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Danilo A.
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5,0
Enviada em 17 de novembro de 2016
O filme realmente retrata a essência de um relacionamento homossexual e como a sociedade (inclusive nos dias atuais) reagem/procedem com a essa relação. O filme tbm é extremamente emocionante, com um enredo ótimo e uma direção artística perfeita. Sem contar com a bela atuação dos atores.
Filme baseado em uma história real, narrada por um dos protagonistas, "Tim" (Timothy Conigrave) em romance autobiográfico. Sensível e extremamente emocionante, nos mostra seu relacionamento com John (John Caleo) durante 15 anos, começando quando ambos estavam no Ensino Médio. Tudo bem até aqui, mas este não é apenas mais um filme sobre a homoafetividade, a intolerância e o preconceito, simplesmente porque o intervalo de tempo em que ele transcorre (do final dos anos 70 até meados dos anos 90) tem a riqueza e a peculiaridade de partir de uma época em que ainda vigorava na Austrália, onde se desenvolve o enredo, a "Lei anti-sodomia", herdada do Império Britânico para chegar aos levantes de jovens e luta pelos direitos civis LGBTs naquele país. Também é a época em que começaram a ser relatados os primeiros casos de AIDS e que ainda não haviam sido desenvolvidos medicamentos eficientes para controle da doença: o diagnóstico de HIV estava quase sempre atrelado a um atestado de óbito, como acontece efetivamente com ambos os protagonistas. Com reações absolutamente inesperadas, como a do padre Jesuita que dirige o colégio em que ambos estudam e que decide ignorar tanto a carta de amor escrita por Tim quanto a reação dos professores em relação ao casal e ainda os alerta que para ter uma posição firme frente à sociedade é necessária cultura e conhecimento (instrução), ou a do pai de John que resoolve decidir a sucessão (herança) e detalhes do funeral do próprio filho, antes mesmo que este tenha efetivamente ido a óbito, o filme surpreende por preservar o amor e a cumplicidade que uniu este casal por uma década e meia e por não cair jamais no clichê, no estereótipo ou na caricatura. Todos aqueles que de fato amam ou já amaram compreenderão a imensa dor e o vazio experimentado por Tim diante da morte de John. É uma dor existencial que chega a nos proporcionar desconforto físico. Recomendo o filme não apenas a todos os interessados nas temáticas da homoafetividade e de pessoas vivendo com HIV/AIDS como também a todos que se interessam pelo amor!
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