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Matheus Nobre Piovizan
2 críticas
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3,5
Enviada em 9 de maio de 2020
Não fosse o final do filme, seria decepcionante. De fato a conclusão durante o terceiro ato é quem elevou o patamar dessa obra. São minutos finais com tamanha emoção e sinceridade, com Fernanda Montenegro dando uma aula de atuação, que deixem qualquer expectador emocionado. O restante da película, no entanto, não agradou muito. Discordo em dizer que é uma obra para todos, pois não é. As atuações da dupla de protagonistas está incrível, um excelente trabalho sem dúvida. Gregório Duvivier conseguiu se desprender da sua aura cômica no começo, mas ao final do segundo ato o filme te induz a algumas risadas tendo como foco o personagem, isso não é de maneira alguma um defeito. De forma geral, é um filme difícil, lento, verdadeiro, com final que faz valer a longa caminhada. Praticamente um 2001 uma odisséia no espaço brasileiro e sem espaço.
A Vida Invisível é luminoso, mas não sei bem se a tropicalidade expressa é natural ou um apelo ao mercado internacional. Não vi essa exuberância natural nas duas irmãs, meninas de classe média urbana dos meados do século XX. Não há dúvidas que Carol Duarte é uma grande atriz, sensível e expressiva, mas a direção ou o roteiro, ou ambos, ou os três, incluindo a interpretação da atriz, não me pareceram delinear a personalidade de Eurídice: tímida ou corajosa? recata ou lasciva? apaixonada ou resignada? Se era para deixar essa penumbra na sua "vida invisível", talvez tenham conseguido, mas não estou certa. A irmã, por outro lado, tem uma personalidade linear e até previsível. Teria sido essa a ideia? Enfim, o filme tem seus méritos e seus buracos negros, e assume um brilho (esse sim, natural!) com a curta e marcante presença de Fernanda Montenegro.
O filme não passa de um bom dramalhão mexicano e nem de longe merece os elogios exagerados que recebeu da crítica. Até o momento é o ponto mais baixo na carreira de Karim Ainouz.
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