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cinetenisverde
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4,0
Enviada em 15 de janeiro de 2017
O bom das crises financeiras é que aos poucos o mundo percebe como o sistema estatal, baseado no uso da força, é um sistema falido por definição. Ele não precisa de mais dinheiro, ele não precisa de mais controle. Ele precisa acabar. É através de trabalhos como esse em que é possível constatar que, mesmo que morrer de fome seja algo extremamente raro nos dias de hoje (pelo menos no mundo civilizado), ter sua dignidade esmagada é o preço que se paga por esse mundo. Valeu a pena?
De acordo com o trabalho de diversos autores especialistas no assunto, "A administração burocrática é a maneira mais racional de exercer o controle. A burocracia possibilita o exercício da autoridade e a obtenção da obediência com precisão, continuidade, disciplina e rigor." Se a ideia inicial parava por aí e tinha como meta colocar a casa em ordem, numa espécie de meritocracia, não se sabe, mas o capitalismo levou o conceito original às últimas consequências criando mecanismos quase intransponíveis com o objetivo de fazer com que cidadãos e cidadãs desistam de reivindicar seus direitos adquiridos tamanhas as dificuldades impostas através de idas e vindas sem fim até que se consiga preencher todas as suas estapafúrdias exigências. Em resumo, a burocracia é uma das mais devastadoras armas de manipulação e controle das massas. Rico não corre esse risco. Em caso de necessidade ele paga alguém pra fazer o trabalho sujo e estressante de passar pelo inferno burocrático, ele paga alguém pra fazer o trabalho.
Este é o tema do extraordinário "Eu, Daniel Blake". Extraordinário porque direção, atores, produção e edição funcionam como uma só peça onde não há furos ou deslizes, muitas vezes parecendo um documentário, tamanha é a integração com os personagens não deixando espaço para interpretações mas sim identificação emocional e existencial com os mesmos. Todos são brilhantes, desde os protagonistas Daniel Blake (Dave Johns) e Katie (Haley Squires) até os coadjuvantes como China (Kema Shikazwe) e Daisy (Briana Shann), a criança, filha de Katie, que rouba a cena por sua beleza estonteante e natural espontaneidade, demonstrando maturidade prematura exigida pela situação.
A direção de Ken loach é perfeita por deixar fluir com pouca ou nenhuma interferência o desempenho dos atores e o roteiro de Paul Laverty não tenta inventar dramas desnecessários além dos que já são evidentes. É uma crítica aberta e direta a um sistema social cruel, injusto e excludente que tende a piorar na medida em que os robôs são aperfeiçoados e tomam os lugares dos seres humanos.
Belíssimo filme; desconstrói uma visão romantizada de uma Europa humana e justa. A questão da exploração do homem pelo próprio homem também se mostra de forma contundente, especialmente nos momentos de desamparo dos personagens.
De um encantamento aterrador. Um filme simples, despretensioso e que consegue cativar do começo ao fim! A luta de um cidadão comum pelo mínimo necessário para a sua subsistência, uma batalha silenciosa pela dignidade.
Ken Loach sempre fez "filmes britânicos" com temática universal. Não é diferente em "Eu, Daniel Blake", uma emocionante crítica à burocracia e ao neoliberalismo que tudo privatiza e trata sob a ótica do corte de gastos, inclusive a saúde das pessoas. Um filme necessário no Brasil de hoje, guardadas as devidas proporções. Talvez por isso, ao final da sessão em que eu estava presente, alguém tenha puxado o grito #foratemer, seguido de aplausos, contrariando uma ou duas senhoras que afirmaram: "Tudo vocês problematizam!", tendo como resposta, inclusive, "leva o Temer pra casa, leva?".
Um dos melhores filmes que 2017 me trouxe, sem sombra de dúvidas. Essa obra retrata a realidade de um trabalhador que, após passar por um grave problema de saúde, recebe um laudo médico contestando que está inapto para trabalhar. Entretanto, embora os laudos periciais e médicos atestem essa triste realidade, o sistema da seguridade social de seu país, através dos "agentes de saúde" discordam, forçando-o a ingressar novamente no mercado de trabalho. Durante essa batalha para receber o que é seu por direito, Daniel Blake convive com uma família e pessoas próximas mostrando quem ele realmente é, um cidadão normal, contribuinte de seus tributos e bastante amoroso com o próximo, afinal ele trata as pessoas como humanos e não como cães ou números inseridos na tela de um computador. Eu, Daniel Blake é o filme para se apreciar e levar em consideração a realidade política e social do mundo, deixando de lado todos os preconceitos criados por visões políticas e passando a analisar a realidade humana do sistema.
Forte e singelo, na medida. Depois que terminei o filme fiquei pensativa e tive um sentimento de revolta e injustiça. É profundo e muito sincero, não tem como não se emocionar. Faz um tempo que já assisti e recomendo a todos!
Filme ruim e fraco onde o diretor seca clara sua posição política. Basicamente fala dos defeitos do sistema previdenciário britânico, queria eu ter esses problemas no Brasil. Não recomendo.
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