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Segundo longa do diretor islandes Grímur Hákonarson Ovelha Negra nos conta o drama cômico de dois irmãos Gummi (Sigurður Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson) separos por 40 anos de divergências e que são obrigados a viverem como vizinhos criadores de ovelhas. Grímur com um olhar quase documental registra as agruras desses ressentimentos e a possibilidade de um acordo quando seus rebanhos se veem ameaçados por um vírus. Um drama familiar aguçadíssimo com a realidade da Islândia onde falar de ovelhas é uma deixa para falar de homens, como disse o próprio diretor.O final vislumbra uma redenção com um imensa carga emocional. Fábula minimalista sobre a resistência de um pequeno país insular.O longa ganhou o prêmio principal da mostra Un Certain Regard do festival de Cannes de 2015. Imperdível.
Um drama SEM IGUAL! E não digo isso por ser o melhor já visto até hoje, mas pelo enredo diferente que o diretor (e roteirista) Grímur Hákonarson (quem?) nos presenteia de forma precisa! Quem deseja assistir algo realmente diferente, pode apertar o "play"! Não é sobre desilusão amorosa, não é sobre doenças em humanos, não é sobre vingança, não é sobre perder bens, não é sobre corrupção seja qual for. Oxi, sobre o que é então? Sobre um povoado na Islândia, com foco em dois irmão..... Incrível! Passamos a conhecer uma outra cultura e seus hábitos, dificuldades (como a solidão) e apreciamos toda a beleza da paisagem do local (mesmo sendo um ambiente hostil). Por mostrar os costumes, é apresentado uma narrativa leeeeenta, mas crível e cativante. Confesso que toda a trama me comoveu mais devido à lembranças pessoais (o estilo europeu, a dificuldade entre os irmãos e a vontade de morar fora da cidade grande), mas atrevo em dizer que é sim uma boa escolha. No arco final, certo acontecimento já é de se esperar e seu desfecho fica a critério do espectador (e pode não agradar, eu mesmo esperava algo.....diferente) e é incrível como sempre torcemos pelo melhor, independente da situação. A atuação do elenco está de parabéns, pois suas caras e bocas trazem certo humor (mesmo que sarcástico) e comove quando necessário. E a Trilha Sonora? Cada vez mais gosto do som das sanfonas (olha o sangue português falando alto) e aqui ela eleva o gênero dramático, trazendo boa (e única) música aos ouvidos de quem aprecia tais melodias de filmes. Desta vez, é no título original que temos dois nomes, um em inglês e outro na língua nativa (Rams e Hrútar). Agora, sobre os protagonistas, todo "mistério" envolvendo os dois.....bom, melhor chamar a Dana Scully e o Fox Mulder (do seriado ARQUIVO X e música tema tocando ao fundo) para resolverem, pois em qual família não existe uma "ovelha negra" que gosta de causar?...
Excelente. Retrato belíssimo sobre uma pequena e pacífica sociedade na Islândia, toda organizada em torno da criação de ovelhas. A relação entre 2 irmãos vizinhos q não se falam há 40 anos é evidenciada a partir de um concurso e de uma doença nos animais. Preciso, econômico, desfecho intenso e sem barulho. Premiado em Cannes.
Esse filme cria uma dualidade bem curiosa entre ovelhas e criadores de ovelhas. Vivendo em um vilarejo minúsculo, onde mulher não é algo fácil de se achar, a história dos dois irmãos que são vizinhos e não se falam por quarenta anos evoca a questão de que ovelhas estamos falando, e qual delas é negra.
Após um longo tempo sem grandes reformulações no cinema nórdico desde os filmes mudos do início do século, a década de 50 trouxe um renascimento para o cinema daquela região - especialmente na Suécia, mas em toda a Escandinávia - pela criatividade de diretores como Bergman e Dreyer, aliada a beleza das paisagens rurais e urbanas, explorando temas como o melancolismo, amor e o sentido para a vida, através de dramas que se tornaram verdadeiros clássicos da Sétima Arte. Após o marcante Dogma 95, os anos 2000 trouxeram liberdade e amadurecimento para que os países da região estabelecessem seu cinema nos mais diversos gêneros, como terror e comédia. E um dos países que mais desenvolveu a comédia como gênero principal do seu cinema foi a Islândia, através de filmes como ‘The Icelandic Dream’ (2000) e ‘Bjarnfreðarson’ (2009).
