Pelo Malo
Média
3,9
42 notas

6 Críticas do usuário

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Eduardo D
Eduardo D

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4,0
Enviada em 1 de agosto de 2015
Excelente filme que foge do lugar comum, mostrando uma realidade crua junto com o pequeno sonho infantil. Filme equilibrado com ótimas interpretações.
Pedro H.
Pedro H.

2 seguidores 11 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 15 de dezembro de 2014
"Mi limón, mi limonero / entero me gusta más / un inglés dijo ye ye, / y un francés dijo la la"!
São com os acordes dessa música de Henry Stephen que a trama de Pelo Malo ("Cabelo Ruim" em livre tradução) se desenvolve. Junior (Samuel Lange Zambrano) é um menino venezuelano que mora com a mãe solteira e o irmão recém-nascido em um conjunto habitacional na periferia de Caracas. Inseridos em um contexto de extrema vulnerabilidade social, Marta (Samantha Castillo) luta dia após dia para tentar prover o sustento da família. Ademais de toda situação de risco social, Junior almeja uma aparência "melhor" para tirar a foto do colégio. Na busca por engordar e ajeitar seu cabelo, que ele próprio concebe como "ruim", a trama vai se aprofundando e dando espaço para questões como as identidades de gênero. O que é para homem e o que é para mulher? Será que alisar o cabelo e vestir-se um pouco melhor são coisas associadas somente a mulheres? E se forem, haveria problema se os homens se aproximassem disso?
Marta faz recair seus esforços no sentido de corrigir os comportamentos ditos "suspeitos" do seu filho Junior. "Mijar sentado não é coisa de homem"; "O que você procura encarando homens?"; "Por que você pega no garfo tão devagar?" são alguns dos questionamentos proferidos por Marta no sentido de inscrever no filho em um conjunto de normas e padrões aos quais ele parece não muito se identificar. O simulacro da relação mãe/filho carece de humanidade. O contexto de vulnerabilidade é tão grande que dificulta até o reconhecimento entre ambos do ser humano genérico e da capacidade de entender o lado do outro.
O que choca no filme é que ele não trás um final feliz... pelo contrário ele trás a vida real. Quando estava assistindo não pude deixar de me ver no Junior, ou de ver minha família na Marta. Next to reality... o filme dispensa a produção e reprodução do ideal do amor romântico tão arraigado na sociedade contemporânea e nos filmes da Disney. O que ele mostra não é o príncipe encantado que vem salvar a princesa, mas sim a vida de um menino homossexual que como tantos outros, mundo a fora, tem que aprender a lidar com as represálias e sansões por não ser o que a sociedade considera como adequado.

Carmen (Nelly Ramos), avó paterna de Junior, aparece como a voz da sensatez e experiência materializadas no filme. Ela não só defende a possibilidade de aceitação da orientação sexual do neto, como se propõe a criá-lo afirmando para Marta que "essas coisas não se mudam...". Junior se vê em uma situação difícil quando tem que escolher entre reconhecer sua própria orientação sexual em conflito com sua identidade de gênero e a aceitação da sua mãe. Tendo de escolher entre essas duas opções, entre sair ou ficar em casa, ele na mais tenra idade tem que engolir em seco a sagacidade da vida e negar seu próprio eu.

Pelo Malo é uma obra prima que retrata com veracidade a realidade do homossexual da periferia no seu processo de construção material e subjetiva. Recomendado para quem quer sair um pouco do padrão de filmes padrões... e refletir um pouco sobre o ser feminino e masculino e sua relação com as identidade de gênero e orientações sexuais.
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