Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
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4,4
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Tainá S.
Tainá S.

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4,5
Enviada em 8 de maio de 2014
Um filme envolto numa camada de delicadeza sensibilidade e com um sincero título de singelo. Este é ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’.

Quando uma amiga me disse de um curta sobre um menino cego numa frase repleta de elogios, a primeira coisa a qual eu perguntei foi “é francês?”. Sou uma daquelas defensoras do cinema nacional que briga com unhas e dentes quando ouço que todo filme brasileiro “é uma bosta”, mas admito que fui bem preconceituosa em pensar que um filme tão sutil como aquele só pudesse ser francês. Quando ela disse “não, ele é Brasileiro, daqui de São Paulo! E vai virar longa“ eu pensei “ Meu Deus, tenho que ver esse filme!”.

Foi amor à primeira vista – ironicamente – foi só ver os atores em cena pra me apaixonar. Foi encanto por cada mínimo detalhe, por cada personagem, por cada fala. Aquele universo singelo me cativou de uma forma inexplicável e desde então passei meus dias contando as horas para ver o longa.
Quando vi o trailer na TV meu coração deu um salto e então fui atrás pra saber onde estaria em cartaz. Em três cinemas aqui em Belo Horizonte, somente em centros culturais que ficam no centro da cidade, lugar onde minha mãe não me deixaria ir sozinha em hipótese alguma. Então eu a chamei para ir ver comigo mostrei o trailer e tudo que eu disse foi que era um filme sobre um menino cego, baseado num curta maravilhoso que eu não me cansava nunca de assistir.

Ao ver os personagens naquela tela gigante de cinema de novo, eu me apaixonei por eles mais uma vez. A cada fala um suspiro tanto encanto por tanta pureza. O filme, assim como a curta metragem é de uma sensibilidade gigantesca, e isso não está apenas presente no roteiro, mas também na fotografia e na trilha sonora, ambas leves. A fotografia em tons suaves e que te passam calma ao olhar, e a trilha sonora deliciosa aos ouvidos, fazendo referencias a música clássica esquecida pelos jovens, e equilibrando com a MPB de Mallu Magalhães, Cícero, Marcelo Camelo e Tatá Aeroplano. E o que dizer sobre as atuações? Fantásticas! Um grupo de iniciantes que deram um show. Ghilherme Lobo te convence que realmente não enxerga, Fabio Audi traz um toque de maturidade à trama e um destaque a Tess Amorim que esteve incrível, marcando um progresso lindo desde o curta. Isso sem contar com os personagens secundários.
O maior número de personagens, a maior duração, e o intervalo entre o lançamento do curta e do longa, tudo isso contribui para uma maior complexidade e maior maturidade dos personagens e para história em si. O conflito entre Léo e sua mãe super protetora surgiu, sua ansêa por liberdade– de maior intensidade devido à cegueira – presente na vida de todo adolescente também e o preconceito sofrido por ele por ser cego ganhou vida e maior destaque. A verdade é que em 96 minutos a história ganhou todo um esqueleto toda um universo próprio e uma complexidade tremenda. E a melhor parte é que mesmo com o protagonista sendo cego, com desespero de libertar dos grilhões da sua realidade, sofrendo “bullying” – não sou muito fã desse termo – e se descobrindo mais tarde gay, em momento algum a história se torna um dramalhão cheio de auto piedade digno de lágrimas. Ao contrário, o filme trata com uma naturalidade tremenda e sem nenhum desconforto temas que podem ser vistos por de traz numa camada escura e pesada. Quando Gabriel pergunta se Leo já viu um vídeo famoso, ou o chama para ir ao cinema sem se lembrar que Leo é cego, em vez de uma situação desconfortável surgir, os dois riem . Diferente da maioria das produções sobre sexualidade os personagens não entram em conflito interno, sentem medo ou tentam fingir que não sentem o que sentem.

