Relatos Selvagens
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4,5
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166 Críticas do usuário

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Luiz C.
Luiz C.

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5,0
Enviada em 26 de novembro de 2014
No limite selvagem da razão

Se tem um filme que você não pode deixar de ver é “Relatos Selvagens”. Atualmente em cartaz somente no Cine Belas Artes, na capital, esse longa argentino consegue ser agonizante e divertido, intenso e empolgante, e te faz perceber como o ser humano é volúvel, fraco e forte ao mesmo tempo. Diante de uma realidade imprevisível, os personagens de seis histórias diferentes caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar esses personagens para um lugar fora de controle. Uma pérola do diretor Damián Szifron, que conta com a produção de Pedro Almodóvar e que, eu repito, você tem que ver!

A cada história independente, sempre movida pelo sentimento de vingança, o diretor mostra justamente que a violência e a corrupção não são exclusividade de ninguém. Todos nós estaríamos, de alguma forma, sujeitos a momentos de descontrole. Alguns descontrolados demonstram ter esse sentimento ainda mais aflorado, mas todos em momentos de desespero podem chegar ao limite da violência. E é aí que Damián toca no ponto: ele trabalha a humanidade nas relações cotidianas até que, com humor negro e sátira social, chega ao estopim – como uma discussão no trânsito se transformando numa luta corporal pela vida, ou até onde vai parar um caso de corrupção policial para alguém se livrar da cadeia.

Nesse sentido, como nas cenas iniciais dos créditos, em que animais fogem de predadores ou buscam suas presas, todos nós somos como bichos predispostos ao combate. Não há muito o que explicar, mas ninguém quer ser passado pra trás e, se for para ter vantagem em algo, o ser humano reúne uma força animal indescritível e corre, sim, atrás de sua presa, ou melhor, de sua salvação. Quer um exemplo? Em uma das histórias, talvez uma das melhores (só perdendo para o episódio final do casamento ou para o pastelão da briga de trânsito), o personagem do ator Ricardo Darín se revolta com a burocracia do sistema argentino e parte para a violência extrema, lembrando muito o filme “Um Dia de Fúria”, com Michael Douglas. Ele perde tudo na vida, inclusive a razão, mas o único valor que ainda importa e não quer perder de jeito nenhum é a moral. Ele quer sair por cima da situação e, por isso, reage feito um animal irracional.

O mais fantástico disso tudo é que “Relatos Selvagens” traz um roteiro de suspense fantasioso e engraçado, com a narração dos curtas sem cair no problema clássico desses tipos de filmes de episódios independentes: não fica nada solto ou inacabado no fim de cada história, e isso é sensacional – e ao mesmo tempo viciante –, pois você não precisa recuperar o ritmo quando começa a próxima narrativa; você apenas quer mais e mais! E o melhor: a edição trabalha com nossas expectativas, nos surpreendendo e alternando desfechos óbvios. É tudo aquilo que queremos para um cinema de domingo.

Talvez o filme seja essa unanimidade toda justamente porque toca num ponto muito natural do ser humano: o seu dia a dia. Estressamos, pegamos no pé, brigamos, enlouquecemos diariamente. Mas, graças à sensatez, sempre de leve. O nosso limite está muito longe, não precisa ser alcançado, muito menos ultrapassado. Acima de tudo, somos feitos de carne, osso e gentileza. Não vamos perder a razão para, então, destruir nossa nobreza.
Marcelo Q.
Marcelo Q.

19 seguidores 13 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 4 de novembro de 2014
O filme é muito bom e uma pena que a sala estivesse tão vazia, ficamos o tempo todo imaginando como as histórias trágicas se tornarão engraçadas... Já estou aguardando a continuação kkkkk
Vilmar O.
Vilmar O.

2.033 seguidores 357 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 10 de julho de 2016
Tava vendo Relatos Selvagens, Boa comédia dramática da Argentina.
Ricardo Darín sempre arrebenta. Assistam.
AndréL0pes
AndréL0pes

41 seguidores 104 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 14 de fevereiro de 2017
Merecido o Oscar de melhor filme estrangeiro, filme violento (1 capítulo), em um certo momento engraçado (2 capítulo), elegante e bem elaborado (4 capítulo), e muito difícil um filme mudar tanto de estilo e ter sucesso em todos eles, gostei das 4 histórias retratadas e das ótimas atuações.
Felipe S.
Felipe S.

27 seguidores 12 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de novembro de 2014
O diretor/roteirista argentino Damian Szifron, no seu filme Relatos Selvagens, nos presenteia com uma série de seis curtas onde a natureza humana é mostrada da maneira mais selvagem possível (fazendo referência direta ao título). Nessas seis histórias, os humanos são transformados em animais, e com o calor do momento de cada uma das situações, é impossível não se identificar com algum dos personagens. A não ser, é claro, que você viva em um comercial de margarina onde tudo é perfeito.

