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Aurelio Cardoso
82 seguidores
97 críticas
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4,0
Enviada em 4 de janeiro de 2015
Um ótimo filme policial francês do inicio dos anos 70, com diretor e elenco de primeira e que na época de seu lançamento na França, bateu recordes de bilheteria. Dirigido pelo cultuado diretor Jean Pierre Melville, nos traz uma trama policial séria, polêmica e um jogo de xadrez entre três gângsters. O estilo de Melville e seus filmes policiais tiveram grande influência no cinema de Tarantino e Michael Mann e seus marginais heróis amorais e taciturnos.
Corey (Alain Delon) acabou de sair da prisão. Com um dinheiro emprestado compra um carro. Depois de parar numa área de serviço, ele percebe que há alguém no porta-malas. Uma cena sensacional descreve esse encontro casual: o homem escondido no porta-malas é Vogel (Gian Maria Volonté), um fugitivo a quem a polícia está dando a caça. Os dois planejam fazer um roubo a uma joalheria de Paris, junto com a ajuda de um ex-policial (Yves Montand) que trava uma luta pessoal contra o alcoolismo . O detetive Mattei, que deixou fugir Vogel, se encarrega do caso. Produçaõ italo-francesa de 1970 com roteiro e direção de Jean- Pierre Melville, "O círculo vermelho" é uma historia sobre encontros casuais, solidão, o destino que escolhe a direção e ao qual os personagens não têm como escapar. Tudo isso envolvido numa trama policial inteligente e intrigante. Inesquecível a cena do roubo, onde a tensão é altíssima: uma cena de 20 minutos de silêncio interrompido por apenas uma fala na metade. Os três personagens principais são interpretados magnificamente: através de longos silêncios, poucos diálogos essenciais e uma grande expressividade, conseguem comunicar tudo com grande clareza e profundidade. Obra prima do gênero, "O círculo vermelho" é um clássico que merece ser conhecido e apreciado pelas novas gerações de cinéfilos e pelos não tão novos que o deixaram passar despercebido.
Geralmente, quando não tenho interesse pelo enredo do filme ou o considero confuso, eu o descarto. Os filmes de Melville, por serem cativantes, me deixam fascinado pela história. Com Le Cercle Rouge não é diferente. Há, sim, coincidências que fazem a história avançar, mas isso não chega a ser um problema grave, então eu relevo. Inclusive, posso interpretá-las como algo sugerido pelo ditado inicial. É uma característica de Melville mostrar a confiança não verbal entre os personagens, e isso é feito com maestria. Não parece forçado devido à proposta de os personagens viverem em seu próprio mundo. Gosto de como a história é focada em figuras masculinas que seguem seus códigos de honra e geram consequências fatais. Por sinal, as atuações são bem convincentes. O roteiro não é muito complexo, mas exige que o espectador reflita e chegue a uma conclusão plausível sobre o que está acontecendo. A trilha sonora foi muito bem utilizada para não entediar o telespectador, considerando que é um filme atmosférico e lento. Apesar da duração, não senti que fosse maçante.
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