Eu, Tonya
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Gerson R.
Gerson R.

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4,0
Enviada em 6 de fevereiro de 2018
Por trás de manchetes de jornais, noticias de telejornais e as tradicionais fofocas entre as pessoas, geralmente, sempre existe um lado que ninguém conhece ou entenda – o intimo e o pessoal de uma pessoa é algo que talvez apenas ela compreenda – sendo assim, fui assistir este novo filme do diretor Craig Gillespie (A Hora do Espanto, Horas Decisivas) sem saber muito bem quem era Tonya Harding – e, à medida que a narrativa prosseguia, comecei a me lembrar (alguns “flashs” na memória) sobre o escândalo em que a ex-patinadora de gelo olímpica se envolveu em 1994 – sua história repercutiu no mundo todo, mas a única coisa que eu me lembrava (vagamente, porque eu tinha apenas seis anos de idade na época) eram as noticias e manchetes nos telejornais, sempre acusando a esportista.

Pois Eu, Tonya vem agora para mostrar o lado supostamente mais real e humano da história – que, ao contrário das abordagens televisivas e jornalísticas, realmente tenta explicar quem é a Tonya verdadeira, aqui interpretada por Margot Robbie (também produtora), na fase adolescente e adulta. Através de flashbacks, vários personagens envolvidos na história toda vão dando seus pontos de vistas e contando o que aconteceu, desde a infância de Tonya (interpretada aqui pela pequena McKenna Grace), quando sua mãe, LaVona (Janney), a coloca para treinar patinação no gelo – mesmo a menina tendo apenas quatro anos de idade – exigindo muito, em treinamentos exaustivos e realmente pesados – que vão remeter, obviamente, a um treinamento de lutador de boxe (há uma leve brincadeira com esse tipo de cena nos filmes do Rocky Balboa); sendo assim, Tonya se torna, com apenas quinze anos, uma das melhores patinadoras dos Estados Unidos, participando de vários campeonatos – mas ao iniciar um romance (que culminaria em um relacionamento mais sério futuramente) com Jeff (Stan) sua relação com sua mãe piora – as brigas entre mãe e filha começam a ficar mais violentas – verbal e fisicamente – mas, ao ir morar com Jeff, mal sabe Tonya que tudo ficaria ainda pior – fazendo com o que o comportamento e psicológico dela fiquem desestabilizados, principalmente quando uma concorrente surge e ameaça o lugar dela na equipe norte-americana que iria entrar nas olimpíadas de inverno.

Acertando em mostrar a narrativa como um documentário – reproduzindo entrevistas reais de forma muito parecidas com as originais, o diretor ainda se dá bem em usar em alguns momentos o recurso da metalinguagem, com os atores parando de atuar para explicar certos pontos de vista – isso é importantíssimo, principalmente nas discussões sobre os abusos que Tonya sofria de seu companheiro Jeff, se revelando um homem bastante inseguro, impulsivo e agressivo pela atuação fechada e contida de Sebastian Stan (o Buck dos filmes do Capitão América) – existem coadjuvantes que ainda impressionam, como amigo de Jeff, interpretado por Paul Water Hauser, que sofre por seu impulso em contar mentiras a respeito de seu passado e profissão – ele é um típico nerd que não sai de casa, mas diz a todos que trabalhou nas forças armadas – mesmo que seja um recurso manjado, é interessante ver como algumas caracterizações são idênticas aos originais através da inserção de imagens de arquivo televisivo ao final.

Mas, ao mesmo modo como Greta Gerwig faz em Lady Bird, o que movimenta e prende o arco dramático em Eu, Tonya se dá com a relação tempestuosa entre mãe e filha – enquanto Margot Robbie demonstra uma compenetração absurda e realista da evolução física e mental de Tonya – ajudada por maquiagens sutis, mudanças no penteado e até o uso de aparelho dental, em usos acertados da equipe de maquiagem e figurinos, também – temos também a atuação incrivelmente áspera e cínica de Allison Janney como LaVona, demonstrando a rigidez de uma mãe que pensa estar criando sua filha de uma forma que a faça forte no futuro, porém, sem ter um consentimento de que a falta da demonstração de amor poderia afetar negativamente Tonya – basta citar que o único momento em que realmente a relação das duas parece envolver algum sentimento bonito e emocionante, é cortado instantes após com uma revelação decepcionante – tal cena é realmente de cortar o coração, principalmente pela forma calorosa como Margot demonstra seus sentimentos – revelando como ela é um talento verdadeiro.