Como em todas as antologias de curtas, alguns capítulos são melhores que outros. Não há conexões entre as histórias, mas, em geral, o tema e humor negro são os mesmos. A história antes dos créditos iniciais traz o tom das demais, e não é com surpresa que vemos o nome de Pedro Almodóvar como um dos produtores do filme.

Relatos Selvagens bebe na fonte do cinema surrealista de Almodóvar, traço que lhe caiu tão bem ao longo de toda sua carreira. Dito isto, a sequência inicial dessa produção causa mais risos do que os longas recentes do diretor espanhol.

Os “relatos” são diversos. Vemos uma briga cheia de raiva que começa de maneira tão banal numa estrada, um pai que coloca sua vida em risco por causa de uma multa de estacionamento, um casamento infeliz, uma garçonete reencontrando um velho conhecido e um segmento focado num adolescente bêbado que mata uma grávida atropelada. Cada sequência leva seus personagens ao limite. Todos acabam por perder o controle de suas vidas - e falando de maneira sádica, quem nunca passou por uma situação fora de controle?

Há tempos não tínhamos uma comédia de humor negro como essa. Enlouquecida, surreal e absolutamente hilariante (no sentido negro da palavra). O diretor dá um tom consistente ao longa, e com um elenco brilhante acompanhamos as conseqüências obscuras de situações cotidianas que tendemos a não acreditar que estamos vendo no jornal. No fim das contas, acredite, você nunca mais irá brigar com outro motorista no trânsito.
Alecs Nedelkoff
Alecs Nedelkoff

10 seguidores 7 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 23 de fevereiro de 2015
Um dois melhores filmes que assisti em 2014. fantástico, belo e divertido, além de levar à uma reflexão de como ceder aos impulsos mais primitivos pode ser fatal.
Marco G.
Marco G.

540 seguidores 244 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de novembro de 2014
Muito boa esta geração de filmes argentinos, ao contrário dos filmes brasileiros atuais eles retratam com realismo e desesperança a realidade atual,,..
Carolina S.
Carolina S.

22 seguidores 28 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 19 de janeiro de 2015
Imperdível! Vale a pena ver e refletir sobre quão descontrolada a natureza humana pode ser
Marco Paulo
Marco Paulo

21 seguidores 5 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 21 de janeiro de 2015
Muito bem dirigido por Damián Szifron, com uma edição impecável e trilha sonora que enriquece o roteiro, Relatos Selvagens (Relatos Salvajes - 2014) é um filme da categoria "tem que ver antes de morrer". Atuações de alto nível, que nos levam a pensar que deveria ter tido mais indicações ao Oscar 2015. Em seis estórias independentes, situações comuns da vida moderna geram conflitos em que os personagens são levados a extremos com resultados surpreendentes que, embora possam beirar o surreal, nos deixam a sensação de serem possíveis. Provavelmente por que refletem, se não coisas que faríamos, ao menos coisas com as quais já sonhamos fazer. A animalidade do ser humano civilizado é colocada a prova neste grande filme, que tem tudo para levar o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Alvaro Triano
Alvaro Triano

98 seguidores 97 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 6 de abril de 2015
Visceral, totalmente selvagem, politicamente incorreto e acima de tudo belo. O filme do argentino Damián Szifron (Tempos de Valentes) busca nas entranhas do instinto humano a tragicomédia banalizada por situações rotineiras da sociedade. Relatos Selvagens é um filme de trechos (episódios) que nos eleva ao questionamento da linha tênue que separa a civilização da barbárie, do racional ao irracional, da paz a guerra, do controle ao descontrole, um pleno soco "na boca do estômago" de uma sociedade mesquinha e hipócrita. Os 6 relatos que o longa descreve, perpassam pela insanidade da violência incontida dentro de cada um de nós, das implosões de raiva, insatisfação, traição, rancor e ódio presentes na índole social. Os episódios são costurados de forma cirúrgica ao roteiro de Damián Szifron que é uma espécie de Quentin Tarantino com Pedro Almodóvar (Produtor do filme). Um diretor altamente qualificado em termos técnicos, conhecedor de enquadramentos e ângulos inusitados, que fazem do longa uma obra exuberante, semioticamente falando. A fotografia de Javier Juliá é minuciosa e altamente esplêndida em diversos takes que transgridem os episódios "Pasternak", "Las Ratas", "El Más Fuerte", "Bombita", "La Propuesta", "Hasta que la muerte nos separe", um verdadeiro show de planos, contraplanos e iluminação. Relatos Selvagens é um filme perspicaz e pragmático, uma obra de grande relevância ao cinema Argentino/Espanhol e mundial, algo que foge da caixa programada e muitas vezes quadrada de Hollywood, um filme autoral, super interessante e altamente argumentativo e reflexivo, que custou pouco dinheiro mais imenso esforço de seus realizadores. Acredito veemente que esta produção vai mexer com seus conceitos por ser um longa moralmente desafiador. Filme totalmente subversivo em sua nuance narrativa.
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