Batman Vs Superman: A Origem da Justiça | Crítica
Quando eu era um menino, me lembro de ter ficado assombrado ao assistir “Superman – O Filme” e acreditar que realmente um homem podia voar. Ao mesmo tempo, acompanhava as reprises de “Mulher Maravilha” com Linda Cartner e aprendia desde cedo que a mulher tem seu lugar em pé de igualdade com os homens pois era ela quem salvava o dia em todos os episódios. E como era (e ainda é) linda a Mulher Maravilha. Mas nada se comparava os episódios da série do “Batman” dos anos 60: aventura de primeira, uma dupla de heróis incorruptíveis, mistério, vilões que tinham o mal correndo pelas suas veias e o que mais me deixava tenso: o final do primeiro episódio que deixa a dupla dinâmica sempre em alguma armadilha do vilão e que só se resolveria no dia seguinte. Eu ficava tentando imaginar o que o Batman e Robin, seu fiel parceiro na luta contra o crime, iriam fazer para escapar daquela que, como todas as outras, eu pensava ser a derradeira armadilha.
Depois, se juntaram a esta galeria o magistral desenho produzido pelos ícones da animação William Hanna e Joseph Barbera: Os Superamigos!!! Batman, Superman, Mulher Maravilha juntos em uma mesma aventura e agora acompanhados do Aquaman (você não imagina a decepção que foi quando descobri que o verdadeiro cavalo marinho não podia ser “cavalgado” por um humano como na animação...), Lanterna Verde, Gavião Negro e tantos outros. E como não lembrar da frase “Enquanto isso, na Sala de Justiça...”? Era o máximo para qualquer menino que cresceu sem computadores ou tecnologia avançada e precisava fazer de sua imaginação um terreno fértil para suas brincadeiras.
Longa esta introdução. Eu concordo. Mas precisava que você tivesse uma pequena noção de como eu estava ansioso para assistir a primeira aventura cinematográfica da Trindade da DC Comics. E com o bônus de ser a introdução para o filme da Liga da Justiça...
Acabei de sair do cinema. E... que filme!!!! Um filme diferente de tudo que se pode esperar em um filme de heróis de quadrinhos. Ele é construído de forma simples e lenta... tudo tem um motivo... uma razão... desde a apresentação dos personagens até o ápice do filme, tudo acontece para desencadear outra situação... e depois outra... e mais outra. Formando, desta maneira, uma história sólida e que faz sentido dentro do DCUniverse.
Antes do filme começar, eu confesso que estava com um pé atrás por culpa exclusiva dos trailers divulgados. Achei que a Warner tinha entregado muito mais que deveria. Conclusão? Me enganei completamente!! O enredo te faz acreditar o tempo todo que você está vendo uma coisa quando ele te conduz para outra totalmente absurda e, ao mesmo tempo, verossímil para o que se propõe a contar. Ponto mais que positivo para a direção de Zack Snyder com o roteiro do oscarizado e competente Chris Terrio com auxílio do já tarimbado nas adaptações David S. Goyer. Me senti em um show de ilusionismo quando tudo acabou.
Henry Cavill é definitivamente o Superman do Século XXI nos cinemas. Aqui ele desenvolve um personagem que, apesar de todo o apelo messiânico de um lado e ameaçador de outro, preserva uma inocência e espírito de fazer o bem acima de qualquer situação. E o filme é sim uma continuação direta de “O Homem de Aço”: aqui tudo é conectado ao filme de forma a dar consistência e um peso histórico ao personagem.
Gal Gadot nos traz uma Mulher Maravilha misteriosa e ao mesmo tempo guerreira. É visível o gosto pela batalha e pelos jogos de guerra que, por vezes, ela tenta despistar. Um dos pontos altos do filme, sem dúvidas. Uma atuação segura e que tem tudo para entregar um filme solo da personagem muito acima da média que estamos acostumados como audiência.
O elenco de apoio é um show por si só. De um lado, temos Amy Adams que faz de sua Lois Lane uma personagem ainda mais segura e determinada do que vimos no primeiro filme. Ela é o elo entre Clark e a humanidade. E isso é muito bem explorado. Do outro lado temos Jeremy Irons com um Alfred bem fiel aos quadrinhos: armeiro, mecânico, conselheiro, pai, estrategista e mordomo nas horas vagas.
Meu único porém é o Lex Luthor de Jesse Eisenberg: extremamente inteligente e sagaz como nos quadrinhos, mas com um tom a mais de loucura e obsessão que o necessário. Fez um trabalho superior aos de Gene Hackman e Kevin Spacey no quesito caracterização de um personagem já existente em outra mídia, mas ainda não é o Lex que eu gostaria de ver na telona.
Deixei propositalmente o Batman de Ben Affleck por último. Eu aprendi quando reclamei muito das escolhas de Heath Leadger para viver o Coringa e Daniel Craig como 007: falei muito nas redes sociais quando os anúncios foram feitos e tive a humildade de reconhecer e aplaudir o excelente trabalho feito pelos dois. Claro que eu tinha medo por causa de “Demolidor”. Mas ao mesmo tempo, Ben Affleck nos entregou uma atuação segura em “Argo”. Eu estava literalmente dividido. Mas deixei que o seu trabalho falasse por ele. O resultado? Esqueça Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney e Christian Bale. Ao término da projeção, você terá visto a primeira caracterização fiel do personagem nos cinemas. Sombrio, paranoico, detetive, estrategista, preparado para as situações, vemos um Bruce Wayne/Batman completo nas telas. Bem Affleck não é mais um Batman. Ele é O Batman. Apesar de ser uma continuação direta de “O Homem de Aço”, o Batman de Ben Affeck rouba o filme quando aparece. E o melhor: nos deixa com vontade de continuarmos vendo este personagem nos cinemas.
Um grande filme. Além de uma boa história, nos apresenta de forma lógica os personagens do vindouro filme da Liga da Justiça. Na minha humilde opinião, o melhor baseado em histórias em quadrinhos disparado. Vá conferir o quanto antes nos cinemas. Só me faça um favor: não conte nenhum segredo do filme! Deixe que cada um viva sua experiência sem saber de spoilers desnecessários.