Que Horas Ela Volta?
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4,5
1833 notas

346 Críticas do usuário

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Ana A
Ana A

20 seguidores 37 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 14 de novembro de 2015
A cena de abertura de Que Horas Ela Volta? revela como será o andamento da história durante boa parte da película, o carinho entre a serviçal e o pequeno Fabinho transcendente a barreira social e a rejeição e falta de compreensão de uma filha que se sente abandonada pela mãe no nordeste.

A intimidade entre o Fabinho e a empregada da família, Val, é sincera, ele não a ver como uma simples empregada em sua casa, ela é sua amiga e confidente, mas mesmo com esta intimidade, é notável que a empregada de longa data não é vista como membro da família pelos integrantes da casa.

A segregação de Val dentro da casa é bem clara, a divisória da cozinha para os outros ambientes da casa deixa explícito qual é o seu lugar, ela também não pode desfrutar dos prazeres oferecidos pelo local e tem o seu pequeno quarto, quente e abafado, como local de descanso. A atriz e apresentadora Regina Casé transmiti de uma forma bem suave a ingenuidade da Val, que nos faz simpatizar com a personagem e torcer para que ela perceba a situação na qual se encontra.

Um dos pontos chaves, que mostra o quão Val é ignorada, é na festa de aniversário de sua patroa, os convidados não tomam conhecimento de sua existência e a ignoram completamente, os únicos que sentem a sua presença são o Fabinho e seus amigos, revelando o quão presente ela é em sua vida.

A chegada de Jessica, sua filha, abala o cotidiano e o ambiente da famíliar. Inicialmente, há o velho preconceito disfarçado de piadinhas inocentes e a desconfiança, Val e a filha não têm um bom relacionamento e ao ver a forma como mãe é tratada na casa, aumenta ainda mais o atrito entre as duas, Jessica não compreende como ela pôde ser “trocada” por uma forma de subsistência em uma casa que não pertence a sua mãe.

E a indignação de Jessica é compreensível, ela enxerga o que nós enxergamos, a forma como a família trata a sua serviçal é ultrajante porque nós percebemos que ela nunca será parte daquele universo por mais que ame aquelas pessoais incapazes de se levarem para pegar um copo de água.

A forma como a diretora Anna Muylaert nos expõe a esta realidade é algo incrível, com uma forma seca e ao mesmo tempo sutil, nós conseguimos perceber que a realidade das empregadas domésticas é paralela a uma realidade de fantasias vividas por pessoas de classes mais privilegiadas e descobrir este universo e ver como ele é impactante na vida das pessoas envolvidas é desolador.

Que Horas Ela Volta? é nos apresentado no momento mais oportuno possível, nós presenciamos uma espécie de revolução nos direitos trabalhistas das empregadas domésticas e este filme nos faz perceber o motivo, abdicar de sua vida e bem mais precioso é sacrificante e nada mais justo do que reivindicar uma compensação por algo que, em muitos casos, é irrecuperável.
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 895 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 12 de outubro de 2024
Apesar de ser bem acolhido, essa obra acabou ficando de fora da premiação do oscar de melhor filme estrangeiro. Uma pena, pois apesar da década de 2010, o tema do poder doméstico ser bastante debatido no cinema sul-americano, esse em especial merecia no mínimo uma indicação. O que faz desse filme de Anna Muylaert especial é ter pego a comédia característica brasileira e jogar bem com a crônica social. Devemos ainda destacar a excepcional atuação de Regina Casé como Val, que interpretou uma emprega que trabalhava há anos para uma mesma família da elite de São Paulo. Val por sua vez, não vê a sua filha, que mora em Recife. há 10 anos e a mesma acaba reencontrando a sua mãe em São Paulo pelo motivo de ir tentar prestar vestibular na mesma cidade Tal encontro transforma numa revolução entre classe dentro do casarão em que Val trabalha. A atuação de Regina foge do estereótipo nordestino e de Camila Márdila (Jéssica, a filha de Val) que foge de uma simples atuação de uma adolescente problemática, e sim para um interiorização da indignação e não aceitação da sua realidade e da a da sua mãe. A direção do filme soube explorar bem os cômodos da casa (quarto, cozinha, piscina etc), além dos diálogos que permite observar com clareza a distinção entre as classe inseridas no filme.
Gabriela Santos
Gabriela Santos

