Dívida de Honra
Média
3,7
204 notas

28 Críticas do usuário

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Ricardo M.
Ricardo M.

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4,0
Enviada em 19 de abril de 2015
Em Busca de Redenção

Notoriamente, muitos astros do cinema acabam exercitando suas habilidades cinematográficas escrevendo roteiros, produzindo ou dirigindo filmes. Alguns desses indivíduos não se saem bem e desistem de imediato, outros, como Tommy Lee Jones, não só se deu bem como tem dirigido filmes de tempos em tempos.

Na nova aposta de Jones, ele atua como produtor, roteirista, diretor e ator, permitindo que essa miscelânea nos presenteie com uma obra dramática acima da média, com ótimos momentos e uma história belíssima por sua simplicidade.

Na película em questão, a ótima Hilary Swank interpreta Mary Bee Cuddy, uma jovem infeliz que não conseguiu casar e sempre foi rejeitada por conta de sua autoridade e autonomia, algo que os homens da época relatam claramente o incômodo. Insatisfeita com tais atitudes dos homens, ela se entrega a empreitada de transportar três mulheres com problemas mentais do estado de Nebraska para Iowa, sozinha e com recursos mínimos.

Durante o percurso, Cuddy encontra Georges Briggs (Jones, em excelente performance) a beira de perder a vida. Para salvá-lo, ela exige que o mesmo se junte a ela no transporte das mulheres. Bom, a partir desse encontro somos presenteados com diversas situações, sejam elas tristes ou engraçadas, sempre visando complementar a difícil tarefa abraçada pelo casal de protagonistas.

Hilary Swank carrega o peso dramático de sua personagem de forma exemplar, assumindo a delicadeza e a rigidez sempre que são exigidas. Ao encarar uma tarefa tão complicada, se esforça ao máximo para executá-la, mostrando que as mulheres não são monstros e muito menos malucas, mas as circunstancias que criaram tal situação e a atenção faz toda a diferença, já que notamos algumas mudanças com o cuidado oferecido ao trio feminino.

Tommy Lee Jones faz uso do recurso de flashbacks para contar o passado das mulheres transportadas, com sutilezas e deixando o espectador captar os permenores de cada uma delas, já que as motivações que as deixaram mentalmente instáveis são críticas e merecem cuidado na exposição. São poucos, devo admitir, mas é o suficiente para que sejamos complacentes com essas pessoas e seus sofrimentos.

No aspecto gráfico do filme, a escolha das locações não poderiam ser melhores, pois não somente a cidade onde tudo começa, mas todo o trajeto passa por cenários secos, cuja fotografia soa inspirada para mostrar a simplicidade das casas, vestuário e relevo por onde a dupla principal viaja. Isso permite compor uma história ainda mais crível e elevar o caráter de drama de forma estratosférica, dadas as dificuldades que o ambiente e a época criam no contexto.

THE HOMESMAN é um filme prazeroso de se ver, com uma aposta dramática convincente, ainda que Meryl Streep apenas "visite" a produção, temos umas duras horas envolventes e cativantes. Apesar de uma situação inesperada ocorrer no início do terceiro ato, deixando o espectador perdido, as ações seguintes são dignas de nota, mostrando como a tolerância e solidariedade são plenamente capazes de promover a redenção.

RECOMENDADÍSSIMO !!!
Felipe F.
Felipe F.

3.725 seguidores 758 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de agosto de 2018
Uma inovação ao trazer a loucura no gênero western, é interessante a forma que é abordada e os personagens são bons. As atuações são boas assim como a fotografia e a trilha sonora. O roteiro peca um pouco no ato final, e o plot twist no começo do último ato é ótimo. Bom filme.
Felipi V.
Felipi V.

9 seguidores 20 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 3 de abril de 2015
Se em “Três Enterros / The Three Burials of Melquiades Estrada” (2005), Tommy Lee Jones, utilizava o Texas para discutir a forma como os Estados Unidos tratam os estrangeiros mexicanos. Em “Dívida de Honra / The Homesman”, de 2014, ele usa o faroeste para polemizar o tratamento histórico dado a importância feminina para a construção da América durante o período. Mesmo que o filme não cative facilmente por falta de cenas de ação, com certeza, em uma época como a nossa, em que o feminismo é cada vez mais forte, este é um filme de um ator/diretor preocupado com as demandas do seu tempo, tanto que apesar de o longa-metragem não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, ele figurou na Seleção Oficial do Festival de Cannes de 2015.

A trama é baseada no romance homônimo de Glendon Swarthout, publicado em 1988, que se passa num pequeno vilarejo da cidade de Nebraska, no Texas. Três mulheres da comunidade apresentam quadros psicológicos graves e violentos, fazendo com que parem de falar, ameacem as pessoas com maldições ou até mesmo assassinem seus filhos recém-nascidos. Quando decidem enviar as mulheres para tratamento no estado vizinho, Iowa, diante da hesitação dos homens da cidade, Marie Bee Cuddy (Hilary Swank) se oferece para levá-las na viagem de mais de uma semana, mesmo sendo uma mulher sozinha. Durante os preparativos para a viagem ela se depara com um homem de idade avançada e maltrapilho, Georges Briggs (Tomy Lee Jones), que foi deixado sobre um cavalo para ser enforcado, salvando a sua vida com a condição de que ele a acompanhasse na jornada.

