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Gisele R.
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5,0
Enviada em 4 de março de 2014
É fato que A Grande Beleza descortina a decadência de Roma e da sociedade ocidental contemporânea, denunciando-lhe a superficialidade nos relacionamentos e a mediocridade nas almas. É também notória a dura crítica à perda de aura que acomete a arte em todas as suas manifestações, cada vez mais sujeitas a soluços egocêntricos desprovidos de sentido e intenções elevadas.
Mas o filme de Paolo Sorrentino é, sobretudo, uma reflexão cortante sobre a arte de envelhecer sem que se perca o afã de buscar razões para viver; é a história de um homem comum que se fez diferente pelo livro escrito há quarenta anos e que, durante este tempo, entre uma exuberância e outra da cidade pulsante, tem vivido em busca de alguma grande beleza capaz de justificar a sua existência. A vida mundana e confortável de Jep Gambardella confronta-se com um vazio interior inquietante diariamente emoldurado por cortes de linho sob medida para um Toni Servillo sessentão capaz de deixar muita mocinha apaixonada. Ele tem dinheiro, prestígio e inteligência. Mas lhe falta alguma (muita) coisa.
Festas regadas a bebidas, drogas e mulheres fáceis no sexo e difíceis na lida. Um trabalho que não o engrandece. A solidão de ter na assistente do lar o único esteio para conversas mais profundas. Jep é um homem intenso soterrado por essa vida demasiadamente prosaica. Mas, ao completar 65 anos, decide que pode abandonar uma mulher na cama porque não suporta ouvi-la falar de futilidades: “vou agora deixar de fazer o que não gosto”, diz ele. Também pode seguir alheio a strip-teases grosseiros, passar a noite com uma mulher e acordar feliz depois de não ter sexo com ela: “é bom sentir que simplesmente gostamos de alguém”, contempla, satisfeito.
As lembranças do amor da juventude, quando uma linda moça lhe apresentou as delícias do corpo numa praia paradisíaca, parecem ser apenas uma caricatura para mostrar que Jep não perdeu o vínculo com a pureza, com a simplicidade, com a sensibilidade, com a grandeza de alma. E, falando em alma, o diálogo com um cardeal romano revela as fragilidades do catolicismo e a premente necessidade do protagonista de refletir sobre espiritualidade e entender o que está por trás dos desígnios divinos. A Grande Beleza é, afinal, um filme de amor e esperança. De busca e contemplação.
Ao olharmos de perto uma obra prima nem sempre conseguimos entender ela como um todo. Quando analisarmos a fundo podemos achar muitas coisas que só um olhar atento pode achar. A interpretação de cada um é válida e interessante. O contexto histórico que a obra foi concebida também pode ajudar a se chegar a um denominador sobre a obra. Ao assistirmos A Grande Beleza tive a sensação de estar olhando para uma obra de arte e assim tentar interpretar ao máximo aquele conjunto de imagens maravilhosas que tive o prazer de assistir. A narrativa se passa em Roma e somos apresentados a Jep Gambardella (Toni Servillo) completando seus sessenta e cinco anos em uma festa muito animada junto de seus amigos. Jep é um escritor que realizou apenas um livro. Desde então entrou para a alta sociedade a qual o reverencia como um grande escritor. Há anos que não escreve e por isso é perguntado o porque ele não escreveu mais nada após sua obra “O Aparato Humano”. Aos poucos descobrimos que Jep teve um caso antigo que aparentemente ainda está mal resolvido em seu interior. Através de seus passeios pela cidade iremos vagar com ele através de imagens lindas e diálogos bem elaborados. Paolo Sorrentino não tem uma filmografia tão bem elaborada. Dirigiu filmes que não foram tão bem sucedidos. Neste, além de diretor desenvolveu o roteiro com Umberto Contarello e optou por uma narrativa que não poderíamos chamar de não linear, mas que também não é linear. Há certos momentos que parece fugir um pouco da realidade parecendo onírico. Com uma fotografia de Roma inigualável, o diretor de fotografia Luca Bigazzi capta a cidade de maneira que fiquemos apaixonados. É impossível não ficarmos deslumbrados com tamanha obra de arte que é Roma. A beleza é tão grande que um turista acaba morrendo “sufocado” pela beleza da cidade. Ainda há uma trilha sonora com violinos e corais que fundem com a fotografia e enaltecem ainda mais a beleza da cidade. Com interpretações de extrema sensibilidade todos os atores estão bem, mas é impossível não destacar Toni Servillo. Ele da vida a um Jep extremamente cativante que apesar da idade consegue desfilar um charme intelectual que seduz facilmente. Outro destaque na composição do personagem é o tom de voz. Com uma voz que nunca transparece um nervosismo, calma e suave acaba por ratificar uma grande sabedoria em seus diálogos. O diretor foca a história em uma Roma semelhante a de Fellini e aborda o vazio artístico daqueles que poderiam ser pensadores de uma sociedade (talvez caiba uma comparação com a Roma de Berlusconi). O próprio protagonista entrou para aquela sociedade por ter feito apenas um livro em toda a sua vida. Dessa forma assistimos a festas e bebedeiras de uma alta sociedade artística medíocre que está mais interessada em noites infernais do que em produzir algo substancial. Critica aqueles que querem fazer um tipo de arte tentando um rompimento com tudo já produzido. Acabam realizando algo vazio que nem eles conseguem explicar de maneira concreta o que criaram. Sem contar o incessante desejo de se manter novo que leva as pessoas a cada vez mais ficarem desfiguradas. Abordando o tema vida e morte de maneira maestra Paolo Sorrentino filma desde o início formas redondas, circulares, que enfatizam como a vida é um ciclo. Com sua câmera tenta elaborar movimentos circulares sobre os personagens corroborando com as circunferências. As imagens de jardins, iluminações e cenários sempre apresentam algo circular. O próprio prédio de Jep tem suas escadas nessa forma. O tema fica evidente. Inclusive isso é um tormento para Jep que começa a ver pessoas morrendo a sua volta e se interroga sobre a vida e a morte chegando a uma conclusão brilhante. A busca pela grande beleza faz Jep não enxergar o que realmente está a sua volta. Ao chegar no final percebe que na vida muita coisa está escondida em momentos do dia a dia e que se não nos atentarmos não perceberemos os “frágeis e inconstantes vislumbres de beleza” da vida. Assim quando acabamos de assistir ao filme temos a certeza de ter visto um momento de beleza em nossas vidas e que se compara a uma obra de arte.
