Falar que “Baby Driver é um novo tipo de comedia musical é mais clichê que falar que Edgar Wright só faz filme bom, pois é, ambos são clichês, mas ambos são reais, Edgar acerta em cheio com seu novo longa, com cenas de ação excelentes, ótimo elenco, ótima direção e um trabalho primoroso de mixagem e edição de som. O roteiro beira as loucuras de “Velozes e Furiosos”, temos situações incrédulas, soluções simples, e motivação falha, mas em “Baby Driver”, o roteiro é algo meio secundário, a ação também é, tudo isso é quase uma desculpa para fazer um videoclipe único de duas horas. Temos a historia de Baby(Ansel Elgort), um jovem que tem um talento incrível, dirigi um carro como ninguém, e acaba por dever favores para um mafioso, que o acaba utilizando como piloto de fuga para seus assaltos, mas no meio do caminho ele se apaixona e tenta se livrar de suas ameaças. É interessante que mesmo um filme que pode ser considerado um musical, um romance, uma comedia e uma ação, contem imensos simbolismos, como o fato de Baby precisar ouvir musica pra não ouvir o zumbido em seu ouvido, e como se Baby abafasse sua consciência com musica ficado sujeito a qualquer coisa, ou como a vestimenta de Baby e de Debora(Lily James) passam sempre um ar de algo nostálgico e do passado, como se seu amor fosse algo clássico, ou uma paixão antiga, e Edgar deixa isso bem claro em pequenos flames simulando uma paixão que se passa nos anos 50, ou até mesmo o fato do personagem de Jamie Foxx sempre ter que se vitimizar para poder justificar seus crimes, ou o espelho que tem com o personagem de Jon Hamm, a onde o mesmo era um corretor da bolsa e agora é bandido, como se não houvesse diferenças. Edgar, mesmo sendo um diretor voltado pra comedia tem um cuidado primoroso na parte técnica de seu filmes, e esse seu ultimo longa não foi diferente, até o som da bala dos tiros tinha sonoplastia, até o andar dos personagens se alinhavam ao ritmo da musica, é um cuidado extremo, sua edição de som é boa, mas sua mixagem é espetacular- Concorrente serio de Dunkirk ao óscar da categoria- mas outros aspectos também são notórios, como o ângulo das câmeras nas cenas de ação, que mesmo não sendo muito inovadoras, se utilizam de uma montagem absurdamente boa, ou melhor, toda a montagem do filme é muito boa e Edgar sabe como usar a câmera, planos aéreos, planos abertos, planos fechados, 360, mudança de quadro, um incrível, lindo e maravilhosos plano sequencia e até um duelo de olhos no melhor estilo Sergio Leone, não podemos deixar de citar também sua boa e eclética trilha com mais de 30 musicas e sua fotografia urbana. Ansel Elgort está ótimo como Baby, entende seu personagem como ninguém, sabe ser triste, brabo e indiferente, Jamie Foxx e Lily James também estão muito bem, Keven Spacey imponente como sempre, e Jon Hamm está maravilhoso interpretando seu apaixonado e psicótico Buddy. Precisamos ficar de olho em Edgar Wright, e não é de onde, principalmente agora que o diretor faz seu primeiro trabalho em Holywood, correndo o risco de ter seu estilo questionado por grandes produtoras ou cortado por showrunners, mas nada disso acontece, “Baby Driver” segue seu estilo e todas as características dele estão presentes, Edgar é um diretor extremamente novo que tem muita contribuição a dar para o cinema ainda e esse seu ultimo lançamento apenas prova isso.