O traço que mais me chamou a atenção não só no filme, mas em outras produções de Daniel Ribeiro, é que em momento algum a homofobia é citada, ou ao menos posta em pauta, pelo simples fato que Daniel encara a homossexualidade com naturalidade enxerga apenas como amor entre duas pessoas. Os personagens são gays e só, a história não gira em torno disso. Isso é só uma característica deles, como a cor dos olhos ou o comprimento do cabelo. O filme gira em torno das relações de Léo com os outros personagens, com sua família e seus amigos, suas dificuldades como deficiente visual. Como em “Café com Leite” que a história não é sobre o relacionamento homo afetivo dos personagens, e sim sobre a dificuldade que o protagonista encontra em cuidar do irmão mais novo quando eles perdem os pais.
Senti um orgulho imensurável quando saí do cinema e vi uma fila enorme para a próxima sessão. Um orgulho gerado pelo fato de que um filme não comercial – ok, talvez um pouco comercial por tratar um assunto polêmico e falar de amor – estava atraindo tanta gente. A meu ver, a cultura atraindo tantas pessoas.

“Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” – título que sintetiza muito bem a luta por independência de Leo – é um filme maravilhoso sobre amor, singelo e sensível que vale a pena ser assistido repetidas vezes. Amor. Amor e nada mais. Assim, “There is too much love” torna-se uma escolha mais que perfeita.
Ana Cavalieri
Ana Cavalieri

51 seguidores 2 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de maio de 2014
Fui ao cinema ontem, dia 9 de maio para assistir o longa "Hoje eu quero voltar sozinho", do diretor Daniel Ribeiro. Inspirado no curta-metragem "Eu Não Quero Voltar Sozinho" do mesmo diretor.
Assisti o curta há algum tempo, e quando soube que iriam produzir um filme, me animei. Admito que eu assisti mais tarde do que gostaria, e que estava bastante ansiosa e com muitas expectativas. E tenho que dizer: É uma obra de arte, lindo em todas as suas esferas!
Quando temos uma expectativa muito alto sobre qualquer coisa, dificilmente o real ira bater o "virtual" , e para a minha alegria, não foi isso que aconteceu com esse brilhante trabalho.

A História se passa em tempo real, com pessoas reais, problemas reais. Alias o filme é tão real, que se torna impossível não se identificar.
Leonardo (Guilherme Lobo) é um adolescente do colegial, cego de nascença. Minha impressão dele, é de um menino super bem resolvido, decidido, que supera diariamente suas limitações visuais com muita naturalidade. Ele é superprotegido pela mãe, que acaba por muitas vezes até fazendo um papel preconceituoso. Seu pai por sua vez, é um homem doce e compreensivo, que entende que a cegueira não é um obstaculo, para que o seu filho viva uma vida normal.
Na escola Leonardo é alvo de brincadeirinhas de mal gosto, como não seria diferente nos colegiais hoje, pelo menino idiota que quer chamar a tenção e seus amigos babacas maria-vai-com-as-outras.
No meio desse convívio cansativo e impositivo, Leonardo sente-se pressionado e desperta um forte desejo por liberdade - Semelhante ao que acontece quando somos de certo modo "encurralados" pelas paredes invisíveis que a sociedade nos impõe - e ele decide que quer fazer um intercambio, para se ver desprendido dessa realidade. Sua melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), inseparável e fiel em todas os momentos, acaba ficando triste e desamparada com essa decisão.
Quando um novo aluno, Gabriel (Fabio Aud), chega na escola, ele e Leonardo acabam desenvolvendo uma amizade sincera, o ajudando a entender o mundo de maneira diferente e a descobrir sentimentos que nunca havia sentido antes.

A trama trata o amor entre os protagonistas e até os sentimentos do Leo, de uma maneira muito sutil, simples e sincera. A delicadeza é apaixonante. Eu estava com receio sobre as atuações de atores tão jovens e de certo modo desconhecidos da mídia, mas achei que as atuações foram totalmente positivas. A naturalidade e a veracidade para mim, foram os pontos altos do filme.

É um filme para se sentir e desatar nós.
Eduardo S.
Eduardo S.

2 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 7 de maio de 2014
O filme trata de uma bela história romântica entre dois adolescentes. Considero a história/ideia muito boa, com muita inocencia e ternura, com uma temática importante: o descobrimento do amor entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto o roteiro é fraco, parece-me que o diretor não tinha conteúdo suficiente para um longa e fez enxertos de cenas que eram descartáveis. A direção foi ótima, principalmente as posições da câmera: as cenas do protagonista tomando banho beijando o vidro e ele com o casaco na cama, foram espetaculares. A direção de elenco foi péssima. No início do filme fiquei preocupado com as falas iniciais, pois eram mecânicas e mal articuladas. No decorrer da história, soa-me melhor, talvez por que me acostumei a maneira dos personagens falarem. Vendo o filme como um todo, é um filme agradável, bonito e sensível; mas que poderia ter sido melhor se o roteiro tivesse sido melhor trabalhado e a direção de elenco mais exigente e perceptiva.
Rodrigo S.
Rodrigo S.

