Grave
Média
3,2
174 notas

26 Críticas do usuário

5
3 críticas
4
6 críticas
3
4 críticas
2
4 críticas
1
5 críticas
0
4 críticas
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
Anderson  G.
Anderson G.

1.369 seguidores 397 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 15 de maio de 2018
"Grave" O longa francês que fala sobre descoberta e sexualidade com uma abordagem metaforicamente visceral, o desejo e descobrimento pela carne em "Grave" é literal. A película conta a historia de uma jovem vegetariana que após passar por um trote da faculdade começa a ter desejos por carne, de preferencia, humana. O roteiro em uma primeira olhada parece simples, mas o mesmo possui muitas camadas e diferentes interpretações, alguns verão um filme de zumbi em um espectro reduzido, outros verão um filme de terror sobre canibais, outros um filme adolescente sobre vampiros, nenhuma interpretação é 100% errada, mas "Grave" não é um filme de gênero, ele se volta mais para um drama sobre juventude e descoberta, eu posso não gostar do caminho que o longa vai a partir do terceiro ato, mas é indiscutível que seu argumento é ótimo. Com uma fotografia extremamente azulada, e uma câmera na mão, tecnicamente, "Grave" é bom, se utiliza as vezes de câmera subjetiva, não exagera no Gore, é um filme pesado mas sem ser forçado, sua violência é completamente orgânica, seu ritmo pode pesar um pouco, mas é compensada pelas magnificas atuações de Garace Marillier e Ella Rumpf, que se entregam e vivem suas personagens intensamente, alem de uma boa trilha sonora, que combina e da um charme especial ao longa. Podemos dizer que o primeiro filme da promissora diretora francesa Julia Ducournau é um filme de terror, de zumbis, um filme sobre malefícios da hereditariedade, sobre família, sobre descoberta sexual, é um filme de múltiplas interpretações que passa longe da perfeição mas agarra o mérito de ser um ótimo filme.
Gerson R.
Gerson R.

83 seguidores 101 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 27 de julho de 2017
Quando se fala em filmes com escatologia, contendo sangue e vísceras voando para todos os lados, é bem fácil pendermos para o pensamento de que tais características evidenciam um filme de terror. Mas, psicologicamente falando, isso também reflete (e muito) a natureza dramática da existência do ser humano, se chocando com a tendência de muitas pessoas em causar danos a outros ou a si mesmo. Raw, roteirizado e dirigido pela francesa Julia Docurnau, ganhou certa fama em festivais pelo mundo a fora por ser confundido com um simples filme de terror – mas é uma obra disposta a ser muito mais do que isso.

Tendo em mão o tema do canibalismo, Docurnau tenta nos passar, de forma muito subjetiva (como toda boa arte também pode ser), uma história repleta de sensações e emoções que o ser humano costuma experimentar, mas tem vergonha de assumir – poderíamos facilmente trocar o canibalismo por “vicio” ou “compulsão” – ou até mesmo “drogas”, dependendo do caso. Ou “imposições”, já que muita coisa que vivemos hoje em dia é imposta a nós, como um sistema de ensino falho em avaliar a capacidade real de alunos – ou uma forma de inferiorizar ou superestimar algumas profissões – e falo de todos esses exemplos porque são abordados em Raw.

A história acompanha a jovem Justine (Marillier), caloura em uma universidade de veterinária, onde sua irmã Alexia (Rumpf) já está cursando o segundo ano do mesmo curso – que vem de família, pois seus pais (Preiss e Lucas) já são veterinários. Vegetariana (assim como seus pais) e insegura da vida no campus, Justine logo começa a ter problemas ao ingerir (forçadamente) carne animal durante um trote promovido pelos veteranos do curso. Começando por estranhas alergias na pele, logo a moça começará a demonstrar uma estranha compulsão por comer carne – e não só animal.

Raw, na verdade, é um grande estudo de comportamentos humanos e de personagens, em especial, é claro, a própria Justine e sua irmã – que, através de uma estranha relação, mostram suas diferenças em encarar o mundo e a vida – Alexia, vivida de forma áspera e fria por uma atuação misteriosa de Ella Rumpf, tenta passar para irmã como mudou sua forma de pensar e agir depois de ter saído de casa – Justine, vivida com uma timidez e olhar de curiosidade quase ingênuo pela eficiente Garance Marillier, expressa muito bem o choque ao ver o mundo da faculdade – com suas festas “clandestinas”, trotes (quase) violentos, imposições e implicações de professores e de bullying, de certa forma, principalmente quando os “sintomas” do canibalismo vão surgindo – que, ainda assim, não deixam o filme tão nojento como muitos estavam dizendo – passando longe de ser grotesco como Holocausto Canibal, por exemplo.

O roteiro também aborda a questão da sexualidade da jovem – virgem, ela tem em seu companheiro de quarto, Adrien (Oufella), que é homossexual, sua primeira atração sexual – é curiosa a maneira que a diretora aborda a relação (inicial) de amizade dos dois – aliás, com o uso de poucos diálogos nesses momentos, ela consegue causar uma estranha ligação entre eles, que se sentem, obviamente, um tanto deslocados no ambiente em que vivem – culminando, no talvez mais memorável momento do filme, que é justamente a cena de sexo entre os dois.

Com uma fotográfica bonita e inteligente, que utiliza tons azuis para momentos frios e tons fortes (com vermelho ou amarelo) para ressaltar perigo ou descoberta, lindamente usada na estranha (para não dizer quase bizarra) cena onde Justine descobre sua compulsão por carne humana, de fato – também há o uso de humor, em certas partes, sendo interessante para demonstrar como os temas que citei no inicio são vistos com deboche por parte da sociedade. O filme se beneficia também de um trabalho de som muito bom, evitando os habituais sustos fáceis com ruídos ou barulhos do nada – justamente por não se equiparar a filmes de terror convencionais.

