O Hobbit – A batalha dos cinco exércitos estreou no Brasil no dia 11/12/2014, última quinta feira, pondo um fim à história de Bilbo Bolseiro em sua aventura para ajudar Thorin e sua companhia a recuperar Erebor e também foi a despedida de Peter Jacson das adaptações dos livros de J. R.R Tolkien.
Desde o lançamento de “Hobbit – Uma Jornada Inesperada” e “Hobbit – A desolação de Smaug” os fãs aguardavam o desfecho dessa história. Há de ressaltar que os fãs dos livros de Tolkien aguardavam ainda com um pouco mais de ansiedade. Dúvidas com relação à adaptação sempre foi uma incógnita constante. Mas e o filme?
Dando continuação ao final da segunda parte da trilogia o filme já começa com Smaug, o magnífico, chegando à cidade do lago e tocando o terror, literalmente. Ele incendeia a cidade causando pânico e terror. Em meio a tudo Bard (que havia ajudado os anões a chegar à cidade do Lago) foge da prisão e com a ajuda de seu filho consegue disparar a flecha negra em seu tronco descoberto enquanto o dragão avançava para matá-los. Smaug agoniza uns minutos e morre. Bem, achei que a forma como a flecha havia sido lançada foi bem exagerada (exageros é o que não falta nesse terceiro filme) e o momento da morte de Smaug muito mal aproveitado.
Após isso acontecer a história é concentrada nos anões na sua tentativa de defender a montanha e seu tesouro. Thorin Escudo de Carvalho é acometido da doença do dragão e não abre mão do tesouro para cumprir com suas promessas. E quanto ao Bilbo, o pequeno hobbit? Bilbo consegue encontrar a tão desejada Pedra Arken e a esconde de todos.
Após a queima da cidade do lago os homens vão para a cidade do vale, que fica próximo a montanha e recebem a ajuda dos elfos da floresta. Thranduil e Bard vão reclamar o cumprimento da promessa por parte de Thorin com o intuito de evitar uma guerra. Thorin nega, pede a ajuda ao seu primo, Dain pé-de-ferro, e uma guerra estoura.
PAUSA PARA RESPIRAR.
A história inicialmente é centrada em dois núcleos: a montanha e Dol Guldur. Nesse segundo núcleo Gandalf está preso e recebe a ajuda de Galadriel, Saruman e Elrond. Eles libertam Gandalf com a ajuda de Radagast e, então, os espectros do anel aparecem e uma batalha começa entre os três e os nove espectros. Achei essa curta luta bem melhor que toda a batalha dos cinco exércitos (Sim, me julguem). Depois disso Gandalf parte para Erebor.
Tá, mas e a batalha dos cinco exércitos? E por que cinco exércitos?
Após a recusa de Thorin os elfos se preparam para investir contra os anões presos na montanha. No exato momento Dain (que é muito mais daora que Thorin) chega para ajudar seu primo e se preparam para uma batalha com os elfos e homens. Quando o início da batalha chega os exércitos de Orcs também chegam, sendo ajudados pelos exércitos de Wargs. Pronto! Aí estão os cinco exércitos: Anões, elfos, homens, orcs e lobos e, mais tarde, as Águias.
A batalha é excessivamente longa e cansativa. O filme é rodado praticamente todo em CGI e parece que isso chama muito mais atenção do que a história propriamente dita. De qualquer forma, o filme cumpre o que promete, afinal tem uma gigantesca batalha de quase 50 minutos, mas que no livro dura uns 10 minutos. Por falar em livro, e adaptação?
Gosto de dizer que o hobbit é um bom filme, mas uma péssima adaptação. A única coisa que parece ser adaptada do livro é apenas o objetivo daquilo tudo. Peter Jackson optou por bastante licença poética alterando datas e eventos. Alterou fatos de modo a criar um antagonismo nessa trilogia. Azog, por exemplo, havia sido morto na batalha pela recuperação das minas de moria, mas Peter Jackson optou por colocá-lo nos filme e antagonizar a campanha da comitiva dos 14 companheiros. Da mesma forma acontece com Bolg, seu filho, que foi morto por Légolas (que inclusive nem mesmo aparece no livro), mas na história original foi morto por Beorn. Já que falamos de Beorn não podemos deixar de citar a sua fraca participação tanto em “A desolação de Smaug” quanto na “Batalha dos Cinco Exércitos”.
Os filmes do hobbit são incrivelmente extensos e com passagens desnecessárias. Dentre eles o romance entre Tauriel e Kili que é inexistente, ainda mais considerando o histórico de ódio entre anões e elfos. Além disso, o filme ainda deixa algumas pontas soltas, como o destino da pedra arken após a batalha, como ficou o pagamento das promessas de Thorin, o que aconteceu com a montanha de Erebor, dentre alguns outros bem pequenos.
Peter Jackson tentou forçar uma ligação com a trilogia anterior, Senhor dos Anéis, recriando cenas dos filmes anteriores, colocando frases que remetiam à trilogia do anel e, ainda, moldando todos os eventos para a volta de Sauron. Por fim, ao final do filme o diretor tenta sugerir que o mago Gandalf sabia da existência do anel mágico, entretanto, o mesmo afirma no filme “A Sociedade do Anel” que não percebeu um anel com seu amigo Bilbo.
O Hobbit - A batalha dos cinco exércitos é um filme divertido que prende a atenção, possui ação, violência e certo grau de descontração. Pode não agradar aos fãs mais exigentes e deve ser visto como um universo diferente daquele criado por J.R.R Tolkien.