12 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 7 de maio de 2014
O porquê que gostamos de “Hoje eu quero voltar sozinho”.

Eu poderia iniciar esse texto com um legível e, de certo modo, sonoro “sei lá”. O filme aborda um período da vida que todos nós já passamos, ou um dia passaremos: a adolescência. Com todas as suas dificuldades, alegrias, tristezas e decisões, não apenas passamos por essa fase, não apenas contemplamos as diferenças criadas e/ou existentes no mundo e em nós mesmos, mas vivemos – e da maneira mais intensa possível, a nosso ver. Existimos como se não fossemos mais existir no amanhã. Pensamos, projetamos, esperamos e vivemos um constante conflito, no qual nossas poucas experiências (desprezadas, em sua maioria, por adultos que se esqueceram de como foi sua própria adolescência) buscam satisfação em nossas constantes, e imensas expectativas, ao mesmo tempo em que lutamos contra discursos calcados em “no meu tempo” ou no clássico “são apenas rebeldes sem causa”. Dessa maneira, retratar uma fase tão conturbada da vida de uma pessoa da maneira retratada no filme nos chamou atenção por se diferir das demais narrativas atuais (fílmicas, inclusive) que visam confundir o público a fim de transporta-lo para o universo caótico da cabeça de um adolescente. Porém, o que assistimos durante todo o caminho de volta dos personagens é a simplicidade de viver. Leonardo (Guilherme Lobo), um estudante cego, tenta viver sua vida da maneira que para ele é a mais apropriada, sem desprezar aqueles que o cercam. Ele e sua amiga Giovana (Tess Amorim), e posteriormente seu amigo/namorado Gabriel (Fábio Audi), descobrem os prazeres de viver a partir de um olhar simplista da absorção do mundo e das possibilidades que este apresenta ao redor. A simplicidade aqui não se torna um subterfúgio para a falta de criatividade ou para a divulgação de um trabalho não bem acabado. Ao contrário! O simples, na verdade, mostra que em meio a uma sociedade cada vez mais caótica, na qual voltamos a desprezar o microcosmo do autoconhecimento humano a fim de eleger grandes histórias capazes de explicar um todo fictício, ainda nos sensibilizamos com o comum, com o corriqueiro. Ainda nos sensibilizamos com o dia-a-dia duramente criticado por aqueles que fazem do “largar tudo” um certificado de superioridade intelectual e social (ideia trabalhada no texto do pessoal do Glük Project). Nos sensibilizamos com as relações humanas, sejam elas expressas da maneira, forma, cor e sabor que for. O filme mostra, ou pelo menos mostrou para nós, que temos sede da ausência “dos grandes planos”, ou seja, que temos saudades do tempo presente. Temos vontade de viver o agora, sem que isso seja encarado como irresponsabilidade ao nos negarmos a pensar o ser humano como um ser que sofre com o passar do tempo. O que esperamos é poder nos transformar com o tempo, não negando o lado ruim dessas transformações, porém nos permitindo apenas viver. Sendo assim, o filme é, na verdade, um convite a todo aquele que deseja não mais voltar, seja para “onde” for, sozinho.
Edson ..
Edson ..

4 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de maio de 2014
Um filme que à primeira vista parece mais uma daquelas narrativas tão comuns sobre o comportamento contemporâneo, suas dúvidas, descobertas e incertezas. Todavia, com o seu desenrolar, a gente começa a perceber a busca de uma identidade muitas vezes permeada pela maldade travestida de brincadeiras de adolescentes. Que bom que o final traga um pouco de reflexão ao espectador e felicidade para o protagonista! Vale a pena ver!
Pati Lima
Pati Lima

43 seguidores 84 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de maio de 2014
Muito bom... Não fala apenas de homossexualismo, mas também da luta de um deficiente visual na fase da adolescência, descobrindo a sexualidade. Mas de uma forma leve, sem ser apelativo, sem palavrões, sem ser vulgar!!! Adorei. O filme retrata muito bem o que faz parte da realidade de muitos jovens, interessante para quem é homossexual ou não, assistir. Acho que todos tem o direito de serem felizes, todos somos iguais, inclusive deficientes de diversos tipos, todos somos humanos. Sim, o filme não é para todos realmente. Mas é um lindo filme, com ótimo final. Parabéns a toda a equipe. Não esperava que fosse ser tão especial (esperava que fosse mais parado). Foi difícil achar um cinema infelizmente, mas valeu a pena, abaixo ao preconceito e as dificuldades do dia a dia, imagino como deve ser difícil ser deficiente e passar tanta coisa na vida. Cinema lotado com aplausos no final!
fernanda D.
fernanda D.