Pecando apenas por mostrar a relação das duas irmãs com os pais de uma forma um tanto superficial – mesmo que tenha algum motivo para isso – o filme funciona como um retrato metafórico muito eficiente de certas atitudes do ser humano que nem sequer são notadas como errôneas – mesmo que a diretora Julia Docurnau não seja (ainda) um Lars Von Trier, capaz de inserir um clima tétrico e poético ao mesmo tempo, como no polêmico Anticristo – que também é um exemplar de terror usado para ressaltar algum drama mundano.

Enfim, o canibalismo é apenas o pano de fundo para exemplificar como o ser humano vive devorando tudo e todos com suas convenções, maldade infundada e a falta de humildade em reconhecer que está errado em certas atitudes ou pensamentos e, muitas vezes, deixando isso passar de geração para geração.
Daniel Novaes
Daniel Novaes

7.774 seguidores 873 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 26 de julho de 2018
Um filme visceral... exige uma boa dose de empatia para que se alcance o drama envolvido no horror da história. Belo final.
Eder Brito
Eder Brito

48 seguidores 119 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de outubro de 2017
Ta ai um filme que superou minhas expectativas.É o primeiro filme que vejo de Garance Marillier e ela se mostrou uma excelente atriz, seus olhos e suas expressões faciais falam muito!! O Filme além de sua camada superficial que mostra a historia de Justine que após experimentar carne pela 1x causa esse vício onde ela se controla para conter já é um bom filme e vale apena ser visto. Porém podemos encontrar algumas metáforas e interpretações por trás desse bom filme, como a menina que vive a "identidade" que os pais querem pra ela, podemos ver que as "escolhas" dela não foram dela, tanto da faculdade, como da alimentação. Hoje em dia existem muitos e muitos casos assim onde pessoas vivem para outras. Mostra sobre os (ridiculos) trotes de faculdades que expões os alunos ao ridículo...etc. Em fim é um filme que vale apena ser visto!! Recomendo para quem tiver estomago forte, há algumas cenas que pra quem se impressiona muito facil não é tão recomendada. a maquiagem ficou bem convivente.
Neto Gomes
Neto Gomes

3 seguidores 33 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 21 de abril de 2022
Uma soma de Hannibal + Clube da Luta e Somos o que Somos.
Após me apaixonar por Titane, resolvi adentrar as entranhas cinematográficas da diretora Julia Ducournau, e como sequência da refeição anterior, deparei-me com essa película, e novamente, saio empanturrado tal qual um banquete em Valhalla.
Além de todo o esmero das atuações, da direção de arte, fotografia, som e montagem, que mais uma vez são impecáveis, o que mais me fascina nos filmes da Ducournau é a multiplicidade de interpretações e alegorias que ela faz em suas obras, que vão das mais literais e ''superficiais'' as mais poéticas e profundas. Tende em vista isso, abaixo segue minhas 3 interpretações:
spoiler: 1- Superficial e literal: Resumidamente, é um filme de terror/suspense, onde podemos dizer que ambas as irmãs possuíam os ''genes canibais'' oriundos da mãe e que eventualmente poderiam acarretar na doença de Kuru (tal qual no filme Somos o que Somos), e que por mais que os pais evitassem ao máximo não despertar esse instinto, não foi possível negar a natureza das garotas. 2- Aprofundada: O filme é uma alegoria a competitividade social, que torna-se mais enfática durante a transição da fase juvenil para a vida adulta no processo de ingressão ao mercado de trabalho. Para aqueles que possuem o privilégio de cursar o ensino superior, isso começa a partir da graduação, pois seus colegas de curso serão seus concorrentes no futuro (já ouvi isso muitas vezes de professores), no filme, os veteranos obrigam aos recém-chegados a animalizar-se e servir aos mais experientes, formando uma verdadeira pirâmide social. Tal alegoria fica ainda mais evidente durante a conversa entre a protagonista Justine e seu professor, onde ele afirma predilar pelos alunos que de fato necessitam dele, do que ela, a aluna brilhante a quem eles devem se esforçar para ao menos si igualar e aqueles que não conseguem tal feito, desistem. É o famoso: ''Sair e matar um leão por dia''. 3- Psicológica: A obra é uma alusão ao desabrochar da vida afetiva/sexual, denotando o encontro da jovem altamente reprimida (Super-Ego) com seu lado mais animalesco associado ao sexo (ID), culminando no equilíbrio entre estas duas versões (Ego). Esse lado ID demonstrado no filme, denota possuir características altamente Borderline (Pessoas que amam demais), onde tal amor é externalizado através do canibalismo, é o famoso: ''Eu te amo tanto que dá vontade de ti engolir!'', isso é enfatizado no fato das irmãs devorarem Adrien (o amor secreto de Alexia e o deflorador da Justine) e muito bem evidenciado nas cena finais: A- Na visita a Alexia, que está presa, onde as irmãs demonstram as partes que uma devorou da outra e ambas demonstram carinho e afagam tais marcas; B- Na conversa entre Justine e seu pai, onde o mesmo revela as suas marcas causadas pela mãe (a Borderline da relação) ao longo dos anos.
Gabriel Carrijo
Gabriel Carrijo

1 seguidor 70 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 14 de dezembro de 2024
Trilha sonora top , atriz principal sexy , e boa fotografia, porém como não sou muito fã de desordem e bagunça e bebedeira e universidade com gente de baixo escalão dou um 4 , kkk
Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema
  • Melhores filmes
  • Melhores filmes de acordo a imprensa