Nise - O Coração da Loucura
Média
4,3
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34 Críticas do usuário

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Paulo A.
Paulo A.

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4,0
Enviada em 3 de maio de 2016
NISE, GLÓRIA PIRES, ROBERTO BERLINER: PARABÉNS!
O filme é um documento soberbo de um tempo, de combate à apologias "científicas" que promoveram verdadeiros extermínios de seres humanos. Verdadeiros genocídios. O filme é um importante libelo para essa brasileira, reconhecida internacionalmente, responsável pelas mudanças nas terapias para os "loucos", como sempre foram pejorativamente e equivocadamente chamados os "clientes" como ela defendia em seu trabalho no hospital. É também documento de uma biografia de um ser humano que presa por suas convicções políticas e filiações partidárias, era dita "comunista", mas que ao sair da prisão, das possíveis privações, torturas físicas e psicológicas da ditadura do Estado Novo, voltou à ativa sem ódio, sem ressentimentos e foi cuidar de seus clientes. Ah, mas é mais que isso, é a soberba demonstração de como a arte e a terapia ocupacional são poderosas ferramentas para incluir, para incorporar, para "curar", sem a violência da fria ciência lastreada pelas máquinas de morte criadas pela tecnologia. É também, uma poderosa denúncia, de tempos não tão distantes, de práticas ainda reconhecidas nos dias atuais.
No campo da arte cinematográfica o filme é belo, forte, sem se recorrer às facilidades das cenas agressivas, escatológicas e da apologia da denúncia contra a violência. Não precisa. No limite do tolerável, traz o que é fundamental. A emoção e a reflexão sobre os diversos lados dos tratamentos preconizados para os infelizes atormentados da mente. Traz um soberbo, correto, no limite de uma interpretação que não promove o histriônico, sem, contudo ser fria e técnica ao extremo. Gloria Pires, mais uma vez coloca o seu ofício a serviço da arte, a serviço do conteúdo, a serviço de mostrar o personagem que é a maior e melhor coisa de tudo o que se mostra.
E, ainda no campo do filme, somos brindados ao final, surpreendidos positivamente com cenas documentais da própria Nise da Silveira. Isso é como podemos dizer, uma fortuna crítica. Não conheço o diretor, vou pesquisar, saber de outros trabalhos. Confesso ignorância. Mas a direção é soberba. As cenas nas salas e páteos com os "loucos" soltos são de difícil elaboração, mesmo com atores profissionais, que emprestam seu corpo, corações e mentes para desempenhar os verdadeiros clientes.
O roteiro se prende ao essencial, não precisamos saber muito mais sobre o passado da doutora. Apenas que quando ela chega ao hospital e vigorosamente bate da porta de aço, um muro de aço que esconde nas masmorras do hospital as diatribes medicinais que ali se cometiam, já entendemos que aquela mulher está voltando, para realizar um trabalho que foi interrompido. A política, sempre a política infelicitando, obstaculizando, quando a sua missão na verdade é justamente o contrário. Ajudar pessoas, mas nem sempre é assim. Vejam como utilizam a política hoje, no mundo, e em particular em nosso País!
É um filme, não apenas para doutores da loucura, não apenas para iniciados estudantes da mente, mas para cada um dos seres humanos que sabemos, todos temos um pouco de loucura em nossas atormentadas vidas! Bravos! Parabéns! Paulo Antunes (E-mail: pauloantunes@uol.com.br )
Bader
Bader

11 seguidores 64 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de abril de 2016
O filme constitui uma excelente obra cinematográfica, pelo exímio trabalho de caracterização dos personagens e pela carga dramática. Mas assume ainda maior relevância por tratar-se de episódios reais, da luta de uma mulher inovadora buscando novas terapias para a abordagem da "loucura".
Kamila A.
Kamila A.

7.940 seguidores 816 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 9 de maio de 2017
Para tentar compreender o caminho percorrido pela médica psiquiatra Nise da Silveira, é necessário entendermos a pessoa que ela foi. Militante do Partido Comunista Brasileiro, passou 18 meses presa, durante a Intentona Comunista, após ser denunciada pela posse de livros marxistas. Depois de ser libertada, por razões políticas, viveu oito anos no exílio, ao lado do marido, o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, ao mesmo tempo em que foi obrigada também a se afastar do serviço público.

O filme Nise: O Coração da Loucura, dirigido e co-escrito por Roberto Berliner, acompanha o momento em que Nise da Silveira (Glória Pires) retorna do exílio e volta ao serviço público com o trabalho desenvolvido no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, localizado no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Quando Nise retorna ao trabalho, a realidade que ela encontra é completamente diferente da que ela conhecia, na medida em que se tem a popularização de técnicas agressivas aos pacientes, como a lobotomia e o eletrochoque.