23 seguidores 452 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 13 de novembro de 2024
A produção é uma grata adição à dramaturgia brasileira. O filme possui um roteiro bem feito, boas atuações e um enredo cativante, que emociona e transmite uma sensação de proximidade com as protagonistas.
Isabelle
Isabelle

15 seguidores 67 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 5 de setembro de 2015
É uma experiência genial, para quem assiste cinema e considera essa diversão uma coisa séria, ver um filme no qual tudo funciona, resultado da competência e da sensibilidade. "Que horas..." tem uma história realista, simples e comovente, contada por meio de um roteiro eficiente, no qual o grande risco de replicar estereótipos foi afastado pelo carinho presente na construção dos personagens e pela habilidade de fazê-los ganhar vida, sem se tornarem clichês ou frutos de pernósticas leituras pós-modernas.
O filme trata de gente e isso é tão fundamentalmente bonito que emociona. Ouvir Val-Regina, declamando suas frases, cheias de afeto e sabedoria, nos faz mais humanos. O filme faz bem a alma, principalmente nessa época no qual preconceitos e estupidez parecem encontrar solo fértil para frutificar. Parabéns a todos que nos orgulharam fazendo um filme tão brasileiro...
Phelipe V.
Phelipe V.

510 seguidores 204 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 28 de agosto de 2015
Não é uma novidade filmes que dividem o Brasil em dois e expõem as diferenças sociais ainda existentes num país que passou, nos últimos anos, por uma transformação de classes tão evidente. Os exemplos são enormes. Que Horas Ela Volta? veio para integrar essa lista e acrescentar um pouco mais de substância à ela, e não só por focar em um lado que é bem marginalizado no cinema que costuma chamar aqueles conhecidos como "O público", mas também por ser um filme feito por mulheres, e cercado delas, de todos os lados, e todas elas competentíssimas. Na mesma via, é certo que esse filme não existiria, e se existisse, não seria visto da mesma forma, 15/16 anos atrás.

Muyalert, nossa querida diretora E roteirista, encabeça um trabalho cheio de sutilezas e pontos cruciais para entendermos uma relação arcaica entre o empregado e o patrão, colocando como protagonista uma personagem que representa muitas. Val é sábia por ter vivido e é inocente por também ter vivido, na mesma medida. Uma mulher que foi criada de uma forma, e cresceu num mundo em que lhe foi muito bem explicado qual o seu papel: inferior, feita para servir aos patrões e cumprir sua função sem jamais questionar. Daí que o roteiro, depois de introduzi-la com brilhantismo, insere um terceiro elemento na trama, Jéssica, sua filha que vem do interior para estudar para o vestibular, e tem que ficar com ela na casa dos patrões, cuja personalidade petulante e questionadora coloca sempre em cheque os limites da relação empregado-patrão.

Regina Casé está de outro mundo no papel da protagonista. Ela incorpora regionalismos e mais regionalismos nos quais podemos perceber em diversos momentos que trata-se de um improviso, e não roteiro. E não arrasa só na comédia, mas pega forte no drama, e principalmente naquilo que ela consegue fazer melhor: expressar-se, seja de forma verbal ou não-verbal, uma vez que as caras que a mãe acaba fazendo para cada atitude, segundo ela, impensada, da filha diz não só uma coisa, mas várias. Aliás, me surpreende o sucesso internacional do filme diante do número de piadas genuinamente brasileiras que me deparei aqui. Mas ainda bem que foi compreendido à sua maneira por eles.

Talvez esse ambiente não seja familiar a todos os espectadores, mas a habilidade com que Muyalert nos insere nele, fazendo com que recobremos diversas cenas observadas no nosso próprio dia-a-dia que fazem a situação-mãe do filme se tornar absolutamente real, é de se aplaudir. E parece fácil, como na cena em que, enquanto Jéssica come um sorvete com o patrão, Val se retorce de medo e aversão àquilo na cozinha; ou quando Bárbara manda esvaziar a piscina depois de ver a filha da empregada usufruindo de um luxo que pertence a ela; ou mesmo quando Val compra um presente para a patroa, que na verdade é para ela própria utilizar - e a forma com que o presente ecoa no ato de "roubo" de Val no final do filme é lindamente dolorosa. Talvez more nesse ponto o único grande defeito do filme pra mim: a figura dos patrões, mais especificamente de Bárbara, cujas atitudes são tão levadas ao limite que acabam por vilanizar demais a personagem, tornando-a um tanto quanto unidimensional.