Tecnicamente muito bem criado, o visual do longa ganha pontos por uma fotografia clara e objetiva, revelando angulações fechadas nos momentos íntimos e movimentos de câmera muito bem ensaiados para as cenas de patinação, servindo para mostrar como Tonya se esforçava ao máximo em suas manobras no gelo – algo que lembra muito a maneira visceral que Darren Aronovsky mostrava os ensaios de ballet em O Cisne Negro – perdendo ponto aqui pelo fato de que, em certos pontos, fica evidente como Margot Robbie é substituída por alguma dublê, entre um take ou um movimento de câmera e outro – mas, ainda assim, servindo para mostrar toda a energia e fúria de sua protagonista – ajudada por uma montagem ágil para os momentos dialogados e tais cenas de competição – existe ainda um bom uso de músicas dos anos 80 e 90 para ajudar na exemplificação das passagens dos anos, auxiliando narrativa e montagem.

Dando uma visão bastante subjetiva para o incidente em que Tonya se envolveu (como ela mesma ressalta, “a parte que vocês vieram aqui ver”), o filme não é maniqueísta a ponto de julgar os certos e errados, fugindo desse moralismo barato e insistindo em apresentar os fatos para que o espectador possa (ou não) julgar sua personagem principal – assim como dos demais personagens que se envolveram no suposto atentado de atrapalhar a rival de Tonya.

Essa ênfase em mostrar um lado humano e verossímil de sua protagonista, transforma Eu, Tonya em um belo exemplo de biografia, que funciona exatamente por evitar o sensacionalismo barato que a impressa colocou em cima da ex-esportista – fazendo aquelas leves memórias minhas ganharem um novo sentido – um sentido, creio eu, mais justo e real do que a língua de jornalistas e noticiários interessados apenas em julgar a vida de alguém, com seus esforços e desavenças, que somente essas vidas poderiam entender ao certo o que as motivou, por atitudes impensadas e irracionais que qualquer ser humano poderia ter.
Poly S.
Poly S.

3 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 25 de janeiro de 2018
É um ótimo filme,e mostra como decisões ruins pode afetar a nossa vida de forma definitiva, apesar de ser o melhor trabalho de Margot Robbie na minha opinião ela não é a estrela do filme que é a atriz Alisson Jeanne que faz a mãe de Tonya ela dá um banho de interpretação e mereceu a indicação ao Oscar
Pedro H.
Pedro H.

6 seguidores 6 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de janeiro de 2018
Filme muito bem feito e editado. Belíssimas atuações. Essa história realmente merecia um filme, marcou a história das olimpíadas de inverno, fez todo mundo assitir. Gostei!
andersonweiser
andersonweiser

7 seguidores 10 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 17 de janeiro de 2018
A sempre lembrada Arlequina em seu melhor papel. Filme um tanto cômico, mas dramático, numa verdadeira tragicomédia da vida real. Aqui você encontra uma adaptação impecável das apresentações de patinação, personagens levados ao limite do exagero e uso de intertextualidade e conversas diretas ao espectador. Além de reafirmar até que ponto a sociedade e a mídia americana pode transformar ídolos em vilões e até mesmo em atração "de circo". Afinal, o show tem que continuar.
cinetenisverde
cinetenisverde

29.473 seguidores 1.122 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 13 de janeiro de 2018
Este é um filme sobre a história real de uma moça red neck que resolve enfrentar o status quo dos valores tradicionais americanos nas pistas de gelo. Tonya Harding patina bem pra c****, e parece que essa é a única coisa que as pessoas em volta de sua vida não percebem. Todos vivendo em torno de seus umbigos, Tonya é uma sobrevivente de uma infância de abusos, independente até a alma e buscando para sempre o reconhecimento. De qualquer um.

cinetenisverde.com.br
Nelson J
Nelson J

51.034 seguidores 1.978 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 8 de janeiro de 2018
Baseado na história da primeira patinadora no mundo a fazer um salto triplo em competição. Ela tinha uma mãe muito exigente, mas que a apoiava no esporte. Tonya acaba se casando com um homem cheio de conversa e que a agride com frequência, chegando até a atirar contra ela. Seu g~enio forte e agressivo, além de não corresponder ao padrão família americana atrapalharam sua carreira, mas o fim se deveu a uma agressão a uma concorrente, indiretamente atribuida a ela. Bom concorrente ao Oscar de emlhor atriz e atriz coadjuvante (Tonya e sua mãe).
Luiz Antônio N.
Luiz Antônio N.

30.873 seguidores 1.298 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 7 de janeiro de 2018
Acompanhe a vida da ex-patinadora no gelo Tonya Harding. Durante a década de 1990, ela conseguiu superar sua infância pobre e emergir como campeã do Campeonato de Patinação no Gelo do Reino Unido e segunda colocada no campeonato mundial. Porém, ela ficou realmente conhecida quando seu marido, Jeff Gilloly, e dois ladrões tentaram incapacitar uma de suas concorrentes quebrando a perna dela durante as Olimpíadas de 1994.

muito boa a história mas acredito que ela foi injustiçada Claro que ela teve participação mas ela não sabia das burradas que o marido fazia sei que o filme está concorrendo ao Globo de Ouro e possível concorrente ao Oscar vamos ver achei a história bem interessante
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