Começar a crítica de um filme falando de um ator é para poucos. Ou o ator está impecável ou o filme é fraco. Pois bem, nesse caso as duas afirmações se fazem verdadeiras. Primeiramente vamos falar de Fabio Porchat e sua genialidade. Que ele é o nome do humor brasileiro na atualidade é incontestável, afinal ele é carismático, inteligente, engraçado e tudo que você quiser. Mas que ele consegue levar um filme nas costas poucos acreditam. Meu Passado Me Condena 2 é feito para Porchat brilhar. Claro que Mia Mello é a parceira perfeita mas sem ele o filme beira o tédio.
Agora para creditar a segunda afirmação feita anteriormente basta ter assistido o primeiro filme da série. Poucos aspectos se diferenciam. Sim, eu sei que o filme é em Portugal mas o roteiro e as piadas são as mesmas, a diferença é que dessa vez a diretora teme errar e aposta todas as fichas em Fabio, detalhe: essa tática é antiga no cinema brasileiro, vale lembrar os filmes do Didi, da Xuxa, e do velho-novo Leandro Hassum.
Eu sei que me refiro ao ator como se tivesse algum tipo de intimidade. Não, eu não o conheço, mas ir no cinema ou no Teatro Frei Caneca é como tomar café com ele e rir de suas histórias. É notável que na sala de cinema todos se sentem parte de sua família e torcem por ele.
Pois bem, essa torcida se deve pelo fato do Fabio e da Mia estarem numa crise de relacionamento, o casamento chega num ponto em que a convivência e as responsabilidades de um vida juntos encobre o amor que um sente pelo outro. É interessante notar que o relacionamento deles é uma visão muita clara da vida de muitos jovens e adultos do século XXI, em que as responsabilidades, o trabalho, as contas, o transito, e o stress tomam conta do seu dia a dia.
Por esse motivo a história se passa em Portugal, numa pequena vila onde esses aspectos da vida urbana parecem não existir. Porém o filme deixa evidente que os problemas sempre existirão, os relacionamentos sociais são assim, afinal somos pessoas diferentes que tem visões de mundo diferentes.
Por último gostaria de ressaltar a crítica escancarada ao machismo enraizado nas culturas. Mesmo sendo um filme em que a peça central é o ator, Porchat, a maior crítica do filme fica por conta das cenas da atriz, Mia, que pode até não convencer na atuação mas fez muito bem o papel da mulher moderna. Assistam e deem muitas risadas com o passado desse casal apaixonadamente louco.