Não gosto da tradução do título em português deste filme. Embora retrate a realidade dessas três mulheres fantásticas, que foram muito além do que poderia ser esperado de três mulheres negras nos anos 60 nos EUA, o título original me parece bem mais pertinente. Hidden Figures (algo como ‘figuras escondidas’) mostra o clima mesmo do filme, onde três das mentes mais brilhantes que já trabalharam na NASA passaram por uma infindável batalha para mostrar seu potencial. Para elas, não bastava demonstrar ser as melhores em suas áreas. Era necessário que fossem extraordinariamente melhores. Segregação, preconceito, falta de oportunidades baseadas simplesmente pela cor da pele. Tudo parece ser tão distante da nossa realidade atual, ainda que o racismo esteja bastante em voga em nossa sociedade, mas se considerarmos o momento histórico e analisarmos que tudo isso se passou há tão pouco tempo é algo que leva a vários questionamentos que teimam martelar em nossas cabeças. Banheiros, bebedouros, cafeteiras, livros, todo um setor de uma companhia... tudo separado entre o que era destinado para brancos e para os negros. Mesmo com todo racismo que ainda vemos todos os dias na nossa sociedade, em sua infinidade de casos absurdos que ainda ocorrem em pleno 2017, me parece que a lição do filme é muito mais valiosa do que possa parecer a princípio. Katherine Johnson (Taraji P. Henson) é uma matemática brilhante desde a infância, e acaba por desempenhar papel fundamental no envio do primeiro americano ao espaço; Dorothy Vaughn (Octavia Spencer), que mesmo tendo um cargo de supervisão, não é reconhecida como tal; e Mary Jackson (Janelle Monáe) que tem o sonho de se tornar a primeira engenheira negra a fazer parte da NASA. Esse trio de atrizes fantásticas merece todos os destaques possíveis. Henson tem uma interpretação fantástica, cheia de nuances, onde a doçura sempre se faz presente, mesmo nos momentos mais horrorosos de puro ultraje. Spencer é sensacional. Que atriz impressionante! Algumas de suas cenas são as melhores do filme, como aquela do banheiro onde ela e Kirsten Dunst se encontram. E Janelle Monáe foi uma ótima surpresa, pois conhecia seu trabalho como cantora e cheguei a assistir ao seu show no Rock In Rio, e vê-la brilhar em cena foi algo simplesmente encantador. Ainda no elenco vale destacar a presença de Kevin Costner, voltando a ter um papel realmente relevante; Jim Parsons, tentando ser bem diferente aqui do seu icônico Sheldon Cooper de The Big Bang Theory, assim como Kirsten Dunst, num papel menor, mas também bem diferente do que costuma fazer. Se a direção não é brilhante, podemos dizer que só por tratar de um assunto de tamanha importância, o filme precisa ser visto. Alguns momentos exagerados e que forçam no clichê, como no “suspense” para saber se tudo dará certo durante a experiência de trazer o astronauta americano de volta a Terra, são alguns deslizes que não chegam a comprometer o resultado final. Trata-se de um filme obrigatório, sobre racismo, superação, busca por sonhos e com final feliz, apesar dos percalços.