A adaptação homônima da obra de Andy Weir (The Martian) virou um filme menos pretensioso no quesito cientifico, quando comparado ao filme de Christopher Nolan (Interestelar). Perdido em Marte é dirigido pelo senhor Ridley Scott (Alien, Prometheus, Êxodo...) e tem suas peculiaridades favoráveis, até porque, estamos falando de Scott. Em sua produção temos a missão Ares 3, onde o astronauta botânico Mark Watney (Matt Damon) é deixado para trás em marte por sua equipe, acreditando que ele estaria morto depois de um acidente ocasionado por uma chuva de areia. A equipe é liderada por Melissa Lewis (Jessica Chastain ), que viveu a personagem Murph no filme de Nolan. A premissa básica do filme é a “Lei da sobrevivência”, conceito já muito explorado por Hollywood em Gravidade, cujo mote era sobreviver no espaço e Interestelar, focando na sobrevivência em viagens interplanetárias, por incrível que pareça, Perdido em Marte, não é uma continuação de Interestelar. Scott é muito astuto em fazer um filme menos sisudo em conceitos, explorando praticamente a relação do espectador com o protagonista, realmente se cria uma empatia por Mark e torcemos juntos para que ele seja resgatado, afinal, são aproximadamente 4 anos os intervalos de viagem a marte, segundo o filme. O diretor usa a seu favor as técnicas de câmera subjetiva e imagens encontradas para criar o clímax de isolamento e conflito com o planeta vermelho, de forma tão dinâmica que não se torna chato de acompanhar um homem só em marte, tendo que se adaptar as circunstâncias que o cercam, talvez plantar em um planeta onde nada cresce seja fácil para um botânico, mas o roteiro de Drew Goddard (Demolidor Netflix) tem seus plot twists na manga. É legal sentir a relação descontraída do filme com a trilha sonora, repleta de baladas clássicas, receita utilizada por “Guardiões da Galáxia” e também as diversas referências a cultura pop, começando com Senhor dos Anéis e passando pela Marvel, através de Homem de Ferro. Apesar de ter achado o corte final longo demais, a produção muito me agradou em vários aspectos, dentre eles o equilíbrio entre humor e ficção.
Perdido em Marte é um filme que apresenta vários momentos tensos e claustrofóbicos, porém, é bem mais divertido do que outros Sci-Fi, um ótimo trabalho de adaptação cinematográfica.