Boi Neon
Média
3,5
144 notas

27 Críticas do usuário

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Adriano Côrtes Santos
Adriano Côrtes Santos

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4,0
Enviada em 1 de dezembro de 2024
Boi Neon (2015), dirigido por Gabriel Mascaro, é uma obra cinematográfica que mistura sensualidade, brutalidade e poesia. O filme retrata a vida de Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro do Nordeste brasileiro que trabalha em vaquejadas, um esporte tradicional de rodeio, enquanto nutre o desejo de se tornar estilista. A trama se desvia da expectativa de um drama sobre vaqueiros para se tornar uma reflexão sobre masculinidade, identidade e transformação social.

O longa, que foi aclamado no circuito internacional, incluindo o Festival de Veneza, onde recebeu o Prêmio do Júri na seção Horizontes, é visualmente impressionante. A cinematografia de Diego García captura com precisão a áspera paisagem nordestina, com um olhar que equilibra o físico com o poético. O ambiente é retratado de maneira visceral, e o filme explora o corpo de uma forma tão crua quanto transformadora.

Em termos de temas, Boi Neon toca em questões de desejo e aspiração de maneira metafórica e sensual. A ideia de Iremar sonhando com a moda enquanto trabalha com os bois cria uma desconexão entre o homem e o meio em que vive, algo que reforça os dilemas de identidade e classe. A presença de Maeve Jinkings como Galega, uma mulher complexa que mistura sensualidade com realidade cotidiana, também traz um equilíbrio no elenco.

No entanto, o filme não se encaixa facilmente em um gênero específico. Ele não se concentra apenas no aspecto físico das vaquejadas, mas se arrisca em explorar camadas mais profundas do ser humano, suas vulnerabilidades e sonhos. Apesar disso, a lentidão de certos momentos pode afastar alguns espectadores que buscam uma narrativa mais direta.

Boi Neon é uma meditação visualmente rica sobre as tensões da masculinidade, as aspirações artísticas e o sofrimento silencioso que permeia a vida no campo. A direção de Mascaro e a performance de Cazarré fazem do filme um estudo cinematográfico fascinante, ainda que desafiador. Ele pode não agradar a todos, mas oferece uma experiência única, feita para aqueles que buscam profundidade no drama contemporâneo.

A obra é recomendada para quem aprecia filmes que desafiem a norma e busquem representar a realidade de uma maneira menos convencional.
Bader
Bader

11 seguidores 64 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de janeiro de 2016
Bom filme. A opção por planos longos, sem cortes e quase sem edição, reforma o tom realista e intimista do filme. Apresenta uma realidade pouco conhecida, dos bastidores do trabalho duro das exposições rurais e dos rodeios. Cazarré demonstra seu grande amadurecimento como ator. Cabe destacar a excelente qualidade do som captado no local, o que demonstra a melhoria técnica do cinema nacional.
Celso F.
Celso F.

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4,0
Enviada em 27 de janeiro de 2016
Boi Neon é um filme a ser assistido como a apresentação de uma ideia do que como a resolução de um conflito ou drama do seu herói. Não existe, podemos assim dizer, uma desordem pessoal a ser resolvida pelo protagonista, interpretado muito bem pelo ator Juliano Cazarré. A desconstrução de elementos tradicionais de um roteiro típico de cinema também está presente na proposta do longa-metragem.

Pode ser considerado um filme de arte. Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão... Mas é muito bom de assistir, por causa do roteiro com falas divertidas e a interessante história de um vaqueiro que sonha em trabalhar com moda. Daí, se você espera a redenção do rapaz, esquece. Os sonhos são sonhos, nada mais!

O grande trunfo do diretor Gabriel Mascaro é o de propor um filme com belas imagens e fotografia, revelando as contradições do mundo: o vaqueiro costureiro; a mulher motorista de caminhão e mecânica; o boiadeiro de cabelo longos e com chapinha; a mulher de cabelos enrolados; a fábrica moderna na aridez do sertão; a riqueza dos leilões de animais diante da pobreza dos vaqueiros; a imagem do manequim quebrado junto com o esterco de boi; o banho vigoroso e nada sensual dos boiadeiros; o perfume de marca num atoleiro de fezes de animais; a longa transa com a segurança grávida (e que vende perfume)... E por aí vão as cenas controversas e que vão mexendo com as nossas construções maniqueístas.

Por tudo isso, Boi Neon é surpreendente, mesmo depois da tela escurecer e a gente ficar esperando mais alguma explicação. Fiquei com aquela sensação de anti-clímax, já que estamos sempre esperando que tudo-que-eu-quiser-O-cara-lá-de-cima-vai-me-dar. Assim, para os personagens sonho é sonho, realidade é realidade. Ponto final e vamos tocar a vida. Não dá para ficar sonhando acordado.

Boi Neon vale a pena ser assistido pelas belas imagens, o texto divertido e as provocações do diretor. Ah!,também para quem queira ver muitos nus frontais do Cazarré. Mas, não recomendo para quem espera grandes dramas e prefere filmes fáceis e elaborados dentro daquela receitas prontas de roteiro.
Aridelson O.
Aridelson O.

2 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 15 de janeiro de 2016
Uma produção que desmistifica o estereótipo do nordestino e de gênero. Destaque para Alyne Santana como Cacá, que garante leveza e boas risadas com naturalidade, Juliano totalmente nordestino e sem pudor. Perfeito, recomendo.
João L.
João L.

3 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 11 de janeiro de 2016
Um nordeste que discute gênero e sua falsa binaridade.
Zeramos a representação do que é o Nordeste no cinema brasileiro.
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