Uma coisa é avaliação do trabalho cinematográfico. Outra coisa é a resposta à pergunta: "Deus morreu?".
Muitos filmes apresentam as ideias mais variadas e temáticas até absurdas. E não é por isso que deixam de serem bons filmes. Um trabalho cinematográfico, antes de mais nada, é uma arte, não um projeto acadêmico ou pesquisa científica. Algumas críticas são constrangedoras, especialmente essa crítica vinda do especialista do "AdoroCinema". Deram 1 estrela por isso? E o roteiro, não conta? Direção? Produção? Trilha sonora? Elenco? Direção de fotografia? Nada disso conta? Isso é sério? Nada prestou?
Talvez as acusações de que "Deus não está morto" é maniqueísta, ou proselitista, ou outras coisas, sejam simplesmente motivadas por preconceito religioso, em virtude do tema. Se a proposta era ser um filme baseado em fatos reais, eu digo como testemunha: ela se repete diariamente em universidades brasileiras e pelo mundo. Vivi isso de perto e conheço quem sofra com isso, incluindo grandes mentes, grandes pesquisadores. Isto não despreza outros fatos. Há muitos grandes acadêmicos dotados de grande sensibilidade pessoal, amoráveis e educados. Também tenho amigos assim. Há também aqueles que se dizem cristãos, mas que não merecem carregar o nome que tem.
O filme, que não é uma dissertação de mestrado ou tese, mas uma arte, não está preocupado em esgotar todas estas questões. Se alguém achou que isso deveria ficar mais claro, faça uma crítica ao roteiro, sem generalizar a avaliação. Não gosta de filme de ação, filme romântico, suspense, ficção? São vários os gêneros, como são vários os gostos de cada um. Não está assistindo seu gênero predileto, paciência. Na hora de avaliar leve isto em consideração e faça uma avaliação coerente. Esta é minha opinião sobre este filme. Sinta-se a vontade para argumentar diferente.
Sobre a última pergunta, digo logo: creio no título do filme. A história da morte e ressurreição de Jesus não se assemelha em nada a uma propaganda política. Na cosmovisão greco-romana é ilógica tal proposição, vide o dualismo platônico, pois a ressurreição corporal choca-se com a ideia de que a matéria é má, e a morte seria a libertação da "alma".
Os judeus, por outro lado, aguardavam o Messias nascido em berço esplêndido, líder político-militar que libertaria a nação do jugo romano. Nada mais decepcionante que esperar que Jesus fosse tal lider. Ame a seus inimigos, dizia ele. A eleição de Bar Kochba no início do segundo século, por exemplo, indicava exatamente a falta de vínculo com os líderes judeus. Houveram ainda outros messias.
Desmentir a ressurreição seria a ação mais óbvia e simples de ser executada pelas tradicionais instituições judaicas. Mas, a história mostra que eles foram incapazes de desmentir a pequena "seita do caminho", como eram conhecidos os primeiros cristãos. Ainda mais: a história demonstra que eles preferiam morrer a negar a fé. A lógica é simples: ninguém morreria por uma mentira. Os fatos, porém, eram tão incríveis que a própria vida parecia ser de menor valor. Respeito quem pense diferente.
Infelizmente a discussão aqui começa a parecer um ensaio: sinto que devo encerrar. Mas, não sem antes registrar minha insatisfação com alguns ateus e agnósticos, quem agem, como o professor do filme, arrogantemente; imaginando, preconceituosamente, que todo cristão é ignorante. Se buscamos a verdade, penso que ela poderá ser encontrada, sim, na harmonia entre a verdadeira ciência com a verdadeira religião.
Finalmente, minha indignação maior é mesmo com aqueles que se dizem cristãos. Contudo, ao dialogarem com os que pensam diferente, negam a fé com palavras mal colocadas e atitudes ríspidas. Não podemos entrar na internet e esquecer quem nós representamos. Jesus ensinou que devemos amar a todos, assim como ele amou. Somos representantes de Cristo.