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Ric Brandes
125 seguidores
102 críticas
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4,5
Enviada em 28 de julho de 2017
Indicada ao Oscar de melhor animação, A tartaruga vermelha superou todas as minhas expectativas. Um filme poético, dramático e profundo. Sem falas, explorando o som do mar, das ondas, do vento em uma história fantástica. Para quem curte filmes de naufrágios, esta animação certamente tocará seu coração. A história do náufrago perdido em uma ilha deserta, tentando se manter vivo e lúcido, é de tirar o chapéu! A cada cena, o espectador torce pelo personagem, acompanha seus dramas e dificuldades, ri e chora com ele. Ah sim, nosso herói tenta sair da ilha. De jangada. Clichê? Não! A partir daí, o filme foge dos padrões comuns do gênero e expande para uma história mágica, tocante, que cativa o espectador e provoca as mais variadas emoções. E, sem contar spoilers, a tartaruga vermelha é a estrela central deste filme, causando uma relação surpreendente com o náufrago. Não foi à toa que esta animação foi indicada ao Oscar, pois sua produção conjunta entre Japão, Bélgica e França traz o melhor de cada cultura e de seus sentimentos mais profundos. Para os mais sensíveis, o filme pode provocar lágrimas. Para quem ama o gênero de aventura e naufrágio, com toques fantásticos, vale assistir. Super recomendo!
Numa ilha deserta, o corpo de um homem semiafogado é deixado na areia após enfrentar a tormenta dum mar agitado. Desmaiado, é desperto por um siri do tipo maria-farinha que, com jocosidade, penetra sua calça surrada. O eco dum Robson Crusoé naufragado acorda assustado e espanta o crustáceo de sua vestimenta. Ele olha aos lados e já sabe: está solitário.
Na animação francesa, produzida pelo renomado japonês Studio Ghibli (A Viagem de Chihiro, “Tartaruga Vermelha” (La Tortue Rouge), o diretor Michael Dudok procura transmitir seu fascínio por histórias como o clássico de Daniel Defoe. No entanto, a narrativa sem falas está menos preocupada em desvendar formas de sobrevivência num ambiente desolado e mais no modo como um homem se sentiria e interagiria com a natureza ao seu redor.
Como dito, não há diálogos – apenas esporádicos gritos expressivos. O personagem é, então, um apátrida destituído de personalidade, o arquétipo de perdido, papel branco a ser preenchido pelas sensações do novo lar. A belíssima trilha de Laurent Perez Del Mar existe conforme o universo, o tempo, a fauna e a flora interagem em volta do herói. Nós, como espectadores, somos submetidos ao vai-e-vem das ondas, o farfalhar das folhas, ventos fortes, ecos, pipilar de albatrozes e ao movimento dos simpáticos siris – parentes daquele primeiro. Exploramos a terra junto com esse protagonista desorientado e conhecemos o mapa local dotado de floresta tropical de bambus, pedras litorâneas, vastas praias e infinito mar.
Passada essa fase, a segunda metade do longa assume tom de fábula quando nosso Crusoé conhece a personagem-título, uma mulher misteriosa com quem se relaciona. A partir daí pode-se relacionar a trama com alguns temas antes trabalhados em “Father and Daughter”, curta-animação do mesmo criador e vencedora do Oscar em 2011. Lá, Michael Dudok havia trabalhado intimamente com a relação de abandono entre um pai e sua filha. No longa-metragem, o diretor expande para o cosmo de uma nova família, formada na ilha. Vemos o surgimento dum lar e seu desmantelamento, conforme o primogênito amadurece. É íntimo e comovente.
“Tartaruga Vermelha” oferece uma narrativa poética que aposta em sentimentos, sons e imagens com arte caprichosa, além de fortalecer o drama da relação familiar. A animação em 2D, desenhada manualmente – com exceção das tartarugas marinhas digitais devido à enormidade de detalhes –, é dotada de uma paleta de cores harmoniosa e cheia de texturas. É um deleite para olhares atentos que prezem pela minuciosidade do paisagismo requintado. Michael Dudok é ilustrador de formação, não abdica do trabalho artístico e, por isso, garante com tanta legitimidade sua indicação no Oscar de Melhor Animação, assim como a merecida conquista do prêmio especial de júri na categoria Un Certain Regard (Um Certo Olhar) em Cannes 2016.
Esse é o primeiro filme não japonês produzido pelo famoso estúdio responsável por obras do mestre Hayao Miyazaki e não fica atrás das obras tradicionais. “Tartaruga Vermelha” presenteia seu público com uma linda e contemplativa animação, uma certa fuga da explosão de cores e artificialidade que Hollywood costuma submeter-nos. Há um respeito profundo pela natureza, exaltando a beleza da paisagem e oferecendo uma experiência empírica, mesmo que animada, dum lugar onde o ambiente é racional e tem personalidade.
É decepcionante ver gente sem noção vindo aqui e criticando essa EXCELENTE animação. Recomendo fortemente, o desenho é ótima qualidade (os movimentos, o desenho em si... tudo, enfim) e a história não é para ficar tentando entender muito, é para ver e se emocionar. Lamentável que algumas pessoas falem mal da história... É por isso que estamos do jeito que nos encontramos hoje no mundo.
Um desenho simples que foge das animações padrão Disney. Não possui diálogos e mostra a vida de um homem que foi parar numa ilha deserta após uma tempestade. Tem uma mistura de Náufrago, com A Lagoa Azul e um pouco de Lost, mas num geral é um pouco fraquinho. Fica sem sentido num determinado momento, mesmo tentando mostrar de uma forma bem peculiar o ciclo da vida.
Grande animação! Indicada ao Oscar, temos aqui uma animação muda com extrema qualidade técnica e sensível num roteiro redondo e que possui um desenvolvimento ótimo.
Uma obra da mais completa construção do que somos. Emocionante e cativante. Adorei. Recomendo. Filme para emocionar. A trilha sonora encaixou como luvas.
Muito bonito! Neste mundo hiper-conectado e de velocidade estonteante, os ciclos da vida e na natureza nos fazem refletir e repensar. Studio Ghibly mais uma vez nos apresenta uma animação de profunda sensibilidade e beleza.
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