É bonito de morrer. Tudo é muito complexo nos dias atuais. Tudo é muito ligeiro ou sorrateiro, quando nos damos conta, passou cinco anos, dez anos e você está ali no mesmo lugar, na mesma cidade, nas mesmas companhias, no mesmo emprego, quase sem nenhuma evolução, mas eu pergunto, para que? Quem não se identificou que atire a primeira pedra.
Paolo Sorrentino nos confronta com essa realidade mas quase que de forma inversa, nos apresenta Jep, um escritor que vive do sucesso do seu único escrito, após 40 anos do lançamento, e com 65 anos, ele ainda cole os frutos desse sucesso romano. Do alto de um terraço, vemos as comemorações de uma festa regada com muitas bebidas, comidas e vários amigos e adentramos a vida de Jep.
Mas como um vício, está vida o domina a ponto de não ter mais motivação para outro livro. Apesar de muitos amigos, Jep se vê muitas vezes sozinho ao redor deles, as festas e discussões cultas só o fazem sentir mais sozinho entre os vários copos de champanhe e as suas relações amorosas não tem a sagacidade suficiente para se estender e se tornam apenas passatempos.
Mas a cada dia que passa nesses, vai se construindo a ideia de que ele não pode perder mais tempo com coisas fúteis e supérfluas e assim começa a dar importância para o que realmente interessa. A partir daí, Jep vai sentir o gosto de sentimentos profundo como perceber o primeiro amor novamente e até relembrar um, vai cheirar o que há de melhor nos sentidos humanos.
O diretor monta um filme recheado de provações metafóricas e monta uma bela película fotográfica, o que faz um filme mais fácil de digerir e compreender. E é tão lindo que me arrisco a dizer que a primeira cena seria um prefácio certo para esse filme, é lindo de morrer, de tanto ver…Assista e entenderá.