‘A Ovelha Negra’ é o segundo filme do diretor islandês Grímur Hákonarson, que conta a história de dois irmãos vizinhos, Gummi (Sigurdur Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson), que vivem em um vale isolado na Islândia e são tradicionais cuidadores de ovelhas, como a maioria dos habitantes daquela região. Logo descobrimos que os irmãos não se falam a incríveis quarenta anos e participam como rivais de um Festival que premia a melhor ovelha do vale. Mas a situação entre os dois fica realmente insustentável quando Gummi acusa a principal ovelha de Kiddi de estar com “scrapie” - uma doença infecciosa e contagiosa, neurodegenerativa que leva os animais ovinos e caprinos (mais suscetíveis) à morte. Todo o vale entra em pânico pela gravidade da acusação e se preparam para decidir se sacrificam todos os animais da região, e isso também aflora a rivalidade entre os dois irmãos, gerando ainda mais animosidade na sua relação.
O roteiro escrito pelo próprio Hakonarson é de uma sutileza muito agradável. De forma paciente, as ações e diálogos comedidos dos personagens vão dando as informações que o espectador precisa para compreender o que se passa na história, sem exageros ou didatismo, aguçando mais a curiosidade e o interesse pelo filme. Além do drama que é a história em si e de situações cômicas utilizadas em alguns momentos, essa escrita paciente adiciona à trama um tom de mistério, que agregado ao clima inóspito e "branco" do inverno islandês, remete a clássicos como ‘Fargo’ (1996), por exemplo. Quem pensa que uma simples história de dois irmãos cuidadores de ovelhas não tem nada a oferecer, precisa refletir mais sobre isso, pois através de uma estrutura bem montada e que vai revelando aos poucos a trama ao espectador, o diretor consegue passar a bela mensagem que queria, sendo capaz de gerar uma grande resposta emocional na plateia no final das contas.
A fotografia do norueguês Sturla Brandth Grøvlen é excepcional e funciona muito bem dentro do contexto do filme, deixando claro ao espectador o local onde a história se passa, as características daquela população, seus hábitos peculiares, tornando os personagens "reais" dentro do filme. Sturla já havia ficado conhecido recentemente pela fotografia do filme ‘Victoria’ (2015), que é todo filmado em apenas um plano de 2 horas e 14 minutos! Após o ótimo trabalho em ‘A Ovelha Negra’, o jovem cinematógrafo desponta como um dos mais promissores profissionais europeus a se observar daqui para a frente. Todo o elenco também tem uma contribuição sensacional, passando verossimilhança ao filme, com destaque para o protagonista Gummi (Sigurdur Sigurjónsson), que consegue compor um personagem claramente incomodado com algo no passado, mas aparentemente aberto a uma reaproximação, embora não faça a mínima ideia de como conseguir isso. Além do trabalho de direção de arte que é excelente também, vestindo adequadamente os ambientes como celeiros, casas e a própria caracterização dos personagens.
‘A Ovelha Negra’ foi o candidato islandês ao Oscar, mais ficou de fora dos cinco indicados finais - e tinha totais condições de ser estar presente, diga-se de passagem - embora já tenha feito sucesso ao ser premiado no Festival de Cannes. Hakonarson sabe como explorar a paisagem cinematograficamente, utilizando planos bem abertos do cenário exótico da região e explorando bastante a profundidade de câmera quando possível. A utilização do ambiente remoto e frio melhora ainda mais a experiência de ver o filme e serve como analogia para a relação entre os dois irmãos, solitários e impassíveis com relação ao externo de suas próprias vidas, embora sempre ligados pelo (óbvio) parentesco, pela vizinhança que dividem, e pelo gosto e amor aos mesmos animais, as ovelhas. Ou seja, por mais que queiram se esquivar um do outro, a convivência entre eles é inevitável. Talvez o único "defeito" no filme, esteja no ritmo um tanto arrastado da história, que requer do espectador um pouco mais de paciência, mas como a duração do filme não é longa (1 hora e 33 minutos), isso não chega necessariamente a incomodar. Para quem procura ser surpreendido com uma bela história, é um excelente filme, que mescla drama, humor e mistério na medida certa, e ainda é capaz de emocionar.
‘A Ovelha Negra’ é o segundo filme do diretor islandês Grímur Hákonarson, que conta a história de dois irmãos vizinhos, Gummi (Sigurdur Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson), que vivem em um vale isolado na Islândia e são tradicionais cuidadores de ovelhas, como a maioria dos habitantes daquela região. Logo descobrimos que os irmãos não se falam a incríveis quarenta anos e participam como rivais de um Festival que premia a melhor ovelha do vale. Mas a situação entre os dois fica realmente insustentável quando Gummi acusa a principal ovelha de Kiddi de estar com “scrapie” - uma doença infecciosa e contagiosa, neurodegenerativa que leva os animais ovinos e caprinos (mais suscetíveis) à morte. Todo o vale entra em pânico pela gravidade da acusação e se preparam para decidir se sacrificam todos os animais da região, e isso também aflora a rivalidade entre os dois irmãos, gerando ainda mais animosidade na sua relação.
