Dirigido por Brian Singer, X-Men — Apocalipse fecha a trilogia Primeira Classe e, infelizmente, sofre da temível maldição do terceiro filme.
Apocalipse conta a história do mutante mais antigo da Terra, En Sabah Nur (Oscar Isaac), que, traído por seus discípulos, acaba sendo enterrado numa pirâmide por toda eternidade. É acordado, acidentalmente, milhares de anos depois, por Moira MacTaggert (Rose Byrne); Apocalipse, percebendo como o mundo mudou para pior, reúne seus quatro cavaleiros mutantes que têm o dever de defendê-lo e ajudá-lo na purificação do mundo: Psylock (Olivia Munn), Tempestade (Alexandra Shipp), Anjo (Bem Hardy) e Magneto (Michael Fassbender). Enquanto isso, do outro lado da história, os X-men não são mais uma equipe, mas quando o Professor Xavier (James McAvoy) é sequestrado Mística (Jennifer Lawrence) lidera um time de novos mutantes para tentar salvá-lo e ao mundo.
Dentre todos os filmes de super-herói lançados no ano até agora, X-men — Apocalipse, infelizmente, consegue ser um dos piores. Continua com o mesmo nível mediano, não surpreendendo em nenhum aspecto, e não saciando a fome do espectador por algo inovador. De erro, nesse longa, como qualquer um, há vários. A começar pelo fato que o longa bate na tecla de repetição — porém, dentre oito filmes na franquia, incluindo spin-off's, essa repetição, um dia, seria inevitável, e infelizmente ela cai nas costas do terceiro e último filme da trilogia que tem como objetivo prequel da trilogia original (2000-2007).
Toda essa repetição é claramente visível no roteiro fraco e nada impressionante da produção. Brian Singer (que já teve em mãos três longas da franquia), traz um filme com um assunto batido e nada inovador. O roteiro, de Simon Kinberg, trata-se simplesmente de uma típica batalha do bem contra o mal que pode levar a um inevitável fim do mundo. As cenas de ação, diferente dos filmes antecessores da franquia, que traziam assuntos políticos bem interessantes sobre diferenças sociais refletidas nos mutantes, ocupa mais espaço que uma história crível e concreta. À mercê de uma boa história, e com duas horas e vinte minutos de duração, Apocalipse chega a entediar.
Um outro ponto negativo — porém, de longe um dos piores — é o personagem de Michael Fassbender. Erik Lehnsherr pode ser um dos melhores personagens nessa trilogia, mas no seu último filme ele se deixa quebrar demais, dançando entre "bom" e "mal" a todo hora. Em contrapartida, as motivações para o personagem mudar seus princípios e sempre se voltar a ser o que evita ser, são razoáveis e condizem com a natureza do personagem, de modo que essa quebra de personagem não fique tão gritante.
Talvez o que incomode de fato além de história fraca que quase não sustenta o filme é a maquiagem de Apocalipse. Como performance, Oscar Isaac se faz um bom vilão, com uma voz estrondosa que exala o medo necessário. Por outro lado, se a voz do personagem é tão potente e poderosa, seu visual se prova ao contrário: visivelmente uma maquiagem tosca, Apocalipse parece uma berinjela murcha, ou até mesmo, realmente o vilão do primeiro filme dos Power Rangers, Ivan Ooze.
E por último aspecto negativo, se tem uma nova atmosfera que se mescla com o sombrio do filme, uma atmosfera herdada do recente sucesso de Deadpool: em alguns momentos piadinhas são soltas para aliviar o ambiente do filme e o espectador, algo que nunca se viu nos filmes anteriores. As piadas são soltas em momentos certos, uma delas chegando até a satirizar o próprio longa.
Agora, falando de aspectos positivos, o filme se prova um bom entretenimento. A química dos personagens, principalmente de McAvoy e Fassbender, é perfeita. Como sendo um filme com uma grande gama de personagens, alguns ficam, consequentemente, mal desenvolvidos, servindo apenas para preencher espaço, mas não há como amar um Ciclope finalmente na liderança, feito por Tye Sheridan, e o humor atrapalhão do novo Noturno (Kodi Smit-McPhee).
Alguns fãs ávidos de quadrinho — como sempre — podem reclamar da personagem Mística e seu destaque no filme, devido ao estrelismo da atriz e o público que atrai, contudo, assim como em Dias de Um Futuro Esquecido (2014), esse destaque é viável e faz certo sentido, se bem analisá-lo. O Professor Xavier some misteriosamente da mansão. A quem você entrega a liderança, tendo Mística, uma mutante adulta, e um grupo de adolescentes que nunca entrou em confronto?
O roteiro, mesmo sendo fraco, consegue aproveitar de si mesmo. Brian Singer pega um vilão que não tem trama ligado ao político, um vilão que se enxerga como deus, e traz para a proposta do filme apenas, literalmente, um apocalipse. O filme poderia ser apenas uma produção de catástrofes, mas aqui e ali percebe-se um bom entrosamento entre os X-men, e o tema político, mesmo que pequeno, faz sua aparição.
Mercúrio (Evan Peters), agora um X-men, tem mais uma cena a la Dias de Um Futuro Esquecido; contudo, o som dessa vez é Sweet Dreams, mas, mesmo assim, a cena se torna tão épica quanto a anterior.
Como atuação, McAvoy, Isaac e Fassbender jorram todo o seu talento nesse longa. Jennifer Lawrence continua com o mesmo nível de atuação dos anteriores, e, agora com um acréscimo a mais na personagem Mística, com um espírito de liderança a lá Katniss Everden, a atriz se sente mais confortável no papel. Quanto ao demais elenco, os atores se comportam bem diante da câmera e atuam de acordo com o filme. Todavia, se tratando de atuação, o que merece mais atenção nesse filme é Sophie Turner, que faz uma jovem Jean Grey. Saindo totalmente da personagem boba e menininha que costuma fazer em Game of Thrones (Sansa Stark), Turner faz uma personagem bad-ass, determinada e que tem uma das cenas mais emocionantes e incríveis do filme.
Apesar de não ser tão bom quanto os seus antecessores, X-Men — Apocalipse, oferece bom entretenimento. Talvez os fãs aprovem mais o filme, por uma pequena quantidade de fan-servie que consegue saciar a fome. O filme finaliza a trilogia Primeira Classe e cumpre com um dos objetivos dos produtores e de Singer: tirar da cronologia os horrorosos Confronto Final (2006) e Origens: Wolverine (2009).
Nota: 7,6/10