Tenho uma enorme admiração pela Jodie Foster. Atriz excepcional, fez filme incríveis, alguns deles icônicos como Taxi Driver e O Silêncio dos Inocentes. Como diretora, tampouco é novata. Neste seu novo filme, ela conta com eficácia um suspense que fala sobre um homem (Jack O’Connell) que num ato insensato, desesperado e extremo só quer, na realidade, a busca pela verdade. Ele invade os estúdios de um programa de televisão, onde o apresentador (George Clooney) teria sido um dos responsáveis pela perda de seus 60 mil dólares investidos em ações de uma empresa que perdeu 800 milhões num piscar de olhos. Não convém falar mais sobre a sinopse. O que vale aqui é registrar os bons momentos de tensão e ótimo ritmo que Foster consegue imprimir em seu filme. Os atores estão muito bem, com destaque óbvio para Clooney, O’Connell e Julia Roberts, que têm os papeis mais expressivos. Outro ponto interessantíssimo do filme é a crítica à cultura do espetáculo. O jornalismo maniqueísta, o host envaidecido, a exploração da desgraça, a ridicularização de momentos tragicômicos (uma alusão aos memes da internet e a viralidade das redes sociais é bastante interessante), e principalmente a alienação do público espectador desse circo televisivo. Tudo isso tem seu espaço no filme de Foster, que discute todos esses assuntos de maneira bastante contundente para um mero thriller. Pena que o roteiro acaba forçando a barra em algumas passagens que não contarei aqui, pois sou avesso a spoilers. O final é extremamente previsível e esperado, mas o filme vale muito a pena por todas as qualidades que já citei. O levantamento de tais questões tão grandiloquentes e atuais merece mais espaço nas artes em geral. Um momento bem emblemático do filme é quando, na rua, os transeuntes carniceiros e/ou voyeuristas, mesmo em frente a uma provável tragédia prestes a acontecer, estão lá, assistindo ao “espetáculo lastimável”, quase que com pipoca em mãos e óculos 3D cobrindo os olhos para a dura realidade. Poderia ser ainda mais incisivo, e se não fosse os deslizes no roteiro, tinha tudo para ser um marco. Ainda assim, é um filme bastante relevante e que vale muito a pena. Diversão praticamente garantida. Um verdadeiro espetáculo armado.