O roteiro escrito pelo próprio Hakonarson é de uma sutileza muito agradável. De forma paciente, as ações e diálogos comedidos dos personagens vão dando as informações que o espectador precisa para compreender o que se passa na história, sem exageros ou didatismo, aguçando mais a curiosidade e o interesse pelo filme. Além do drama que é a história em si e de situações cômicas utilizadas em alguns momentos, essa escrita paciente adiciona à trama um tom de mistério, que agregado ao clima inóspito e "branco" do inverno islandês, remete a clássicos como ‘Fargo’ (1996), por exemplo. Quem pensa que uma simples história de dois irmãos cuidadores de ovelhas não tem nada a oferecer, precisa refletir mais sobre isso, pois através de uma estrutura bem montada e que vai revelando aos poucos a trama ao espectador, o diretor consegue passar a bela mensagem que queria, sendo capaz de gerar uma grande resposta emocional na plateia no final das contas.
A fotografia do norueguês Sturla Brandth Grøvlen é excepcional e funciona muito bem dentro do contexto do filme, deixando claro ao espectador o local onde a história se passa, as características daquela população, seus hábitos peculiares, tornando os personagens "reais" dentro do filme. Sturla já havia ficado conhecido recentemente pela fotografia do filme ‘Victoria’ (2015), que é todo filmado em apenas um plano de 2 horas e 14 minutos! Após o ótimo trabalho em ‘A Ovelha Negra’, o jovem cinematógrafo desponta como um dos mais promissores profissionais europeus a se observar daqui para a frente. Todo o elenco também tem uma contribuição sensacional, passando verossimilhança ao filme, com destaque para o protagonista Gummi (Sigurdur Sigurjónsson), que consegue compor um personagem claramente incomodado com algo no passado, mas aparentemente aberto a uma reaproximação, embora não faça a mínima ideia de como conseguir isso. Além do trabalho de direção de arte que é excelente também, vestindo adequadamente os ambientes como celeiros, casas e a própria caracterização dos personagens.
‘A Ovelha Negra’ foi o candidato islandês ao Oscar, mais ficou de fora dos cinco indicados finais - e tinha totais condições de ser estar presente, diga-se de passagem - embora já tenha feito sucesso ao ser premiado no Festival de Cannes. Hakonarson sabe como explorar a paisagem cinematograficamente, utilizando planos bem abertos do cenário exótico da região e explorando bastante a profundidade de câmera quando possível. A utilização do ambiente remoto e frio melhora ainda mais a experiência de ver o filme e serve como analogia para a relação entre os dois irmãos, solitários e impassíveis com relação ao externo de suas próprias vidas, embora sempre ligados pelo (óbvio) parentesco, pela vizinhança que dividem, e pelo gosto e amor aos mesmos animais, as ovelhas. Ou seja, por mais que queiram se esquivar um do outro, a convivência entre eles é inevitável. Talvez o único "defeito" no filme, esteja no ritmo um tanto arrastado da história, que requer do espectador um pouco mais de paciência, mas como a duração do filme não é longa (1 hora e 33 minutos), isso não chega necessariamente a incomodar. Para quem procura ser surpreendido com uma bela história, é um excelente filme, que mescla drama, humor e mistério na medida certa, e ainda é capaz de emocionar.
Alguns filmes além de nos presentear com uma experiência cinematográfica belíssima ainda nos permitem ampliar a nossa visão de mundo conhecendo um pouco da cultura de outros povos. No longa-metragem islandês Hrútar (no original) ou A Ovelha Negra (em português) somos apresentados ao país do fogo e do gelo e agora também das ovelhas! Do gelo por se situar junto ao Círculo Polar Ártico, com as suas numerosas geleiras, de onde correm inúmeros rios, do fogo por ser o país que possui a maior quantidade de vulcões ativos, além dos gêiseres e das fontes de água quente, e das ovelhas por lá existirem mais ovelhas e carneiros do que seres humanos.
