O presidente mais famoso do Brasil, ganha um filme sobre seus últimos dias, que antecede seu suicídio. Com direção de João Jardim, o filme tem seus bons momentos, mas infelizmente não chega a ser um grande filme, ficando muito abaixo do esperado e não representando o ex-presidente Getúlio Vargas como se deve.
Por se tratar de seus últimos dias de vida, é necessário que o telespectador saiba a história de governo do ex-presidente, por isso não se deve esperar uma biografia completa. Entretanto, mesmo focando em apenas um trecho de sua vida, o filme foi regular.
Em se tratando de atuações, o filme ganha destaque. Tony Ramos transmite bem a personalidade de Getúlio, mesmo não tendo a aparência igual, o ator se saí muito bem em seu papel, sendo um dos maiores destaques do longa. Drica Moraes que sempre foi uma atriz mais voltada para papeis cômicos consegue se destacar. Ela interpreta a filha de Getúlio. Ponto positivo para essa personagem, pois muitos não sabem que a filha de Getúlio também fazia parte de sua equipe na política, além de mostrar uma forte personalidade e ajudar em alguma decisões. Normalmente, o povo só pensa no Getúlio como presidente, mas nesse filme, conseguiram mostrar que sua filha também tinha poder e um sangue político em suas veias. E Drica faz sua personagem se destacar.
Alexandre Borges interpreta o principal rival do ex-presidente, Carlos Lacerda, apesar de não ter muito tempo em cena, Borges cumpre bem seu papel. Alexandre Nero faz o coronel que investiga o crime que acontece no inicio do filme. O atentado ao Carlos Lacerda. Infelizmente, seu personagem não tem muito o que fazer e por isso sua atuação é prejudicada. O restante do elenco, se saí bem, mesmo não tendo muito destaque.
O roteiro tenta retratar de forma fiel os acontecimentos que levaram ao seu suicídio, mas peca, pois ignora muita coisa. A mulher de Getúlio apareceu muito rapidamente, podendo ser cortada do filme, já que não faria falta. Seu filho também quase não era necessário, mas como existe um história envolta dele, seu personagem não apareceu em vão. O desfecho se resolveu muito rápido. Faltou um pouco mais de investigação, mais suspense sobre quem cometeu o crime. O filme foi muito corrido. Darei destaque aos conflitos internos de Getúlio. O roteiro tentou mostrar o presidente e seus conflitos com ele mesmo. A trilha sonora ganha destaque, com um fundo musical de suspense e fazendo com que o telespectador sinta a agonia do presidente.
A fotografia se saiu bem. Tons escuros foram usados para representar os pesadelos de Getúlio. Além de saber como utilizar a luz local nas cenas internas dentro do Palácio do Catete. Enfim, o filme poderia ter sido melhor, mas não chega a ruim. Quem sabe na próxima teremos um filme a altura do ex-presidente Vargas.