Clássico com CG.
Fato, o cinema não se cansa de fazer releituras de grandes clássicos literários que já reinaram nas telinhas. Tarzan é mais um desses ícones que vez ou outra surge readaptado em formato cinematográfico, tendo muitas liberdades tomadas em prol da criatividade narrativa, algo que volta a ser usado nesta produção comandada por David Yates.
Nesta nova adaptação da cria de Edgar Rice Burroughs, Tarzan (Alexander Skarsgård) encontra-se "adaptado" à vida em sociedade, morando em Londres com sua esposa Jane (Margot Robbie). Em paralelo à sua vida tranquila na cidade, a Republica do Congo faz um convite ao parlamento Britânico para que Tarzan simbolize a paz em um território fechado de forma ditatorial pelo então presidente Belga, Leopoldo. Relutante, ele aceita o convite, mas descobre que trata-se de uma estratégia armada pelo Capitão Rom (Christoph Waltz), vassalo de Leopoldo que planeja muito mais com Tarzan do que supostamente pregar a paz.
Embora já tenha início com um protagonista adulto em vida social, supostamente consolidada, o roteiro de Adam Cozad e Craig Brewer se esforça para fazer jus à origens do personagem ao contar seu passado ao longo do filme em forma de flashbacks. Isso até pontua bem seu objetivo, mas em nada adiciona ao desenvolvimento do protagonista, pois muitas vezes soa como desculpa narrativa para encaixar em um momento que nem sempre condiz com o flashback.
Bom, se problemas de cronologia podem ser deixados de lado em prol da diversão, nesse caso Tarzan pode ser um deleite. Seu grandioso orçamento faz jus a sua ostentação visual. O homem das selvas tem a seu lado um rico universo povoado por animais e plantas em CG misturadas com ambientes reais que, muitas vezes surpreende pela qualidade, em especial dos símios. A ação que se desenrola nesse ambiente usa e abusa de recursos cinematográficos para impressionar, nem sempre alcança seu resultado pela artificialidade, mas funciona.
O elenco carismático ainda conta com Samuel L. Jackson e seu divertido George Washington Williams e Djimon Hounsou como o líder congolês Mbonga.
Apesar de não ser uma obra prima, tampouco acrescentar à mitologia do personagem, A LENDA DE TARZAN é um bom filme que não merece ser descartado por sua falhas. Embora os efeitos visuais primem como o foco principal, a produção ainda diverte.