A história é um drama existencial. Em um vale isolado na Islândia, Gummi (Sigurður Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson) vivem lado a lado, dedicando-se às suas ovelhas, que carregam uma linhagem antiga no país. Embora compartilhem a terra e o modo de vida, eles não falam um com o outro há 40 anos. Logo após um concurso anual de melhor carneiro, uma doença infecciosa e neurodegenerativa fatal é descoberta em um dos carneiros de Kiddi, colocando todo o vale sob ameaça. As autoridades estabelecem que a região ficará sob quarentena, decidindo abater todos os animais na área para conter o surto. Esta é quase uma sentença de morte para os agricultores, cujas ovelhas são a sua principal fonte de renda. Como a comunidade local só vive em função da criação desses animais, muitos fazendeiros optam por abandonar as suas terras, mas Gummi e Kiddi não desistirão tão facilmente. Com as autoridades fechando o cerco para evitar que a contaminação se alastre, os irmãos terão de se unir para salvar sua longeva e premiada linhagem de ovelhas, além deles próprios, da extinção.
Em seu primeiro longa-metragem de grande expressão o diretor e também roteirista Grímur Hákonarson constrói, com muita habilidade, uma trama envolvente, de narrativa lenta e enfoque psicológico-emocional. Progressivamente o espectador vai sendo cativado pela história e pelas dificuldades dos dois personagens protagonistas, sejam elas de convivência ou de sobrevivência. O clima de tragédia presente no filme aumenta conforme o inverno se aproxima e aqui temos que ressaltar o ótimo trabalho do diretor de fotografia Sturla Brandth Grøvlen. Com a utilização de muitos planos abertos, acompanhamos sem dificuldade a trajetória dos personagens e as difíceis condições que enfrentam. Contemplamos a belíssima e peculiar paisagem de uma região que sai de um ambiente vibrante e de tonalidade verde para outro branco e seco, de aparência inóspita e isolada, onde a presença do frio intenso e da neve retratam a solidão e o exílio. A trilha sonora pontua todo o filme, ficando cada vez mais melancólica com a mudança de estação.
A ovelha negra é um filme sobre a relação do homem com os animais, com o seu habitat e com o seu eu interior. Mais do que perder as condições de vida e de trabalho, perder suas ovelhas significa perder a sua identidade, o seu modo de vida, perder a essência daquilo que o faz ser o que você é.
A história é um drama existencial. Em um vale isolado na Islândia, Gummi (Sigurður Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson) vivem lado a lado, dedicando-se às suas ovelhas, que carregam uma linhagem antiga no país. Embora compartilhem a terra e o modo de vida, eles não falam um com o outro há 40 anos. Logo após um concurso anual de melhor carneiro, uma doença infecciosa e neurodegenerativa fatal é descoberta em um dos carneiros de Kiddi, colocando todo o vale sob ameaça. As autoridades estabelecem que a região ficará sob quarentena, decidindo abater todos os animais na área para conter o surto. Esta é quase uma sentença de morte para os agricultores, cujas ovelhas são a sua principal fonte de renda. Como a comunidade local só vive em função da criação desses animais, muitos fazendeiros optam por abandonar as suas terras, mas Gummi e Kiddi não desistirão tão facilmente. Com as autoridades fechando o cerco para evitar que a contaminação se alastre, os irmãos terão de se unir para salvar sua longeva e premiada linhagem de ovelhas, além deles próprios, da extinção.
Em seu primeiro longa-metragem de grande expressão o diretor e também roteirista Grímur Hákonarson constrói, com muita habilidade, uma trama envolvente, de narrativa lenta e enfoque psicológico-emocional. Progressivamente o espectador vai sendo cativado pela história e pelas dificuldades dos dois personagens protagonistas, sejam elas de convivência ou de sobrevivência. O clima de tragédia presente no filme aumenta conforme o inverno se aproxima e aqui temos que ressaltar o ótimo trabalho do diretor de fotografia Sturla Brandth Grøvlen. Com a utilização de muitos planos abertos, acompanhamos sem dificuldade a trajetória dos personagens e as difíceis condições que enfrentam. Contemplamos a belíssima e peculiar paisagem de uma região que sai de um ambiente vibrante e de tonalidade verde para outro branco e seco, de aparência inóspita e isolada, onde a presença do frio intenso e da neve retratam a solidão e o exílio. A trilha sonora pontua todo o filme, ficando cada vez mais melancólica com a mudança de estação.
A ovelha negra é um filme sobre a relação do homem com os animais, com o seu habitat e com o seu eu interior. Mais do que perder as condições de vida e de trabalho, perder suas ovelhas significa perder a sua identidade, o seu modo de vida, perder a essência daquilo que o faz ser o que você é.
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