O que Nise da Silveira oferecia aos seus clientes (ela se recusava a chamar os internos do Centro de pacientes) era a oportunidade de eles terem um tratamento mais humanizado. Por isso mesmo, foi perfeita a decisão do então diretor do Centro Psiquiátrico, Dr. Nelson (Zé Carlos Machado), de colocá-la à frente da Seção de Terapêutica Ocupacional - mesmo ele achando que estava, na realidade, punindo-a pelo fato de ela se recusar a praticar as novas técnicas com os internos. Foi ali que Nise desenvolveu uma técnica pioneira, criando ateliês de pintura e de escultura, nos quais os clientes portadores de esquizofrenia podiam entrar em contato, novamente, com suas realidades e encontravam uma maneira criativa de se expressar.

A história de Nise da Silveira nos é retratada de uma maneira muito bonita pelo diretor Roberto Berliner. É tão bom ver relatos assim, de pessoas que acreditam no amor como uma maneira de transformação e de cura. Nise, ao tratar seus clientes como os seres humanos que eles eram, merecedores de confiança e de compaixão, pôde dá-los a oportunidade de se reconectar com o mundo em que eles estavam inseridos, com os laços que eles tiveram com pessoas amadas e com as lembranças que os tornaram os indivíduos que eles são; e que, um dia, eles perderam.
Marcio A.
Marcio A.

165 seguidores 134 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de julho de 2016
Nise, é um filme de qualidades. Feito com simplicidade e com atuações interessantes, a garra de Gloria Pires impressiona muito, principalmente porquê não considero uma atriz versátil; mas confesso que este paradigma quebrou-se assim que a protagonista se coloca numa discussão na cena dos eletrochoques. E daí pra frente ela dá um show!!! Os planos muito bem explorados através do abandono, das más condições do âmbito e da simplória e incômoda fotografia, durante o decorrer da película são muito bem concatenados com a força da história e a entrega de todos os atores envolvidos. Emociona, edifica, provoca e ainda intima o espectador a uma insustentável reflexão, diante de uma mulher que ajudou a revolucionar o engessamento de idéias retrógradas que foram com o tempo confrontadas e ganhando força cronologicamente. Um pequeno grande filme que merece aplausos. Marcio Arruda
Marco G.
Marco G.

540 seguidores 244 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 1 de maio de 2016
Cinema nacional em alto nível, mostrando o trabalho inovador desta médica psiquiátrica na década de 60.
Érico S.
Érico S.

4 seguidores 40 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de abril de 2017
O filme é excelente por várias razões: conta uma história real de uma brasileira genial, à frente de seu tempo, e o faz de maneira cativante; mostra de forma inteligente, como uma mulher conseguiu de fato se sobressair e vencer os desafios do machismo, sem aquele mi-mi-mi e por méritos legítimos; foca o quão primitivas e desumanas eram as práticas psiquiátricas em pleno século XX, ou seja, há poucas décadas; dá uma palhinha, breve pincelada na relevante obra de Carl Gustav Jung, mestre de Nise e pai da psicologia analítica.
Murilo Dias
Murilo Dias

4 seguidores 43 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 11 de maio de 2019
Glória Pires, traz de volta a vida Nise da Fonseca pouco conhecida pela maioria dos brasileiros. Ao longo do filme o sentimento que se recebe é de respeito a imagem da médica, que com diversas atividades tenta ajudar aqueles que eram considerados incuráveis. Os personagens são totalmente diferentes e de características próprias, o que acaba chamando mais ainda a atenção para o filme.
TITO
TITO

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4,5
Enviada em 12 de janeiro de 2018
Uma história realmente interessante, o jeito como ela ignorou as pessoas naquela época, sob tudo os homens, num tempo em que a mulher engatinhava para conseguir seus direitos, e igualdade perante a sociedade.
Alisson Nogueira
Alisson Nogueira

3 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de maio de 2016
A alagoana que enfrentou os reacionários e proporcionou aos "clientes" psiquiátricos um tratamento digno.
Marines F.
Marines F.

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 13 de janeiro de 2018
Consegui criar coragem pra assistir a este filme, impossível não me emocionar. Perdi um irmão fazem quatro anos, ele era esquizofrênico, esteve internado varias vezes em hospital psiquiátrico, muitas vezes tomou eletrochoque, e por diversas vezes frequentei estes hospitais. Revivi estes momentos, momentos de muitas lágrimas. Parabens pela atuação de todos os atores, magnifico.
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