Discutir a formação da nação norte americana, através da figura feminina não é a abordagem mais comum em filmes sobre o velho oeste, ainda que elas tenham ganhado um pouco mais de espaço a partir das produções “revisionistas”. Ainda assim, na maioria deles, as mulheres são apenas personagens coadjuvantes, que pouco influenciam nas ações dos homens. Entretanto, desde que os filmes sejam tecnicamente deslumbrantes, o público do gênero está mais interessado em ver histórias de vingança, com homens atirando uns nos outros - portando suas Colt e Winchester, do pensar sobre a violência doméstica e machista da época. E é por isso que as produções mais focadas nas discussões do que na aventura, são menos assistidas e comentadas.

Dívida de Honra retrata essa discussão satisfatoriamente, com suas personagens levadas ao extremo da depressão, mesmo a mais forte delas. E como não se deprimir em uma época que além da violência masculina generalizada, elas tinham que conviver com a escassez de alimentos, o calor escaldante do deserto, o frio congelante do inverno e a mortalidade dos filhos por causa das condições precárias. Se na sociedade moderna as doenças mentais são abundantes, como seria no séc. XIX? E é esse o grande mérito do filme, retratar as dificuldades e os dramas sofridos por elas é rediscutir a visão glamorosa e injusta que este tipo de cinema perpetuou por muito tempo.

Este é o segundo longa-metragem de Lee Jones para o cinema, que dirigiu outros dois para a TV, “Os Bons e Velhos Companheiros / The Good Old Boys” (1995) e “The Sunset Limited” (2011). Este segundo, um ótimo telefilme produzido para a HBO, baseado em um livro de Cormac McCarthy, que tem outros livros adaptados, como “Onde Os Fracos Não tem Vez” (2007) e “A Estrada” (2009). Mesmo com pouca experiência, como diretor, ele demonstra aptidão e competência adquiridos em sua longa carreira de mais de setenta filmes como ator.

Além da fotografia empoeirada que confere verossimilhança à obra, o elenco foi bem escalado para representar cada personagem. Swank combina muito com a mulher forte e à frente de seu tempo, que não representa o padrão, tanto de beleza como o de personalidade, para a sua época e por isso tem dificuldades para encontrar um parceiro e uma colocação que a satisfaça naquela sociedade ultrapassada, principalmente por conflitar com seu grau de instrução. Tommy é o homem que já não encontra espaço em um mundo em transição, onde os seus hábitos já não são mais aceitos, mas que guarda valores, que apesar de conflituosos, se tornam necessários em qualquer tempo. E o “casting” conta ainda com uma pequena participação de Maryl Streep, além de a filha dela ser uma das atrizes coadjuvantes que aparecem na maior parte do filme.

Apesar de The Homesman encaixar-se no termo “revisionista”, não é um longa-metragem comum dentro do seu próprio gênero, por isso pode causar estranheza em quem procure o modelo clássico de “western” e soar monótono em alguns momentos. Ainda que apresente alguns clichês característicos de faroestes, não vem acompanhado da ação e a violência explícita que a maioria das produções contemporâneas trazem e que geralmente agradam os espectadores, sendo na maior parte do tempo sustentado por diálogos e ações relativamente realistas. No entanto, para quem assisti-lo levando em consideração seu contexto histórico, pode ser positivamente surpreendido pelo seu conteúdo reflexivo, crítico e por vezes trágico, obtendo uma experiência cinematográfica bastante satisfatória.
cinetenisverde
cinetenisverde

29.471 seguidores 1.122 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 17 de janeiro de 2017
Um faroeste estilo grande aventura parecido com Bravura Indômita, mas que promete ser mais cruel, selvagem e sem muitas firulagens além do fato da viagem envolve o transporte de diversas mulheres transtornadas. Se hoje em dia há poucas pessoas dispostas a cuidar de malucas, imagine no velho oeste.
Antowan
Antowan

17 seguidores 184 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 26 de novembro de 2018
O filme é excelente , pena que não vi o final pq acabou a energia e nunca mais passou na grade de programação
valmyr b
valmyr b

59 seguidores 275 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de março de 2024
Grande filme. Atuações soberbas. Fotografia e locações lindas. Roteiro complexo, mas não tanto que impeça sua compreensão a partir de premissas sócio-antropológicas; não é para principiantes (rsrsrs). No fim, fica-se tentado a achar que a história poderia ter um desfecho "deste ou daquele jeito"; entretanto, Tommy Lee obriga-nos a mergulhar nas almas dos personagens, que desnudam a própria essência humana. Leva quatro estrelas!
Carlos V.
Carlos V.

4 seguidores 7 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de março de 2015
Muito bom esse filme. Roteiro, direção, fotografia e elenco perfeitos
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