Dependendo diretamente de uma excelente performance e inteligente roteiro para não ser monótono, Locke consegue (mas por pouco) ser uma experiência diferente e prazerosa
É preciso apreciar a coragem que existe por trás de fazer um filme como Locke. Tiro meu chapéu para Steven Knight, diretor e escritor desse experimental e original longa inglês. Porque? O filme todo se passa em um carro. Isso mesmo. Quer mais? Há apenas um homem no carro, ou seja, todos as falas do filmes ou são diálogos que ocorrem pelo telefone ou são monólogos. Sim, é isso mesmo. Um dos filmes odiados e adorados por muitos ao mesmo tempo, Locke é algo que vale a pena ver, nem que seja para matar a curiosidade de como diabos foi executado.
Ivan Locke (Tom Hardy, que consolida nesse filme seu talento, carregando nas costas o filme) é um homem que vai ter sua vida virada de ponta cabeça em uma hora e meia. Ao ter que abandonar seu trabalho para uma tarefa desconhecida, Locke se vê preso em conflitos com sua família, seu chefe e seus próprios demônios pessoais, tudo isso em um carro e toda a história se desenvolvendo e sendo explicada por meio de telefones que Locke faz ou recebe.
Possivelmente uma metáfora sobre como pode haver problemas nos lugares menos suspeitos (nunca se sabe como é a vida em outros carros, o que esta acontecendo com as pessoas dentro dele, como são suas vidas e quais são seus problemas mas sempre assumimos que o outro é banal, pacato e nós somos originais, diferentes, nós temos muitos problemas e os outros só estão vivendo sua calma vida enquanto eu batalho para viver a minha) e sobre como cada pessoa tem problemas, Locke é algo que vale a pena ser visto. O que motivou a ver esse filme foi o seu conceito, o fato de Tom Hardy ser o protagonista e sua nota incrivelmente alta no site Rotten Tomatoes. Valeu a pena.
O diretor faz o que pode com o obviamente limitado espaço que ele tem para inovar mas como roteirista, oferece uma curiosa e extremamente original forma de contar uma história, possivelmente criando um novo paradigma para algumas batidas versões de storytelling.
Apesar de tudo isso, Locke é sim um filme que exige paciência do espectador, mas, caso este ofereça esta para o filme, será bem recompensado.
Nota: 7/10