Baseado no best seller mundial homônimo escrito por John Green, “A Culpa é das Estrelas”, filme dirigido por Josh Boone, tem se tornado também, à sua maneira, um fenômeno, na medida em que, em seu final de semana de estreia, o longa foi o filme mais visto tanto nos Estados Unidos (onde arrecadou mais de 100 milhões de dólares) e no Brasil (onde foi visto por mais de um milhão de espectadores). Isso é um tributo direto ao carisma da história escrita por Green, que conquistou fãs ao redor do mundo.
“A Culpa é das Estrelas” é um romance no melhor estilo “Love Story – Uma História de Amor”, filme dirigido por Arthur Hiller, ou “Um Amor para Recordar”, filme dirigido por Adam Shankman. Poderia ser uma obra literária escrita por Nicholas Sparks, mas as semelhanças param por aí. O estilo de John Green é bem menos fantasioso em relação à vida. Chama a atenção no decorrer da história de “A Culpa é das Estrelas” a forma realista com a qual as personagens encaram seus prováveis destinos – apesar de uma figura como Augustus Waters (Ansel Elgort) ser um pouco caricata.
Augustus Waters conhece Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) num grupo de apoio para pacientes com câncer. Ele está em remissão de um osteossarcoma. Ela conseguiu uma sobrevida de um câncer de tireóide com metástase nos pulmões após utilizar uma droga experimental. Se Hazel vive uma existência solitária, confinada dentro de casa, sem amigos; Augustus é o contrário dela: ex-atleta, dono de um senso de humor espirituoso, ele está ali para dar força aos amigos e ajudá-los a superar as dificuldades de uma jornada difícil como a do tratamento contra o câncer.
“A Culpa é das Estrelas” retrata o encontro entre estes dois personagens, mais precisamente acompanhando a maneira como Hazel e Augustus modificam um ao outro, de forma permanente, por meio do relacionamento que nasce entre eles. É uma história de amor realista dentro da realidade na qual eles estão inseridos, mas que, ao mesmo tempo, é intensa pela maneira como eles a vivem e, de certa maneira, inspiradora para todos nós.
Adaptar um livro que é um fenômeno mundial é uma tarefa muito difícil, porém a impressão que “A Culpa é das Estrelas” me dá é a de que esta é uma adaptação cinematográfica um tanto segura, que não arrisca muito e que se apoia – acertadamente – na sua dupla de atores centrais. Ansel Elgort e Shailene Woodley não só possuem uma excelente química (não custa nada lembrar que eles interpretaram irmãos em “Divergente”) como também nos fazem entrar de cabeça no relacionamento que nasce entre Hazel e Augustus. Este é um filme emocionante, sem ser manipulador, e que é muito contundente na transmissão da sua mensagem principal: a de que, ao vivermos, estamos sujeitos à dor e às cicatrizes advindas dela; mas que, é ao vivenciar este tipo de experiência que estamos prontos para o passo seguinte, em que poderemos experimentar a felicidade em sua forma mais plena.