Quebrando a primeira regra.
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O Narrador é uma pessoa comum. Sua realidade é composta, genericamente, pelas acepções ofertadas pela Sociedade Pós-Moderna, isto é, resumidamente, a acumulação de bens e serviços. Porém, nenhuma dessas "incríveis" qualidades do Capitalismo parecem ser o suficiente, pois não reproduzem completamente uma acepção específica: a de progresso, ou seja, de esperança para continuar a viver. No entanto, surge uma inóspita oportunidade de reagir aos desatinos previsíveis da civilização humana, seu nome é Tyler Durden, um visionário que vive contra as regras impostas pelo Sistema. Nesse contexto, a parceira de ambos se torna um elemento teleológico, uma cláusula indispensável para revolucionar o mundo, e derrubar os pilares que sustentam uma sociedade infeliz. Assim, com o recrutamento de pessoas desgostosas com suas condições e dispostas a arriscar tudo, eles planejam o colapso da depressão e da insatisfação coletiva.
David Fincher é o responsável por unir ação, questionamento, psicose, drama e humor. Tudo com primazia. A sintonia destes componentes são definitivamente a marca registrada (e aprovada) do filme do qual todos deveriam falar. _Ou será que não?_
De acordo com o cineasta, nós estamos inseridos em uma prisão interna e externa. Costumamos implantar o dinamismo mórbido das relações sociais para dentro de nós mesmos, e se, por algum motivo, abrirmos o leque de opções alternativas, poderemos ter uma surpresa agradável no começo, mas que no fim é uma verdadeira farsa.
Se apegar ao fanatismo revolucionário é deixar de acreditar em um propósito existencial sectário para validar um outro, igual ou pior. Oferecer uma válvula de escape é tão audacioso que pode parecer belo, sensato, e prazeroso. Todavia, o comprometimento cego com uma causa ainda mais cega, é a raiz da alienação.
O longa de Fincher consegue denunciar a imposição cruel do Capitalismo, do Estado e das Instituições, exprimindo a asfixia da criatividade e do júbilo ao trabalharmos para o simples e nefasto objetivo de lucrar e fortalecer o desejo de empoderamento socioeconômico. Aonde está a reciprocidade de nossas ações? A visibilidade de ser está enterrada, para valorizar a oportunidade de possuir e acumular.
Simultaneamente, o diretor também enfrenta o problema da solução. Se o nosso interior não estiver resolvido, nossas ações estarão comprometidas, e o "Bem-Maior" não é nada mais do que uma ilusão, um devaneio que parece ser magnífico, sendo uma fantasia imoral descontrolada e não auditada pela consciência.
Além disso, temos inclusive um debate psicológico e uma revitalização amorosa, que alavancam a obra a níveis altíssimos e, claramente, geniais.
_Clube da Luta_ não é apenas um filme sobre pessoas que resolvem lutar uns contra os outros para se libertarem de suas prisões. É uma concepção de História destrutiva, é um alerta para o controle, é uma carta para o tratamento, é um apelo para a resignificação. Sua máxima é concluir que a verdadeira luta é interna.