O filme conta basicamente a história do Dr. Ian Gray um cientista que estuda a íris ocular e dedica seus trabalhos a descobrir a origem da visão com a ajuda de seu assistente Kenny e sua estagiária Karen para, sobretudo, provar que o olho humano e seu desenvolvimento fazem parte da evolução natural das espécies e não precisaria de um "designer inteligente" -que, no caso, seria Deus.
Ian é um colecionador de fotos de olhos por hobbie, e a história só começa a se desenrolar de fato quando Sofi, uma jovem misteriosa, aparece na vida desse cientista, o instigando com seus olhos tão peculiares e suas crenças tão adversas às dele.
Para quem, assim como eu, leu essa sinopse e acha que o filme vai ser várias horas de termos científicos indecifráveis, simplesmente se surpreenderá com uma história tão arrebatadora. I Origins traz, sem dúvidas, um embasamento científico mas é a partir dele que milhões de outros questionamentos vão se desenrolando, sobre crenças e sobre o que está além do que podemos crer, ver, ou experimentar.
Com destaque para um elenco que foge totalmente ao padrão que estamos acostumados a ver nas telinhas de cinema com todos padrões perfeitos, temos Michael Pitt, Brit Marling e Astrid Berges-Frisbey transparecendo experiência e naturalidade em suas atuações tão desataviadas mas ao mesmo tempo tão complexas.
O Ian, quase que obviamente, não crê em questões religiosas ou divinas por ser um cientista, mas tudo o que ele sempre acreditou ou "acreditou não acreditar" por toda a vida é posto a prova quando conhece a Sofi, uma personagem totalmente religiosa que tem uma atmosfera totalmente misteriosa e também singela (o que a faz totalmente atraente). Em quase duas horas, o filme parte de um pressuposto científico mas tange muitos outros temas, e o que precisa ser esclarecido é que a trama vai além de religiões, por exemplo, vemos também questionamentos sobre as barreiras na vida, sobre abrir a mente com a ciência de que sempre haverão coisas a se conhecer, mas sobretudo sobre amor. Porque como já dizia São Tomás de Aquino, "O amor é o desejo de eternidade do ser amado".
I Origins é um filme que as pessoas costumam chamar de "cabeça", pra quem está disposto a abrir a mente para ser questionado, trazendo mil dúvidas independente da crença e religião das pessoas, pois como já dizia Leonardo Boff, "Todo ponto de vista é a vista de um ponto". Se trata de uma ficção muito bem construída, finalizada, sem pontas soltas e com diálogos sensacionais.
O filme ainda tem direção de Mike Cahill, que traz cenas realmente impactantes e por vezes chocantes com a intenção de, na minha opinião, impressionar para expressar, chamar atenção para o que está sendo colocado em questão. Sem contar da trilha sonora maravilhosa, esse é um filme intenso, completamente envolvente e até mesmo tocante que sem dúvidas merece uma chance.
P.S: Para quem vai assistir, há uma cena pós créditos então, não a percam!