Pelo Malo
Média
3,9
42 notas

6 Críticas do usuário

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Julio L.
Julio L.

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5,0
Enviada em 24 de abril de 2014
Fiquei simplesmente fascinado por este filme. Um roteiro fascinante, com atuações incríveis. Enxergar as dimensões que o preconceito pode alcançar me trouxe muita tristeza. Este é nosso mundo.
Daniel C.
Daniel C.

13 seguidores 2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 21 de abril de 2014
Filme da diretora venezuelana Mariana Rondón relata a história de Júnior (Samuel Lange Zambrano), um garoto de 9 anos que deseja ter uma foto com os cabelos lisos e com roupas bonitas iguais a um cantor famoso de seu país para levar a escola. Dessa narrativa principal temos a sua mãe, interpretada por Samantha Castillo, viúva, desempregada e com dois filhos para criar, a sua avó vivida por Nelly Ramos que renega o neto mais novo e ver uma veia artística em Júnior. O filme se passa no subúrbio da cidade de Caraca na Venezuela em condomínios criados na década de 1950.

O clima do filme é cercado de tensões. O tempo inteiro sentimos que acontecerá uma tragédia que seria o grande momento do filme, porém a diretora se manteve esse clima de tensão por considerar que o cotidiano dos personagens sejam assim.

Existem relações de poder que é transmitido durante todo o filme que é relacionado diretamente com a condição do masculino e feminino. A crítica aos preceitos do machismo na Venezuela é evidenciado nas relações entre homens e mulheres no filme, além de ser revelada uma idealização do masculino e do feminino. O homem assume papel de poder decisivo sendo uma figura distante, já a mulher está sempre presente e com comportamentos diversos desde uma feminilização ligada aos concursos de misses, até a uma mulher mais masculinizada, com traços que usualmente são de homens.

Segundo comentário da diretora o filme não trata de questões exclusivas, o filme trata do cotidiano de pessoas comuns. O vai e vem no transporte público, as imagens da cidade, o trânsito, desenhos, mensagens de rádio e Tevê, revelam uma Venezuela pobre e politicamente pulsante. Além disso ela entende que o filme fala de homofobia e não de homossexualidade.

A história de Pelo Malo é marcante por ser coberta de simbolismo modernos, a luz do caribe e a escuridão do apartamento no subúrbio de um país subdesenvolvido, o desejo de um filho e a incompreensão da mãe, a relação de (des)amor entre o filho e a mãe, o desentendimento e as complementações emocionais entre a função de filho e de mãe, o papel do homem em uma sociedade machista onde determinadas ações são limitadas ou são indicações de feminilidade, ainda temos cenas quentes e a latinidade é sentida em cada momento. O filme nos deixa o tempo inteiro com dúvidas, tensão e em constante luta de ideias, pois os personagens são apaixonantes e repugnantes de alguma forma.

Por fim, segundo a diretora, o título Pelo Malo é devido as constantes tensões, relações de poder, e construção de outros conflitos durante toda a vida. Assim não adianta apenas corta o cabelo porque ele voltará a crescer, assim como os conflitos. spoiler:
Vinícius F.
Vinícius F.

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5,0
Enviada em 3 de abril de 2015
"Não sou nada/ Nunca serei nada/ A parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo". Esse trecho, extraído do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, nos revela a pequenez do indivíduo frente à imensidão do mundo. O filme "Pelo Malo" (título não traduzido para o português) é, antes de tudo, um aprofundamento da vida humana, a qual não se faz somente pela ação do indivíduo. É construída, antes de tudo, pelo meio no qual ele está inserido.
Apesar de parecer, num primeiro momento, detentor de uma temática clichê, o filme venezuelano é uma obra-prima. As condições humanas não são expostas de modo simplista, solto, sem nexo. Tudo que ali é mostrado é uma reflexão, a qual, postergada nas mentes humanas, torna-se uma crítica.
O cabelo da protagonista é o embate social entre o que imposto e o que é almejado. Parte daí um embate, até marxista, de elementos como escola, amigos, família e vizinhança, estruturando-se um discurso determinista, mas, ao mesmo tempo, inócuo frente ao indivíduo.
As relações sociais expostas no longa são consequências da exclusão social, da falta de acesso à educação, do desafeto, dos interesses cruéis e instintivos. Há aí uma noção do efeito de uma sociedade economicamente estruturada na vida de grupos marginalizados.
O filme é realístico, verossímil e emocionante. Desemboca numa realidade muito percebida nos países da América Latina: a intrínseca desigualdade social acumulada historicamente pela colonização exploratória. Buscar a história de "Pelo Malo" é, também, buscar entender a nossa realidade, isto é, nossa organização social e nossa composição pessoal.
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