Top Gun: Ases Indomáveis
"Top Gun" foi lançado em 1986, dirigido por Tony Scott, produzido por Don Simpson e Jerry Bruckheimer. O roteiro foi escrito por Jim Cash e Jack Epps Jr., e foi inspirado em um artigo intitulado "Top Guns", escrito por Ehud Yonay e publicado na revista California Magazine três anos antes. É estrelado por Tom Cruise como o tenente Pete "Maverick" Mitchell, um jovem aviador naval a bordo do porta-aviões USS Enterprise. Ele e seu oficial de interceptação de radar, tenente (grau júnior) Nick "Goose" Bradshaw (Anthony Edwards), têm a chance de treinar na Escola de Armas de Caça da Marinha dos EUA (Top Gun) na Estação Aérea Naval Miramar em San Diego, Califórnia.
Nas décadas passadas era muito comum ouvir uma certa música e associá-la diretamente à algum filme, ou vice e versa. Isso aconteceu no ano 1986 com o filme "Top Gun" e a canção "Take My Breath Away", da banda californiana Berlin. Tanto o filme quanto a música são verdadeiros patrimônios dos anos 80, a pura essência oitentista, verdadeiros clássicos daquela década.
"Top Gun: Ases Indomáveis" é a verdadeira definição de um clássico oitentista, o diretor Tony Scott (do ótimo "O Sequestro do Metrô 1 2 3") entrega tudo que um clássico daquela década precisava: um romance regado com uma belíssima trilha sonora, belas aeronaves, ótimos embates aéreos, grandes desafios cheios de tensão, sempre misturado com bastante ação (que de fato não poderia faltar). Sem falar que o roteiro elabora todo um percurso para nos confrontar com uma trama que de fato é desenvolvida como um filme de ação, porém com nuances de um drama, de um romance, tocando em pontos como o amor e a amizade, os conceitos e os valores que estão por trás de um relacionamento de amor, de amizade, de respeito, de admiração, de engrandecimento, de atitude, de caráter, de ego. Tudo é trabalhado em cima dos desafios, da ambição, da conquista, do fracasso, da vitória, da derrota, do ganho e consequentemente da perda.
Podemos considerar que "Top Gun" teve um grande peso e uma grande participação em consagrar toda mitologia em torno do piloto de caça naval e das aviações embarcada e costeira. Assim como também podemos considerar a grande influência sobre todas as pessoas que se fascinaram com a aviação e decidiram seguir carreira nessa aérea usando o filme como base motivacional (sim, isso acontecia nos anos 80). O filme teve tanto peso para a história e tanta influência que até hoje é impossível você assistir um documentário, ler um livro, ou até assistir um filme sobre aviação naval e não se lembrar de "Top Gun". Por falar em influente, a produção do longa contou com a colaboração do Pentágono e da Marinha Norte Americana em seu desenvolvimento.
Todo grande clássico possui cenas emblemáticas e memoráveis, e em "Top Gun" não é
diferente. Aquela abertura clássica do F-14 (hoje praticamente peça de museu) até hoje nos eleva ao extremo saudosismo. A cena épica do Tom Cruise pilotando a clássica Kawasaki GPZ900R contra o Jato. Os embate aéreos entre o F-14, o MiG 27 e o P-51 Mustang. Realmente o filme tem o poder em despertar a nossa nostalgia e o nosso saudosismo.
O diretor Tony Scott (falecido em 2012) foi muito autêntico ao nos proporcionar um trabalho de câmeras incríveis, onde tínhamos a exata dimensão de todos os confrontos aéreos, e olha que estamos falando de uma produção dos anos 80, onde consequentemente não tínhamos toda estrutura tecnológica de hoje. O trabalho de fotografia é maravilhoso, podíamos sentir toda potência dos jatos rasgando os céus em altíssima velocidade (o mesmo vale para o excelente trabalho de som). E acompanhando todo esse misto de emoção e ação temos a música chiclete dos anos 80 - "Danger Zone", de Kenny Loggins. Acima eu destaquei a canção "Take My Breath Away", que realmente ficou como a música mais conhecida e a verdadeira personificação de "Top Gun: Ases Indomáveis", até pelos prêmios que ganhou. Porém, "Danger Zone" também ficou eternizada nesse clássico oitentista.
