Um filme argentino de 2013, com nada menos que o ator Ricardo Darín que, aqui, faz o professor de direito criminal, Roberto Bermúdez, em uma bela trama psicológica, com um pano de fundo forense bem sedutor. O professor, audaz, seguro de si, divorciado, mas, de forma intrigante, mantém contato com a sua ex-mulher, Mônica (Mara Bestelli), mora sozinho e tem ajuda de sua diarista (Ana María Castel ). Em uma vida solitária, vive amores líquido e já demonstra a perda do brilho típico do entusiasmo juvenil. Ao iniciar uma nova turma, reencontra um filho de seu amigo, Gonzalo (Alberto Ammann), em uma cena que veremos ser um resgate de um passado indesejado. Tudo parece jogado e sem conexão até o assassinato de uma mulher ser revelado durante sua aula, visto por todos os alunos pela janela da universidade. Todos os personagens se conectam de uma forma interessante, mas, ao mesmo tempo, propositalmente aberta. A sua vida, já aparentemente sem muitas convicções, passa a girar em torno da descoberta do que aconteceu na noite do crime e se inicia uma investigação que o fará questionar o preço da verdade (um pouco parecido veremos anos depois, no filme "Homem Irracional", de 2015). Ocorre que toda a trama faz o espectador acreditar que o professor se encontra em um jogo psicológico de índole psicopata com o seu possível algoz, Gonzalo, mas fica em aberto se o professor consegue revelar a verdade que quer ver (como faz na vida pessoal, como apontou sua ex-mulher durante a trama) ou se, de fato, todas as pistas foram deixadas por Gonzalo e o crime teria sido "perfeito", assim como também teria cometido em Portugal. A dúvida, todavia, é justamente o mote do filme, dado que o professor, desacreditado pelos percalços da vida real, vive em torno de um problema que parece ser o seu remédio. Ao mesmo tempo, as pistas, por querer acreditar em sua verdade, sempre coincidem com o resultado almejado. Aquele filme com mil possibilidades ou será apenas uma? Tese de um homicídio nos faz refletir, tomadas as proporções, se não fazemos, em vários aspectos da vida, justamente como fez o professor, ao não percebermos que vivemos, muitas vezes, apenas em torno do que procuramos querer ver. Belo filme, bela reflexão. Bela trama. Ou será que enxerguei apenas o que eu quis ver?