Um retrato exuberante da rica mais apática e decadente Roma. Através do jornalista Jep Gambadella (Toni Servillo) e sua festa de comemoração dos seus 65 anos, o escritor e diretor Paolo Sorrentino cria uma obra que evoca Fellini de La Doce Vitta e nos oferece um cinema virtuoso, de uma Itália vazia e de uma riqueza decadente. Tem um dos enquadramentos mais inusitados e bonitos do cinema recente. Cenas belíssimas, inusitadas, loucas. E a forma como ele conta a história, sem nexo inicialmente, se justificando em seguida é refrescante. Uma jornada reflexiva sobre o envelhecimento e tempo desperdiçado. Curiosidade. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nota do público: 7.7 (IMDB) Nota dos críticos: 91%(Rotten Tomatoes) Bilheterias EUA - $2,8 milhões Mundo - $18,5 milhões Acesse o blog 365filmesem365dias.com.br para ler sobre outros filmes.
Um filme catártico no qual o espectador sairá do cinema reagregado e onde a vida ficará em perspectiva. Não se trata apena de magníficas imagens de Roma nas quais, para quem foi ou irá, compreenderá a razão pela qual é considerada uma das mais belas do mundo e com uma profundidade histórica estonteante para o mundo ocidental. A tese é apresentada logo no início do filme na qual um turista se defronta com sua beleza descomunal. O enredo é totalmente desconcertante, dramático e com um humor absolutamente inteligente. Dele não vou dizer nada na medida em que não quero estragar a surpresa de quem irá assistir recomento veementemente.
É só um truque, ma come è bello! Fotografia de tirar o fôlego. Trilha sonora esplêndida (afora os "tituns" da festa). Nem alegre nem triste. Eu diria: apaziguador. Seguinte: bellezza põe mesa sim e com muito esmero. Um banquete! Bravíssimo!
Sorrentino, através da arquitetura barroca de uma Itália decadente, mostra que a verdadeira beleza não esta por trás do luxo nem da estética e sim da simplicidade. Com semelhanças a obras de Fellini, A grande beleza pode ser considerada uma verdadeira obra-prima fragmentada, repleto de personagens hedonistas mascarados por uma vida superficial e de uma elite em ruínas em seus próprios valores que merece reflexão.
Uma obra de arte. O filme que te faz refletir se a vida realmente faz sentido. Paolo Sorrentino atingiu a perfeição neste filme. Toni Servillo, da alma ao filme, atuação simplismente excepcional. Um filme BRILHANTE.
Getting older sucks! Besides... the catholic church too !!! Pra um filme sobre a grande beleza.. nunca vi tanta gente feia junto.. excluindo-se, claro, Toni Servillo.. que esta alem disto..muito simpatico...Pra mim o filme é uma cínica crítica ao cinismo da igreja.. tao forte na Italia... e a irmã Maria me pareceu a madre tereza de calcutá e sua insana vida...O cardeal que gosta de dar receitas... tive vontade de soca-lo inumeras vezes.. enfim...um filme que precisa ser visto..
O cinema europeu andou meio cambaleante. De uns anos pra cá, vem sendo renovado, com bons diretores estreantes e outros nem tanto. E o que é mais admirável são os modelos narrativos utilizados. Este filme merece ser assistido, mas não se destina àqueles que não tenham já uma bagagem boa de memórias. Pois o filme trabalha em cima da memória e da sabedoria que só a experiência pode dar às pessoas. A Grande Beleza é um filme que cai bem com a leitura de um romance de Gabriel Garcia Marquez, chamado Memórias de Minhas Putas Tristes. A questão é como encarar a vida quando esta está escapando por entre os dedos cada vez mais rapidamente. É um filme animador apesar dessa perspectiva e combina humor e drama em medidas adequadas.
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