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 2 de maio de 2014
Adorei o filme. É surpreendente, sensível e simplesmente lindo!
Gabriel P.
Gabriel P.

6 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 25 de abril de 2014
filme 'Hoje eu quero voltar sozinho', nele pude ver que foi usada varias temáticas em alta pela mídia.
Como o homossexualismo de uma forma diferente de como geralmente é retratado, e também o preconceito que foi muito utilizado.
O fato do filme retratar de modo diferente o homossexualismo, é que talvez as pessoas estão mudando seu modo de marginalizar o Gay por ter nascido da forma que é,
e como a mídia já anda fazendo esta "Desmarginalização" do ser Humano que é o Gay, este filme veio usando isto também, porém parece que o Homossexualismo veio como um certo "Pano de Fundo" para o roteiro.
Assim usando como foco o preconceito, que deixa as pessoas muito confusas nesta fase que é a Adolescência; para um adolescente é meio que "normal" ser preconceituoso, pois muitas vezes ele viveu com pessoas do seu núcleo familiar que possa ser preconceituosa, tratando isto como normalidade, ele acaba entrando em mais um conflito (como se já não bastasse ter mais um conflito sendo um adolescente), pois se sabe que não se deve ser preconceituoso nas Ruas e lidar com esses dois mundos, pode gerar muita confusão.
O que é apresentado no Filme, pois lá se vê muitas pessoas diferentes com princípios familiares distintos , que trazem cada um, um tipo de aprendizado, e ele acaba tendo que aprender a lidar com uma pessoa que foge do padrão da sociedade.
Ou seja aprender a lidar com o diferente, que tem que se tornar "Normal", e deixar o que eles vem trazendo há anos que é o Preconceito. Pois não se nasce preconceituoso, as pessoas aprendem a ser.
Eduardo Santos
Eduardo Santos

340 seguidores 183 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de abril de 2014
Quem busca um filme leve, bonito e extremamente bem realizado certamente não se decepcionará com esse filme brasileiro, que já chegou ao circuito com muitos elogios, e inclusive um importante prêmio internacional no Festival de Berlim. A história é bastante similar ao do curta de 2010 intitulado “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, só que obviamente por se tratar de um longa, agora o filme traz novas situações, novos personagens e muito mais complexidade. Trata-se da história de Léo (Guilherme Lobo, ótimo), um jovem adolescente cego que tem uma amizade de infância com Gi (Tess Amorim) e se apaixona por Gabriel (Fábio Audi), um jovem recém-chegado a São Paulo e novo colega de turma. Daí, vários assuntos bem interessantes são lançados na tela, desde a descoberta da sexualidade do jovem cego, como da superproteção da família, o bullying sofrido no colégio devido à sua deficiência visual e por aí vai. Enquanto o curta focava nesses três personagens principais, o longa já se mostra muito mais amplo, com novos personagens e aprofundamento narrativo. É fácil se identificar e simpatizar com os personagens centrais. Os dilemas são bastante comuns a qualquer pessoa que já passou pela adolescência, pois não dialoga somente em relação à homossexualidade ou a deficiência visual do protagonista, mas também fala de aceitação, medos juvenis, superproteção e laços de amizade. Embora o filme peque por tratar seus assuntos com ingenuidade exagerada, o que causa certa artificialidade para os dias atuais, são inegáveis suas qualidades técnicas e narrativas, além da ótima trilha sonora. Nós torcemos pelos personagens e ao final da exibição fica aquela sensação de leveza causada pela bela mensagem que ele carrega. Trata-se de um filme muito sensível, bonito e bem construído. Daqueles filmes que mostram que o amor sem preconceito é possível e causa uma tremenda sensação de bem estar. Vale muito a pena!
Bruna A.
Bruna A.

7 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de abril de 2014
Adorei o filme ele tem um desenrolar bem levinho e apaixonante
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