Hoje em dia muitas pessoas classifica "Top Gun: Ases Indomáveis" como um filme superestimado (depois do lançamento de "Top Gun: Maverick" ainda mais). Realmente o filme enfrentou diversos problemas na época das suas filmagens, como o fato do estúdio querer demitir o diretor por causa da icônica cena do jogo de vôlei na praia. Sem falar que muitos executivos da Paramount começaram a considerar o trabalho de Tony Scott como largado e com pouco empenho. Confesso que em questão de enredo o longa realmente deixa a desejar, e muito por sua história ser bem rasa e pouco desenvolvida, onde o próprio desenvolvimento de personagens é pouco abrangente - como no caso do próprio embate, rivalidade e enfrentamento dos personagens "Maverick" e "Iceman" (Val Kilmer). O próprio Val Kilmer não queria atuar no filme e só participou devido a obrigações contratuais que tinha na época. Todo o romance que é vivido no filme pelos personagens do Tom Cruise e da Kelly McGillis é charmoso, é bem a cara dos anos 80, porém é bem sessão da tarde, bem raso e falta um aprofundamento. Acredito que a parte romântica do filme é mais lembrada pela trilha sonora do que propriamente pelo romance em si.
Tom Cruise estava sendo praticamente alçado ao sucesso e ao posto de galã na época, ganhando projeção para depois interpretar papéis importantes em outros filmes de destaque. Uma boa atuação condizente com um personagem rebelde porém bastante destemido.
Val Kilmer, que estava praticamente estreando na carreira, compõe uma espécie de vilão (ou antagonista) até interessante, dentro das limitações do seu personagem.
Kelly McGillis, que também estreava na carreira, foi uma boa escolha para o par romântico com Tom Cruise.
O elenco ainda conta com Tom Skerritt (Mike "Viper" Metcalf), da obra-prima "Alien, o 8º Passageiro"(1979).
Anthony Edwards (Nick "Goose"), de "O Cemitério Maldito 2" (1992).
Michael Ironside (Rick "Jester" Heatherly), do clássico "O Vingador do Futuro" (1990).
Tim Robbins (Sam "Merlin" Wells), que mais tarde faria o melhor filme de toda a sua carreira - "Um Sonho de Liberdade" (1994).
James Tolkan (Tom "Stinger" Jardian), que vinha do icônico "De Volta para o Futuro (1985).
E completando com a linda e jovem Meg Ryan (Carole Bradshaw), que três anos antes havia estreado no cinema com o clássico "Amityville 3" (1983).
"Top Gun: Ases Indomáveis" foi muito bem reconhecido em sua época e recebeu críticas mistas dos críticos de cinema envolvendo seus efeitos visuais e trilha sonora. Quatro semanas após seu lançamento, o número de cinemas exibindo-o aumentou em 45 %. Apesar de sua reação crítica inicial mista, o filme foi um grande sucesso comercial, arrecadando $ 357 milhões globalmente contra um orçamento de produção de $ 15 milhões, se tornando o filme doméstico de maior bilheteria de 1986. O filme manteve sua popularidade ao longo dos anos e ganhou um relançamento IMAX 3D em 2013. Além disso, a trilha sonora do filme se tornou uma das trilhas sonoras de filmes mais populares e inesquecíveis até hoje, alcançando a certificação 9 × Platinum. O filme ganhou um Oscar e um Globo de Ouro pela canção "Take My Breath Away". Uma sequência, "Top Gun: Maverick", foi lançada 36 anos depois, em 27 de maio de 2022.
Como já mencionei, muitos consideram "Top Gun" como um filme superestimado, já eu vou na contramão, o considero até como um filme subestimado. O longa foi muito importante pra sua época, lançou atores e atrizes, se tornou uma febre e foi completamente influente em várias mídias, marcou e moldou toda uma geração, fez história e deixou o seu legado que permanece vivo até hoje ("Top Gun: Maverick" que o diga).
"Top Gun: Ases Indomáveis" é um verdadeiro clássico e um patrimônio dos anos 80.