The Diary of Anne Frank
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Sarah Luisa
Sarah Luisa

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3,5
Enviada em 28 de setembro de 2026
O que dizer sobre Anne Frank? Uma menina que teve seus sonhos interrompidos de maneira tão brutal, justamente quando se encontrava no auge da adolescência, naquela idade em que começamos a descobrir quem somos, a imaginar quem desejamos ser e a fazer planos para um futuro que, para nós, parece quase infinito. Anne tinha sonhos, desejos, inquietações e toda uma vida que ainda estava por acontecer; entretanto, tudo lhe foi arrancado antes que pudesse descobrir que mulher haveria de se tornar. Muitos vão considerar Anne uma menina “chata” ao lerem seu diário ou ao assistirem às adaptações de sua história. Alguns podem julgá-la demasiadamente dramática, reclamona, egoísta ou imatura em determinados momentos. Mas, para mim, é precisamente isso que torna o diário tão extraordinário. Anne não estava escrevendo para parecer uma santa, uma heroína perfeita ou uma personagem digna de um livro de história. Ela era apenas uma menina. E talvez seja justamente isso que algumas pessoas deslembrem. Anne estava no meio de uma guerra, escondida durante anos, confinada em um pequeno espaço, convivendo diariamente com diversas pessoas, sem poder simplesmente sair pela porta quando estivesse irritada, triste, cansada ou necessitada de um pouco de silêncio. Não podia passear, encontrar os amigos, ir à escola ou simplesmente caminhar pelas ruas. Sua liberdade foi tomada. E, ainda assim, ela continuava sendo uma adolescente. Podia sentir raiva. Podia reclamar dos adultos. Podia discutir. Podia sentir ciúmes. Podia apaixonar-se. Podia ter pensamentos contraditórios e até mesmo comportamentos que hoje nos pareçam egoístas. E por que não haveria de ser assim? Ela não deixou de ser uma menina apenas porque o mundo ao seu redor estava mergulhado na guerra. É justamente por isso que considero o diário tão poderoso. Anne não escreveu somente sobre a guerra como faria um historiador distante, narrando datas, acontecimentos e números. Ela escreveu sobre aquilo que conhecia; o cotidiano dentro daquele esconderijo, as pessoas com quem convivia, as discussões, as pequenas alegrias, as irritações, os medos, os desejos e tudo aquilo que se passava dentro de sua própria cabeça. Ela estava registrando a vida como a conhecia naquele momento, dentro de um cubículo que, por mais de dois anos, tornou-se praticamente todo o seu universo. E há algo ainda mais interessante quando pensamos na publicação do diário. Talvez o diário, da maneira como hoje o conhecemos, jamais tivesse sido publicado se dependesse apenas da intenção inicial de Anne. Ela começou a escrever para si mesma, como quem encontra no papel um confidente silencioso. Posteriormente, depois de ouvir pelo rádio um apelo para que fossem preservados relatos da guerra, Anne passou a revisar e reescrever parte de seus escritos, pensando na possibilidade de publicá-los depois do conflito.

Então veio Otto Frank.

Após a guerra, seu pai, sendo o único dos moradores do esconderijo a sobreviver, ficou responsável por reunir e editar os escritos de Anne para a publicação. E é importante lembrar que ele não simplesmente pegou cada página e publicou tudo exatamente como havia sido escrito. Existem diferentes versões dos textos de Anne, e determinados trechos foram retirados ou modificados, inclusive passagens bastante pessoais. Isso significa que aquilo que conhecemos como O Diário de Anne Frank também passou por um processo editorial. Não estamos necessariamente diante de cada palavra escrita por Anne exatamente na ordem, na forma e com todos os detalhes em que ela originalmente os deixou. E, particularmente, isso me faz pensar em algo bastante doloroso; Anne escrevia para o futuro sem saber que não teria a oportunidade de conhecê-lo. Ela queria ser escritora. Queria publicar seus textos. Queria que suas palavras permanecessem. Ela fazia planos para quando a guerra terminasse, imaginava uma vida depois daquele esconderijo e escrevia acreditando que, algum dia, poderia sair dali. Mas não saiu. Anne morreu antes de completar dezesseis anos. E talvez seja essa a parte que mais me entristeça; enquanto escrevia sobre o futuro, ela não sabia que o futuro que imaginava jamais lhe seria concedido. Por isso, quando alguém diz que Anne era “chata” ou que reclamava demais, eu penso que talvez estejamos exigindo de uma adolescente aquilo que nem sempre exigimos de adultos. Anne não precisava ser perfeita. Não precisava ser sempre bondosa, sábia, corajosa ou gentil. Ela era uma adolescente vivendo uma circunstância absolutamente desumana. E talvez seja justamente sua imperfeição que faça com que ela continue tão viva em suas páginas. Se Anne fosse apresentada apenas como uma menina perfeita, sempre doce, sempre sensata e sempre heroica, talvez sua história parecesse distante demais de nós. Mas ela tinha defeitos. Tinha inseguranças. Tinha contradições. Tinha sonhos. Tinha desejos. Tinha raiva. Tinha esperança.

