Chega de Homem-Aranha "Adulto", finalmente temos a versão adolescente do cabeça de teia. Depois de voltar para sua casa, Marvel, o novo filme do Homem-Aranha adentra a receita mágica do estúdio e faz um filme "Sessão da Tarde" dos anos 80, bom e divertido, claro. Homem-Aranha: De volta ao lar é exatamente a essência do personagem direto dos quadrinhos, já podemos esquecer os dois filmes da franquia "Espetacular", que de espetacular mesmo não tem nada, e reviver essa nova fase do amigão da vizinhança, um típico adolescente e seus dilemas escolares. De volta ao lar é dirigido por Jon Watts (Clown e A viatura), um diretor que entendeu o que faltava no universo cinematográfico do aracnídeo, e colocou na tela exatamente aquilo que os fãs queriam ver, aquele aranha moleque, imaturo, gente como a gente, que sofre bullying na escola, que não consegue se declarar para a garota popular, que vive os dramas entre namorar ou salvar o bairro. Esse novo herói ainda está aprendendo a lidar com tudo isso, inclusive seus poderes, por isso a ausência de um elemento muito importante no cânone, sentido aranha. Este filme mostra o universo que a Marvel tem preparado, mas não é introdutório, por isso não tem a necessidade de explicar, novamente, a origem dos seus poderes ou até mesmo a morte do tio Ben, daí a grande sacada dos roteiristas John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein em iniciar o longa pela visão de Peter como uma espécie de Youtuber da "Guerra Civil". A formação do vilão Abutre (Michael Keaton) é bem interessante dentro desta franquia, pois ele nada mais é do que uma consequência dos atos dos Vingadores em sua primeira batalha contra os Chitauri, e em determinada parte do filme se mostra um vilão, realmente, ameaçador. Watts utilizou em seu filme muito do que deu certo na década de 80, retirando boas referências de John Hughes como Clube dos Cinco, Curtindo a vida adoidado, A Garota de Rosa Shocking e até mesmo pitadas de "De volta para o futuro", não foi à toa que o próprio Tom Holland declarou ter se inspirado em Marty McFly. O diretor só deixa a desejar nas cenas finais, tomadas áreas muito escuras e rápidas, onde os olhos quase não conseguem acompanhar, lembra muito um filme de rôbo do Michael Bay (rs). O filme tem muitos easter-eggs do aracnoverso e demonstra ter bastante potencial para mais duas produções, completando aí a trilogia da Marvel para o seu principal personagem. O ator Tom Holland como Homem-Aranha é muito melhor que Andrew garfield e mostra está muito a vontade no papel, entregando aquele protagonista nerd e inocente, sem levar em consideração a química com o colega de classe Ned (Jacob Batalon). A participação de Tony Stark (Robert Downey Jr.) foi crucial e simplória, pois o mesmo não tem muito tempo de tela, a não ser na cena do navio partindo ao meio, que por acaso simula a cena do melhor filme do Homem-Aranha já feito até hoje (Homem-Aranha 2), onde o melhor Peter/Aranha (Tobey Maguire) para um trem (Que cena, que filmaço!). Homem-Aranha: De volta ao lar é o filme que precisávamos!