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Pedro A.
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0,5
Enviada em 11 de março de 2014
Sinceramente, não entendi ainda o motivo sequer da indicação ao Oscar, quanto mais de ter ganho a estatueta. Um filme muito chato de assistir, sem ligações, parece que o autor pegou várias estórias e as colocou para que o espectador as ligasse como bem entendesse. Muito tempo para explicar a simples frustração de um escritor em uma cidade, sem dúvida maravilhosa, como Roma, ou seja, contou uma estória boba em um cenário esplêndido. Sem dúvida não chega aos pés dos italianos vencedores anteriores "A Vida é Bela" e "Cinema Paradiso".
É um filme para ser entendido. É crítico, satírico, debochado. Trata de uma parte da vida de um escritor a procura da grande beleza. Rico e mundano, como ele mesmo se auto-define, tem tudo o que precisa sem ter que trabalhar. Ele vai para a cama quando muitos dos seus parceiros estão acordando. Vive de festas e divertimentos, mas nunca deixa de ser uma pessoa vazia a procura de uma razão. Seus amigos são cada vez mais raros e as mulheres não o cativam. É uma volta ao grande enigma da vida. Para que nascemos? Em dúvida se existe um outro lado, prefere ficar neste. Muito interessante.
É fato que A Grande Beleza descortina a decadência de Roma e da sociedade ocidental contemporânea, denunciando-lhe a superficialidade nos relacionamentos e a mediocridade nas almas. É também notória a dura crítica à perda de aura que acomete a arte em todas as suas manifestações, cada vez mais sujeitas a soluços egocêntricos desprovidos de sentido e intenções elevadas.
Mas o filme de Paolo Sorrentino é, sobretudo, uma reflexão cortante sobre a arte de envelhecer sem que se perca o afã de buscar razões para viver; é a história de um homem comum que se fez diferente pelo livro escrito há quarenta anos e que, durante este tempo, entre uma exuberância e outra da cidade pulsante, tem vivido em busca de alguma grande beleza capaz de justificar a sua existência. A vida mundana e confortável de Jep Gambardella confronta-se com um vazio interior inquietante diariamente emoldurado por cortes de linho sob medida para um Toni Servillo sessentão capaz de deixar muita mocinha apaixonada. Ele tem dinheiro, prestígio e inteligência. Mas lhe falta alguma (muita) coisa.
Festas regadas a bebidas, drogas e mulheres fáceis no sexo e difíceis na lida. Um trabalho que não o engrandece. A solidão de ter na assistente do lar o único esteio para conversas mais profundas. Jep é um homem intenso soterrado por essa vida demasiadamente prosaica. Mas, ao completar 65 anos, decide que pode abandonar uma mulher na cama porque não suporta ouvi-la falar de futilidades: “vou agora deixar de fazer o que não gosto”, diz ele. Também pode seguir alheio a strip-teases grosseiros, passar a noite com uma mulher e acordar feliz depois de não ter sexo com ela: “é bom sentir que simplesmente gostamos de alguém”, contempla, satisfeito.
As lembranças do amor da juventude, quando uma linda moça lhe apresentou as delícias do corpo numa praia paradisíaca, parecem ser apenas uma caricatura para mostrar que Jep não perdeu o vínculo com a pureza, com a simplicidade, com a sensibilidade, com a grandeza de alma. E, falando em alma, o diálogo com um cardeal romano revela as fragilidades do catolicismo e a premente necessidade do protagonista de refletir sobre espiritualidade e entender o que está por trás dos desígnios divinos. A Grande Beleza é, afinal, um filme de amor e esperança. De busca e contemplação.
Getting older sucks! Besides... the catholic church too !!! Pra um filme sobre a grande beleza.. nunca vi tanta gente feia junto.. excluindo-se, claro, Toni Servillo.. que esta alem disto..muito simpatico...Pra mim o filme é uma cínica crítica ao cinismo da igreja.. tao forte na Italia... e a irmã Maria me pareceu a madre tereza de calcutá e sua insana vida...O cardeal que gosta de dar receitas... tive vontade de soca-lo inumeras vezes.. enfim...um filme que precisa ser visto..
Adorei o filme ,alem do tema desilusão do mundo boemio ,festivo q. o personagem vivia,cenas lindissimas de Roma que por si só é uma cidade desliumbrante como um cenário de Arte e Arquitetura. O personagem principal caracterizado num refinado romano elegante, fino, educado está chiquérrimo ,muito bem elaborado da postura ao vestuário de extremo bomgosto. Imperdível!!! nota 10
Jap está à procura da Grande Beleza para escrever seu próximo livro. "Ela não existe" constata por fim depois de conhecer o contraste entre uma cidade onde foram criadas as maiores obras de arte do mundo e que lá permanecem para enlevar os turistas que vão à busca do belo. O que vi no filme foi o pano de fundo - Roma, sua importância histórica, suas belas obras de arte - e a cidade de hoje contaminada, como qualquer outra grande cidade, pelos vícios que destroem qualquer possibilidade de se admirar o Belo. Outra cidade, outra cultura, outra visão de arte: "A menina entediada e revoltada por não deixarem que viva o seu tempo lança várias latas de tinta num painel branco e no final vê-se que produziu uma bela obra, sem nenhuma técnica apenas a emoção derramada em cores que se integram e deixam a pequena grande artista mostrar o talento que mora em suas entranhas e que deixa sem ação os presentes àquele evento" O filme permite muitas leituras. Essa foi a minha.
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