Coisa que nem Val, nem Jéssica são. A primeira, simbolizada numa cena linda em que ela, após confortar Fabinho pelo fracasso do menino, recebe um telefonema da filha e apenas faz comemorar, cheia de si e completamente sem noção do ambiente ao redor, o sucesso da garota. A segunda, nas sequencias em que, assustada com o assédio do patrão da mãe, se desespera com a ideia de voltar para aquela casa, mesmo perdendo todo aquele luxo, demonstrando o tamanho de ego e personalidade de "presidente da república" (sic) que carrega em si. E são dois perfis que dizem muito sobre um conflito de gerações que cada vez mais se manifesta no país. Dá pra aprender muito olhando mais a fundo por aqui. Ou do lado de lá da cozinha. Ou do lado de cá da cozinha.

"- Você se acha superior a todos eles, anda por aí se sentindo melhor que todo mundo!
- Eu não me acho superior, eu só não me acho inferior a ninguém."
Cid V
Cid V

271 seguidores 668 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 10 de novembro de 2021
Val (Casé) é empregada na casa da família do casal Bárbara (Teles) e Carlos (Mutarelli), uma mansão no Morumbi. Ela mora com a família desde que o garoto que irá prestar o vestibular, Fabinho (Joelsas), era criança. Certo dia, recebe ligação da filha que não vê a dez anos, Jessica (Márdila), dizendo que está indo para São Paulo prestar vestibular e pretende morar com ela...

Mais em: https://magiadoreal.blogspot.com/2021/11/filme-do-dia-que-horas-ela-volta-2015.html
Enilson S.
Enilson S.

149 seguidores 167 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 12 de janeiro de 2016
É um filme muito bom que faz nos colocar no lugar da personagem principal e ver a realidade e as diferenças sociais, que mesmo que o mundo tenha evoluído muito ainda existem, é muito bem construido e vale muito a pena.
#NetoUlrich
#NetoUlrich

58 seguidores 93 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 15 de dezembro de 2017
um dos melhores filmes brasileiros que ja assisti.

a historia eh muito boa.

eh uma realidade brasileira.
Pati Lima
Pati Lima

43 seguidores 84 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 24 de novembro de 2015
Esqueçam a Regina Casé do programa global (ainda bem!), é muito diferente de suas atuações até aqui, ela é ótima. O filme é muito bom, um tapa na cara da sociedade, bem feito, faz refletir. Entendo após assistir porque foi tão comentado e a luta pela disputa no Óscar! Finalmente um filme brasileiro digno de ser lembrado na disputa (pois claro, temos filmes bom sim, mas para este prêmio tem que ter algo a mais, e "Que horas ela volta?" tem!). Parabéns a toda equipe, o tipo de filme que você sai da sessão e continua refletindo na simbologia e detalhes tão importantes do filme e dia a dia.
Leandro A.
Leandro A.

21 seguidores 65 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 19 de setembro de 2015
Eu assistir o filme, para mim e um dos melhores filmes. Engraçado na hora certa , piada excelentes e não forçadas drama de congela a pele na medida certa ,até mesmo uma simple despedida de um garoto com a Val é uma coisa tocante , o melhor e que mostra a realidade do brasil a desigualdade social, temos a chata uma mulher que humilha os pobres que está excelente no papel ,que nos passar a expressão correta ,o filho que foi sempre criado pela empregada e não gosta da mãe um bom ator ,o marido apaixonado pela filha da empregada ,ator mais ou menos a Val por algum segundo me perguntei regina você é uma otíma atriz porquê esquenta meu deus .regina casé impercável não mudo nada , eu quero essa empregada! ,dá um show de comédia ,drama ,papel,emoção a cena da piscina perfeita ,uma das melhores cenas do cinema e a filha da Val gostei muito dela perfeita ,dá toque de emoção ,uma atriz comum futuro pela frente adorei e linda.Só o final que não gostei muito não é pela historía mas,sim como termina ,mas não tira o brilho e o glamour desse filme , merece o oscar #oscarbrasil regina casé melhor atriz e não faça o esquenta porfavor .
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