Há quatro anos, em 2012, chegava aos cinemas o longa A Branca de Neve e o Caçador, dirigido por Rupert Sanders, que tinha como objetivo dar uma repaginada na história clássica da Branca de Neve e ao mesmo tempo manter a sua essência. Embora não tenha sido um sucesso tanto de crítica quanto de público, o filme estrelado por Kristen Stewart cumpriu com seu objetivo e se fez bom entretenimento.
Agora, anos depois, uma sequência surge: O Caçador e a Rainha de Gelo. Como no título, não há presença da Branca de Neve no filme e a direção vai para as mãos do supervisor de efeitos especiais do primeiro longa, Cedric Nicolas-Troyan.
A sequência que dessa vez divide o protagonismo para Chris Hemsworth e Jessica Chastain segue praticamente os mesmos elementos e a linha de raciocínio de seu antecessor. E sendo assim, o que torna essa sequência tão inferior em relação ao seu anterior? A resposta é simples: o roteiro fraco e nada criativo de Graig Mazin.
Seguindo os acontecimentos de A Branca de Neve e o Caçador, O Caçador e a Rainha do Gelo trata da história de Eric (Chris Hemsworth), que após ajudar a Branca de Neve (Kristen Stewart) vingar a morte de seu pai e retomar o Reino, vive tranquilamente nos bosques. Sua tranquilidade é abalada quando recebe uma tarefa árdua: tentar resgatar o maligno Espelho Mágico da destronada Rainha Ravenna (Charlize Theron) e levá-lo ao Santurário; por que, se caso este cair em mãos erradas, os resultados podem ser catastróficos. Eric aceita a tarefa e parte em busca do espelho ao lado dos anões Nion (Nick Frost) e Gryff (Rob Brydon) logo após descobrir que Freya (Emily Blunt), a Rainha de Gelo do Norte sabe de sua existência e quer tê-lo em seu poder.
"Eu já ouvi falar dessa história!". O diálogo dito pela personagem Freya, de Blunt, nos minutos iniciais de filme resume boa parte da linha de raciocínio que esse filme segue. Mas, mesmo seguindo a linha de pensamento de seu antecessor e usando de seus mesmos elementos, O Caçador e a Rainha do Gelo peca mais por contar com um roteiro bastante fraco. Mesmo que clichê e previsível, o filme de 2012 tinha seus atrativos, e comparando com este o filme de 2016, o longa de Cedric Nicolas-Troyan parece mais uma aventura paralela no mundo da Branca de Neve.
Falando em Branca de Neve, não há sequer uma aparição sua no longa. Só é citada realmente através de diálogos e Eric, que na aventura anterior passou maiores bocados ao lado da princesa, mal se lembra dela. Claro que outros fatores — como o envolvimento de Stewart com o diretor Sanders — implicam para a ausência da personagem; contudo, mesmo não sendo uma atriz perfeita, pelo menos para quem assistiu a primeira produção, a falta de Kristen Stewart pode deixar um vazio.
Tratando-se de fantasia, o filme não peca, e aqui prova que bebe de uma fonte inesgotável de imaginação. Com uma nova história independente da Branca de Neve, o diretor Nicolas-Troyan procura explorar mais o fantasioso, com a nova Rainha Freya, seu Reino e a sua Ditadura; os poderes do Espelho Mágico e Globins e fadas a enfeitar os cenários coloridos do reino mágico. Contudo, junto com essa nova fonte de imaginação, veio um preço: a pressa.
Aqui, pela primeira vez, é apresentada a irmã da Rainha Ravenna, Freya, na qual nunca ouvimos falar no primeiro longa e conta com um rápido prólogo para explicar sua origem. Até aí, tudo bem. Tudo bem pelo menos até chegarmos ao casal principal: os Caçadores Eric e Sara (Jessica Chastain).
No filme de 2012, o Caçador Eric foi apresentado como um camponês amargurado com a morte de sua esposa. Essa morte fora apenas citada raras vezes em diálogos. E na sequência ela é posta para fora de vez, como se "vomitada"; e, infelizmente, isso não cai muito bem, fazendo com que o romance fique apressado e mal desenvolvido já que está sendo apresentado pela primeira vez e o diretor não quis lhe dá muita atenção.
As cenas de luta conseguem alcançar o excelente e pender o filme para o lado bom. Os efeitos especiais são de qualidade: dos monstruosos Globins aos cenários gélidos da Rainha Freya. Conduzindo com os efeitos, o visual se torna ainda mais rico com todo o ótimo figurino e a maquiagem da parte dos personagens.
O alívio cômico do filme são, de fato, os anões, que apesar de certo pontos se tornarem descartáveis, conseguem cumprir o prometido ao lado de seus respectivos pares românticos: Sra. Bromwyn (Sheridan Smith) e Doreena (Alexandra Roach).
A atuação de Hemsworth não é péssima. Ele consegue se comportar diante das câmeras e apesar de alguns diálogos fracos acerca do amor — a tecla na qual o filme bate e falha miseravelmente — dá para engolir a sua atuação. O problema é, realmente, que se parece mais com um Thor 2.0. Continuando no mesmo nível do anterior, Charlize Theron compõe uma vilã impecável e temível. Emily Blunt e Jessica Chastain, que estreiam na possível franquia, apesar de não serem perfeitas fazem o esperado.
O Caçador e a Rainha do Gelo se trata, principalmente, de um filme de fantasia fantástica. Nesse aspecto, não falha. O problema, realmente, se torna o roteiro fraco e o mal desenvolvimento de alguns personagens. Fora isso, o filme consegue divertir e apesar de conter um final meio largado sua cena final de luta consegue nos tirar o fôlego. Resumindo: nada promissor, mas também longe de ser horrível.
Nota: 6,4/10