Christopher Nolan é um dos cineastas mais aclamados do momento, e não é à toa. Ele é
extremamente talentoso ao contar suas histórias, sempre com muito apelo emocional
evitando a pieguice, estudando o comportamento humano de maneira bastante interessante.
Sua filmografia não é unânime. Ele fez filmes excepcionais como O Grande Truque, O Cavaleiro
das Trevas, A Origem, Amnésia... Mas ele também fez filmes ruins como Interestelar, mas
sempre com muito estilo e apuro técnico. Aqui em Dunkirk ele imerge no mundo da guerra e
da luta pela sobrevivência. 400.000 soldados britânicos isolados que simplesmente querem
voltar para casa, e todo o árduo processo para que eles sejam resgatados. Muita dor, traumas,
heroísmo e instinto de sobrevivência. Tudo isso com um incômodo clima claustrofóbico, onde
o espectador se aflige com as cenas fechadas e o tiquetaquear de um relógio, que mais parece
uma bomba prestes a explodir, ou o sentir dos segundos restantes de vida. Visualmente é um
filme belíssimo, muito bem fotografado e tecnicamente perfeito. A narrativa é instigante e
muito bem feita, onde as histórias se interligam de maneira muito bem pensada. Os atores são
excelentes e têm atuações marcantes, com destaque para os veteranos Mark Rylance, Kenneth
Branagh, Tom Hardy e Cillian Murphy, além dos novatos Fionn Whitehead e até mesmo o astro
teen do One Direction, Harry Styles. Embora o filme não seja perfeito, até porque acaba caindo
no lugar comum, com alguns clichês e frases de efeito que soam meio over, é inegável a
reunião de talentos envolvidos, e o acachapante clima tenso apresentado pelo cineasta é, no
mínimo, atordoante. Vi no IMAX e recomendo que vocês façam o mesmo. Bom para refletir
sobre as mazelas da guerra e o impacto de todo o horror que ela pode causar. Pode não ser
nada efetivamente novo, mas nunca demais para ser discutido.