O filme ainda ganha 2,5 porque a história é interessante no fim, pois logo você percebe que algumas coisas fazem sentido:
como o fato de o prato da menina não ter macarrão e de Davi não tê-la servido; os diálogos entre as duas meninas só acontecerem quando elas estavam perto de Davi e longe das outras pessoas; no balanço, a fantasminha só ficava na frente, como se fizesse alguma pirraça, o que provavelmente contribuiu para a queda e o ferimento.
Enfim, alguns trechos foram construídos de modo ok. Mas acredito que, no todo, a história não ficou bem amarrada.
Eu, sinceramente, não classificaria esse filme como “terror”. Sou fã de filmes de terror, sejam psicológicos ou não, e esse filme não te deixa tensa em momento algum, praticamente. Falta aquela adrenalina que sentimos ao ver um filminho de terror.
Os -2,5 vão para: a sonoplastia, que parece ter perdido o momento exato para dar ao menos um pouco de suspense; as atuações, que estão bem forçadas em algumas ocasiões — até mesmo a do ator principal (Bruno Garcia, que particularmente considero um bom ator), que pecou no excesso de expressões faciais em algumas cenas, deixando-o bastante caricato.
A cena em que Davi (Bruno Garcia) está sentado à beira do lago e o padre chega tentando entender o que ele faz ali, e quando Davi responde que viu ele (o caseiro), o padre — que já sabia da história e acreditava nela — faz a triste pergunta: “Quem?”… nossa, essa parte chega a ser constrangedora, é aquele tipo de pergunta de tolerância zero.
Outra cena que ficou bem artificial é quando o assistente do professor já chega abrindo a maçaneta da porta de uma casa que ele nem sabe a quem pertence; ele não bate — o que naturalmente alguém faria —, apenas vai chegando.
E aquela senhora, que deve ser a mulher que revelou que havia uma entidade naquela fazenda, acabou tendo um papel inútil no fim das contas. Em cena, a coisa mais interessante foi ter acendido um interruptor. E aqui, nesse momento do interruptor, caberia um som interessante que nos faria tremer, mas perderam completamente o feeling.
O acidente de carro foi patético também: eles pareciam andar a 20 km por hora, bateram e demoraram um século para acordar.
A cena inicial do fogo também ficou bem artificial. Faltou sutileza ali.
Se não houver parte 2, o filme termina com alguns buracos na história.
.: Sobre um comentário acima que força uma “teoria de classe”, em que, na falta do empregado, a irmã teria precisado “servir” como empregada, isso não faz o menor sentido. Na vida real, na maioria das vezes é um parente que acaba cuidando dos órfãos mesmo. Além disso, o caseiro faleceu quando o patriarca ainda era apenas um menino e no fim das contas o caseiro não havia se rebelado como induz o comentarista.
Essa foi a minha impressão final sobre o filme.