O Poder e o Impossível
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4,0
Enviada em 9 de dezembro de 2017
Este é um filme de sobrevivência baseado em história real? Mais ou menos. Eu diria que é mais um filme sobre amadurecimento. O ser humano em situações extremas pode se render ou bater mais forte. E o ex-jogador de hóquei Eric LeMarque tinha motivos de sobra para se render, mas por algum motivo seus motivos para bater mais forte duraram mais tempo. Tendo como estrutura algo próximo a 127 Horas (Danny Boyle, 2010), há flashbacks que aos poucos vão abrindo a história para o espectador. Pai abusivo, treinador incisivo. A infância e adolescência de LeMarque foram marcados pela síndrome do vencedor. Ele foi educado pelo pai para vencer sempre e pelo treinador para entender que o esporte que ele joga é coletivo, não individualista. Seu vício em drogas então é automaticamente entendido, e sua eventual queda. E cá estamos na neve. Ele está em recuperação isolado em uma cabana, mas é um completo idiota no que diz respeito à sobrevivência na neve. Ele comeria neve e ficaria desidratado. Fazendo snow boarding durante esses dias, pega um tempo ruim e vai pelo caminho errado. E o resto é o filme e LeMarque tentando sobreviver, entendendo suas decisões do passado para poder assimilar qual será sua decisão no presente: se render ou bater mais forte? O diretor Scott Waugh dá ao ator Josh Hartnett todas as oportunidades para demonstrar sua dor extrema em condições extremas. E ele consegue com louvor. Muito melhor que James Franco no filme de Danny Boyle. Josh não faz a criatura empática, mas por ser humano o espectador entende. Ele se sente nessa situação, sente que também sobreviveria e o espetáculo está pronto. Mas olhe o que Waugh faz em um determinado plano, super-detalhe, do rosto de LeMarque deitado: seus pelos no meio da cara congelada lembram pinheiros daquela paisagem na neve. O homem, próximo do final, está fundido com a natureza que o derrotou. Não esperaria ver esse quadro neste filme. Ele não é surpreendente, mas é muito bem feitinho.

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