreo até certo limite, mas quando esse apoio chega ao fim, a tensão fica no ar, sozinhos com apenas quatro navios de guerra, terá que ser o suficiente por todas as batalhas travadas para a proteção de todos. Quem chegará ao outro lado do Atlântico, mesmo que danificado?
Sou fã incondicional de Tom Hanks, mas achei o filme "raso" demais. Falta enredo, contexto, e uma "pré estória" que culminaria na ação militar no Atlântico, como ocorre por exemplo, em Midway, onde várias estórias vão sendo costuradas até chegarem na grande batalha que houve no Pacífico, clímax do filme. Pareceu mais um documentário. Achei que ficou pobre. Para quem se encantou assistindo Hanks personificar o Soldado Gump, não atingiu a espectativa.
O que define Greyhound é uma trama curta dividida em mini capítulos, sem profundidade e ação breve. Um roteiro corrido com a necessidade de colocar os contextos por escrito para preencher a história, é uma combinação perfeita para falhar em dar background, criar apego com os personagens pelo mal desenvolvimento e ter um final melancólico para um filme de guerra.
A não ser pelas cenas dos combates navais, perfeitas nos aspectos da técnica cinematográfica, pouco se salva do naufrágio em que se transformou a obra. O roteiro é pífio, com aquele chavão ufanista norte-americano que é comum nos filmes dessa categoria. Tom Hanks, como Comandante do navio-capitânia, está irreconhecível, quase um canastrão com uma cara inexpressiva que serve pra tudo. Nada a ver com o Capitão protagonista do "O Resgate do Soldado Ryan" Para quem entende um pouco de estratégia de combate naval, as soluções de combate apresentadas pelo roteirista Hanks chegam a ser hilárias até para os leigos em estratégia naval. O produtor devia ter contratado um oficial combatente da Marinha para assessorá-lo, e este, em nome da credibilidade, certamente, mandaria Hanks alterar a biografia do Capitão Ernest Krause, interpretado pelo Tom Hanks, tirando dele essa condição de comandante da força-tarefa de 3 destroyers, incumbidos que ficaram de proteger 37 navios mercantes. O homem não tinha experiência alguma nessa função, visto que era essa a sua primeira comissão de comando. Muito inverossímel, porque a Marinha dos EUA jamais entregaria a um oficial tão calouro missão tão perigosa. O filme pode ser interessante para os que, como eu, já navegaram nos contratorpedeiros da classe Fletcher (tivemos 6 ou 7 desses na nossa Marinha), porque poderão reviver o excelente desempenho desse tipo de barco em mar revolto. Já os que nunca tiveram intimidade com navios de guerra, abandonarão o salão do cinema, enjoados da quantidade de tiroteio naval, vez que quase a totalidade da fita é só de combate no mar. Já aqueles que, mesmo sem intimidade com as coisas da Marinha, decidirem ir ao cinema para assistir ao filme de cabo a rabo, conselho de amigo: tomem um Engov antes de ingressarem na sala de projeção.
A atuação de Hanks dispensa comentários, é meu ator favorito. Mas o filme é mais um enlatado americano. Típico filme que o americano gosta de assistir, uma autopromoção americana. Mas pra quem gosta, não falta emoção.
Um filme que se passa em uma expedição marítima durante a segunda guerra mundial e se baseia em cenas de batalhas navais, as cenas são boas? sim. Porém elas se repetem durante todo o filme o que o torna extremamente repetitivo, falta algo mais para o drama, os sentimentos, as angústias e menos para explosões e coordenadas.
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