Ela queria viver.

E é justamente por isso que eu gostaria de deixar uma recomendação para quem se interessa pela história de Anne Frank; Anne Frank: Video Diary, disponível no YouTube. A proposta é deveras interessante, porque a produção parte de uma pergunta quase impossível de não imaginar; e se Anne tivesse possuído uma câmera para registrar a própria vida? A série é uma obra ficcional, evidentemente, e não uma gravação real de Anne. Mas ela imagina como poderia ter sido se, em vez de registrar seus pensamentos somente por meio das páginas do diário, Anne pudesse também olhar para uma câmera e falar diretamente conosco. É como se pudéssemos vê-la narrando aqueles dias com sua própria voz; contando sobre o esconderijo, sobre as pessoas que ali viviam, sobre seus medos, suas esperanças, suas discussões, suas paixões e até mesmo sobre aquelas pequenas coisas do cotidiano que, em meio a uma guerra, poderiam parecer insignificantes. E talvez seja precisamente isso que torne Anne Frank: Video Diary tão interessante para quem já conhece o diário. A produção nos permite imaginar uma Anne ainda mais próxima, não como a figura histórica que aprendemos nos livros, mas como a adolescente que existia por trás deles. Se você já leu o diário e alguma vez se perguntou como seria ouvir Anne contando aquelas coisas em vez de simplesmente lê-las, acredito que vale a pena assistir. É quase como atravessar as páginas do diário e perguntar; “E se Anne tivesse podido gravar tudo isso? O que teria dito? O que teria escolhido mostrar? Como teria contado a própria história?” No fim, talvez seja justamente essa a maior tragédia de Anne Frank; ela escreveu tanto sobre a vida que desejava ter, sobre aquilo que ainda pretendia fazer e sobre a pessoa que esperava se tornar, mas não lhe foi concedido tempo suficiente para descobrir nenhuma dessas respostas. Anne não teve apenas a infância interrompida. Teve o futuro inteiro interrompido.
Wilames Pereira da silva
Wilames Pereira da silva

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 6 de setembro de 2021
Tocante sensível, te prende do começo ao fim , os olhares do personagem , não tenho que reclamar , parabéns ❣️❣️❣️❣️❣️
Djulienni G.
Djulienni G.

6 seguidores 2 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 21 de outubro de 2017
Não me agradou o fato de ser uma biografia/adaptação do diário e terem inventado acontecimentos marcantes, de resto ok
Paulo M.
Paulo M.

3 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 15 de junho de 2017
Já conhecia a história através do livro, mas o filme foi sensacional. as atrizes são um show. ótimo filme.
Luiz Antônio N.
Luiz Antônio N.

30.884 seguidores 1.298 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 14 de janeiro de 2017
The diary of Anne Frank - eu já tinha assistido a versão de 1959 em preto branco essa versão achei bem diferente daquela versão anterior, nesta podemos ver como se estivessem bem mais liberdade no quarto onde eles ficavam sendo que na primeira versão eles não podiam se mexer quase dia inteiro para que ninguém pudesse descobrir onde eles estavam escondidos, mas também diferencial forte na primeira versão não mostraram depois dela ser capturada pelos nazistas e nessa mostraram mesmo que pouco mas mostraram, resumindo os dois filmes valem muito a pena tanto a versão de 1959 quanto essa atual
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